terça-feira, 20 de outubro de 2009

EXTRA! EXTRA!
Diretamente de seu Plano Astral 6969/69,
o poeta Chico Doido de Caicó
enviou a seguinte mensagem
psicoalcoolizada para o Balaio:
"Depois de horas e horas de conversação
metafísico-aristotélico-espiritual com os amigos Chiquim de Assis, Cascudinho, Maria Boa, Lula Guimarães, Moysés Sesyom, Frei Caneca, Patricia Galvão e Oswaldinho de Andrade, cheguei à conclusão mais lógica e mais sensata: somente Bibica - uma grande figura humana, pelo que pude observar - será capaz de salvar o Rio Grande do Norte dos políticos incompetentes e criadores de factoides que torram a paciência da gente potiguar. Bibica é o cara!" Em tempo/1: Chiquim de Assis aqui citado é São Francisco de Assis; Maria Boa foi a dona do cabaré mais famoso de Natal nos anos 40, 50 e 60 do século passado; Cascudinho é o folclorista e historiador Luís da Câmara Cascudo; Lula Guimarães é o poeta curraisnovense Luiz Carlos Guimarães; Oswaldinho de Andrade é Oswald de Andrade, claro. Em tempo/2: Bibica sairá candidato peloa Partido do Bar de Ferreirinha (PBF). Em tempo/3: a entrevista exclusiva com Chico Doido foi adiada para a próxima semana.
Na foto (de Roberto Fontes): o popular Bibica.


BALAIO PORRETA 1986
n° 2817
Natal, 20 de outubro de 2009


as palavras não me fogem
pois não as prendo
não me faltam
porque são livres
estão aqui
nestes poemas
apenas para se divertir
(Cláudio SCHUSTER, in Beba Poesia)


Natal
XV CIENTEC, na UFRN

Hoje, a partir de 16: lançamento de Cenas brasileiras.
Amanhã, às 22h: aprontação musical com Os Poetas Elétricos.


Memória 1995
BALAIO INCOMUN
Folha Porreta
Moacy Cirne
n° 704
Rio, 16 jan 1995

METAPÓSTRADUÇÃO: TEORIA E PRÁTICA

Depois de 7 anos, 7 meses e 7 dias, concluímos, com satisfação, uma tarefa hercúlea, das maiores já realizadas no mundo literário brasileiro: a metapóstradução, absolutamente criativa, do título e dos quatro primeiros versos da obra-prima Le bateau ivre, o imortal poema de Arthur Rimbaud. Foi, sem dúvida, um trabalho ímpar, que, decerto, ficará nos anais acadêmicos da excelência transcriadora.

Não foi fácil. Ao contrário. Tivemos que incorporar a carne e a alma francesas do século passado [séc. XIX], e mais - muito mais -, na medida que descobríamos certas particularidades sânscrito-croatas embutidas no cerne vocabular do poema. Neste sentido, as belas traduções de Augusto de Campos e Ivo Barroso, por nós consultadas, foram valiosas, sobretudo na descoberta semântica de determinados efeitos conteudísticos [...].

Para que os leitores tenham uma ideia concreta de nossas soluções criativo-epistemológicas, publicamos o original em questão, as traduções de Augusto de Campos e Ivo Barroso, e por fim, pela primeira vez no Brasil, a nossa metapóstradução:

LE BATEAU IVRE (Rimbaud)
Comme je descendais des Fleuves impassibles,
Je ne me sentis plus guidés par les haleurs:
Des Peaux-Rouges criards les avaient pris pour cibles,
Les ayant cloués nus aux poteaux de couleurs.

O BARCO BÊBADO (Augusto de Campos)
Quando eu atravessava os Rios impassíveis,
Senti-me libertar dos meus rebocadores.
Cruéis peles-vermelhas com uivos terríveis
Os espetaram nus em postes multicores.

O BARCO ÉBRIO (Ivo Barroso)
Como descesse ao léu nos Rios impassíveis,
Não me sentia mais atado ao sirgadores.
Tomaram-nos por alvo os Índios irascíveis,
Depois de atá-los nus em postes multicores.

O BARCO LIVRE (Moacy Cirne)
Como descendia das Flúvias impassíveis
Já não me sentia um plug guiado pelas sirigaitas:
Padres russos criados com aveias possíveis
Antes tocavam nus em siris, gatos e gaitas.

Claro, nossas pesquisas fenomenológicas foram extensas; consultamos tratados semiológicos e pirotécnico-semanticistas sobre as mais diversas e surpreendentes temáticas rimbaldianas, inclusive as de ordem sexual. Mantivemos uma longa e intensa correspondência com as bibliotecas de Alexandria, Paris, Londres, Nova York, Chicago, Nova Orleans, Moscou e Caicó, assim como com especialistas em sânscrito-croata e outras línguas vivas, mortas e neutras. O resultado pareceu-nos excelente, sem falsa modéstia. Nos próximos sete anos esperamos traduzir os quatro versos seguintes do poema, para a glória da Novíssima Metapóstradução.

15 comentários:

assis freitas disse...

Excelente a METAPÓSTRADUÇÃO, a mais real entre as surreais. Lembrou o meu período de mestrado em literatura em que nada se objetivava tudo se tergiversava. Abraço.

Cosmunicando disse...

depois dessa tradução rimbaudiana e mais o poema do claudio schuster, o que dizer?
claro: voto no bibica!
beijo

romério rômulo disse...

moacy:
suponho que a candidatura do
bibica seja trans-estadual. voto nele,a partir de ouropreto. o bibica é a resposta e a pergunta.
meu abraço no candidato.
cumprimentos ao chico doido.
romério

putas resolutas disse...

além de votar, faço campanha! d'agora pra em diante sou caba-eleitoral do bibica!!! ;-)
besosssss

mim entender solamente português!! e olhe lá...

putas resolutas disse...

ah... continuo no aguardo da entrevista - ansiosíssima por saber o segredo da tulipa roxa!
besosssss

Jens disse...

Oi Moacy.
Um protesto veemente: o sábio CDC não desvendou o mistério da tulipa roxa. Em nome da preservação da saúde, peço que o mestre se pronuncie, sem mais delonga, sobre esta candente questão, que vem me tirando o sono e provocando suores noturnos, além das mais disparatadas fantasias de cunho sexual.
No mais, Bibica aí, Tarso aqui e Dilma lá!
Pro alto e avante!

Um abraço.

Mme. S. disse...

ansiosa aguardando a entrevista...

Mme. S. disse...

ansiosa aguardando a entrevista...

Mirse Maria disse...

Boa tarde, Moacy!

Quem não votaria no Bibica?

Seu Barco Livre, está perfeito!

J'ais vous dit!

Beijos

Mirse

Angélica T. Almstadter disse...

Esse balaio é porreta pra cacete!

Marcelo Novaes disse...

Moa,




Esse Bibica tem o sorriso dos que cumpriram sua vocação. Quanto à mensagem psicoalcoolizada de Chico Doido, creio no calibre de sua frequência ( redundância minha de todo desnecessária, a julgar pela plêiade de luminares alcançados na dita frequência de meia noves sequenciados). No mais, metapóstradução bem feita exige metodologia rigorosa (como foi o caso), consultas a registros de bibliotecas extintas, sabendo que tudo está permanetemente registrado no astral, of córsa. São os tais registros akáshicos de Madame Blavatsky, nas circunvizinhanças da frequência alcançada pela mediunidade alcoólica de Chico Doido. Coisa para especialistas pós-acadêmicos. A duração do empreendimento (em nosso tempo linear & profano) mostra, ainda, acurado zelo cabalístico. Desbancando a verve polilinguistico-elitizada de Campos e Barroso, vc trouxe a cotidianidade dos plugs dos tempos pós-rimbaudianos (em certo sentido, plugs ancestrais, já que a plugagem é pre-requisito desde antes do advento da eletricidade; para tanto, vide o Gênesis e o rebu dado pela primeira plugagem). Isso sem falar no empareamento de versos em rimas preciosas (que causam estupor no leitor mais desavisado), das quais destaco a seguinte, por falta de espaço no escopo necessariamente restrito desse breve comentário:

guiado pelas sirigaitas / gatos e gaitas.




Causa arrepio, sabe? Arrepio é minha tradução livre para "frisson poético-semântico".






Abraços, e parabéns.


Aguardo com ansiante expectativa [e devo confessar, ora com ansiedade expectante e expectorante], Mallarmé e Baudelaire, já que vejo em vc a descoberta (obnubilada aos olhos dos pesquisadores menos rigorosos) da ligação inequívoca do francês com o sânscrito-servo-croata, e com o misticismo russo.








Marcelo.

Beti Timm disse...

Mestre querido,

Eu sabia que cedo ou tarde o querido Chico Doido, se manifestaria lá das alturas.

Já sou cabo eleitoral ferrenha desse poeta que desde que li seus versos me encantei.

Beijos carinhosos, e meu voto para o Chico-Bibica.

pituleira disse...

Pôrra Moacy, não tem jeito.Seus leitores estão na de Bibica.Acredito que CDC quando falar a onda aumenta.Com relação a tulipa roxa,sei não, só CDC mesmo.Queremos na campanha de Bibica,Beti Timm,Marcelo Novais,Jens,Cosmunicando,Romério Romulo,Putas resolutas e Mirse Maria, com esse time Bibica conquista o mundo.

Adrianna Coelho disse...


Moa, estou rindo muito aqui... rsrsr

Saudade de vc.

Cheiros

Marco disse...

Eu já estava todo animado, achando que o cidadão da foto era Chico Doido, o grande Chico Doido. Há alguma imagem desse santo, mestre Moacy?
Maravilha a psicografia dele...
E meus parabéns pela metapóstradução! Coisa maravilhosa!
Carpe Diem.