sábado, 8 de agosto de 2009

FILMES QUE MARCARAM ÉPOCA
NA CAICÓ DOS ANOS 50
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o trêiler de
O dia em que a Terra parou
(Robert Wise, 1951)


BALAIO PORRETA 1986
n° 2745
Natal, 8 de agosto de 2009

Em 1955, quando o Pax de 'seu' Clóvis revelou para os caicoenses o drama O dia em que a Terra parou, um dos marcos da ficção científica cinematográfica dos anos 50, todos nós, na pequena cidade seridoense, acreditávamos na existência de discos voadores e de seres extraterrestres. Daí o seu duplo impacto: como filme bem construído e como retrato de uma situação ficcional que poderia ocorrer a qualquer momento. Durante algum tempo, antes que Tarzan nos levasse para uma selva supostamente africana ou que Durango Kid nos arrebatasse com seu mundo voltado para a conquista do Oeste americano, o meu espaço vivencial, nas escuras noites de Caicó, só tinha um objetivo: conhecer de perto outros planetas e outras galáxias.


DE AMARGAR
Henrique Pimenta
[ in Bar do Bardo ]

só não comi a sobremesa
porque ela fez cu doce


TEIA
Maria Maria
[ in Espartilho de Eme ]

Para tecer um poema
basta uma aranha.


AVE ENCANTADA
Jeanne Araújo

O que quero dizer
é esse falar de sombras,
de fantasmas lá de fora.
Tenho alguns livros inquietos na estante
e nem eles me bastam.
Que fogo, senhor, no meu rosto!
Que pecado traiçoeiro em minhas mãos!
Quando tenho notícias tuas
desencadeia-me um torpor
encrespado de cordões de ouro.
Meu sexo engendra truques e artimanhas
e torna-se doce feito cheiro de engenho velho.
Oscilo entre meu aguçamento
e um catre de palha.
Minha maledicência implora a todos piedade,
mas meu desejo me deixa frouxa e escorregadia.
Nunca fui santa.
Minha urgência me salva de tudo o mais.
Meu enredo de poesia
me cura de dias incontáveis.
Uma ave encantada nasce de mim.


IN DEDICUS
Nina Rizzi
[ in Ellenismos ]

aristídea quando fodida, não vale um meu dedão,
tem o gosto das manhãs ressacadas,
guarda-chuva que me insiste abrir a goela.
como se feia, tem uns cabelos brancos
feito a pele, escorridos, europeia,
a me encher vontade de lhe meter a peia.

essa senhora difere das demais: não merece dedicatórias,
e se é dela esse poema, é por não ter valor literário.

mas há um motivo pr'eu gostar de aristídea:
ela quer (e devia) ser josephine baker,
mas não se repleta de autopiedades
- é que, rica, foi pintada por memling.


Diretamente do Bar de Ferreirinha
A VINGANÇA

A cena abaixo foi presenciada um dia desses por Ricardinho e vários clientes do Bar de Ferreirinha.

Vamos preservar os nomes dos santos, mas relatar o milagre.

A moça sentou-se à mesa e pediu uma cerveja para ela, e um copo de amarula e outro com suco de limão para o namorado.

E disse a ele:

- Deixe a amarula na boca, sem engolir, depois beba o suco de limão e tente ficar com a mistura maior tempo possível...

O rapaz faz o que a namorada pediu: bebeu primeiro a amarula e experimentou uma agradável sensação de calor, de doçura e textura cremosa na boca.

Em seguida, tomou o suco de limão.

Depois de 3 segundos, a reação: o rapaz faz cara de nojo com o gosto é horrível.

O limão talhou o creme de leite da amarula.

Ele hesita entre vomitar ou engolir a bebida.

Decide engolir e, puto da vida, pergunta à namorada como se chama a porra daquele drinque.

Ela diz, em alto e bom som, pra todo mundo do Bar de Ferreirinha escutar:

- É a vingança do boquete!

12 comentários:

João Quintino disse...

Moacy, veja as imagens de hoje na Sabugilândia. Abraço!

Theo G. Alves disse...

vixe! essa vingança foi um esporro!

Francisco Sobreira disse...

Caro Moacy,
É um filme muito bom, um dos principais de Wise. Acho bem sacado o fato de mostrar o personagem de Michael Rennie, que vem à terra, como um ser terrestre. Além de ser um marco no gênero, "O Dia em que a Terra Parou" possui um clima relacionado com a Guerra Fria, então já desenvolvida entre os EUA e a União Soviética. Um abraço.

nina rizzi disse...

bon giorno! :)

este filme é um dos primeiros que tenho lembrança, junto com spartacus e o exorcista. daí que, na infância, oscilava entre os quereres: fugir pras estrelas, conhecer histórias e deixar o diabo sair de mim. veja que os filmes foram proféticos! a magem que vc capturou é belíssima, bem o que disse sobreira, sobre a guerra fria; mas lembrei do brasileiríssimo "o homem da máscara de ferro" (já viu? não perca).

toda vez que figuro aqui, fico doida que só, toda balaiada! e olhe, entre teias, aves e um cuzinho doce; num boteco limão e chocolate, numa grande vingança, aiai... nem poderia ser melhor...

beijo :)

BAR DO BARDO disse...

foi um tal de urso ueles ou pituleira, não me lembro por ora, que fez um programa de rádio nos idos de 50, logo depois do horóscopo matinal e de uma seleção de boleros, avisando da invasão marciana no seridó. muita gente pensou que não apenas seridó ia para os cafundós tipo sci-fi de zé limeira, mas que o mundo inteirinho também ia se acabar em raios a la flash gordon dos quadrinhos... daí rolou uma baitolagem e uma sapatanagem instantânea nunca antes vistas em terra de cabra macho e cabrita fêmea...

deu-se, no contudo, a mando do xerife, macaco avoando na rádio. se soube então que era arte e que com arte se brinca. marciano era só o gênio inspiradíssimo do radialista, enquanto se fartava com a famosa água corruptora de fígados

depois rolou um silêncio... e tudo voltou a ser cabra e a ser cabrita, pelo menos à luz do dia, dentro das humanidades ortodoxas.

(só para não perder o seu fio, moa, brincadeirinha.

obrigado pelo mérito de figurar aqui no balaio.

gente boa.

abraço.)

- rosebud pimenta

Marcos disse...

Caros amigos:

O filme de Wise "O dia em que a Terra parou" é ótimo (e ele tem vários outros muito bons). No último Simpósio Nacional da ANPUH (Associação Nacional de História), em Fortaleza, CE, meu orientando Igor Carastan Noboa apresentou trabalho sobre esse e outros filmes americanos dos anos 50, discutindo seus paralelos com o movimento dos cientistas contra o uso bélico da energia atômica e de outras conquistas tecnológicas então recentes.
Abraços:

Marcos Silva

Mirse disse...

Bom dia Moacy!

Adorei o filme, mas o que mais gostei está fora dele: foi a narrativa que fez dos seus sonhos de menino, ou rapaz. Maravilhoso! The earth stood still now.

Maria Maria, arrasando como sempre.

Henrique Pimenta mais apimentado que nunca.

Jeanne Araujo, Beleza de poema!

E Nina fazendo o seu diferencial.

Fizeram o Balaio de hoje mais belo.

Se é assim o que rola no Bar do Ferreirinha, deve ser prá lá de bom.

Até os marcianos do filme pousariam lá e ficariam sem ação.

Beijos

Mirse

Maria Maria disse...

Oi, Moacy!

Obrigada pela postagem. É sempre bom estar aqui.
Ah, no lançamento do meu livro de poesias, o Outônicas, talvez possamos nos encontrar pessoalmente. Não há data ainda, mas vai sair. E como diz nosso amigo Nei Leandro: "avante, poeta!"

Beijos,

Maria Maria

Pedrita disse...

eu vi na sessão da tarde o dia em que a terra parou. atualmente passa no telecine cult. beijos, pedrita

Ane Brasil disse...

Menina má, não se faz isso não...
(mas eu ri à beça, hehehe)
Não vi "o dia em que a terra parou"... aliás, tenho muitos filmes pra ver ainda nessa vida!
Sorte e saúde pra todos!

Dalva disse...

Só no bar de Ferreirinha mesmo!

Beijos

pituleira disse...

Moacy, essa menina vingativa é uma gata.Mais uma vez obrigado,fazer parte do Balaio é muito gostoso.