segunda-feira, 12 de outubro de 2009

Foto:
Bobi Reshovski



BALAIO PORRETA 1986
nº 2809
Natal, 12 de outubro de 2009

Toda mulher é um poema barroco;
toda paixão é uma epopéia clássica.
(Alexandre Lourenço GOMES, 2009)


MULHERES
Eunice Arruda
[ in Zumbi Escutando Blues ]

Mulheres
mecanizadas
simulam
vozes

De passos duros
e roupas leves
alargam a tarde
de fumaça
e objetivos

Têm pressa - não
sonhos

Mulheres mecanizadas
geram filhos e
criam o

abstrato


VONTADE QUE DÁ E PASSA
Cyana Leahy
[ in Seminovos em bom estado, 2003 ]

Quero dilacerar a palavra
rasgar a seda da palavra
esgarçar a dubiedade da palavra
de viés
sem conserto
Quero abrir bem a boca
articulando fonemas
gritar de frente sem mascarar a palavra
uma vez
para que não entrem lesmas
para que não me teçam teias
para que eu ouça o atabaque
escondido na palavra presa
para que a palavra sangrada
escancarada escarrada
solte a mulher
ainda viva
dentro de mim


PLUMA
Lau Siqueira
[ in Texto sentido, 2007 ]

quase inexisto quando penso
que n'algum momento tudo esteve
tão imerso que as artérias colidiam

não sou o argonauta que um dia
desceu de uma nuvem imantada
com algo em chamas nos olhos e
um desejo canino de
lamber o invisível

vivi a sensação de penetrar inteiro
no mesmo dilúvio que desencana
ao que não se basta

(você é um argumento ao silêncio
e tua boceta tem algo de céu)


Repeteco
UMA TORRE BÍBLICA

A historinha a seguir, contada por Valério Mesquita, de Macaíba, RN, foi vivenciada por François Silvestre, escritor e ex-presidente da FJA, de Natal. Vejamos como o cronista e político macaibense a contou: Muitas são as atribuições enfrentadas pelo presidente da Fundação José Augusto. Pedidos de emprego eram rotinas que desafiavam a capacidade do escritor François Silvestre. Certa vez, foi procurado por um pai extremado que defendia com ardor um cargo comissionado para a sua filha. "Dr. François, a minha filha fala corretamente quatro idiomas. Onde o senhor pode colocá-la?". Sem se perturbar, com a mão esquerda segurando a cabeça, silencioso, François, suspirou: "Só se for na Torre de Babel" (Valério MESQUITA, Aqui e alhures, in Tribuna do Norte, 16/01/2007, em Artigos).


Texto apócrifo d'O Livro dos Livros
revisado por Moatidatotatýne, o Escriba
O BIG-BANG, O BANG-BANG, O FLA-FLU E O SERIDÓ
na visão de
Adam Frank & Moacy Cirne

Segundo a teoria tapuio-seridoense-marciana do Bang-Bang, todo o Universo - todo espaço, tempo, matéria e energia - emergiu de uma única explosão metafísico-erótico-aristotélica que o pôs em dinamismo. Só que, 40 minutos antes de tal fato (vide as pesquisas antropológicas de São Nelson Rodrigues, padroeiro do futebol fluminense), o Fla-Flu começara a existir. E assim sendo, uma luz fulgurante que ultrapassa qualquer descrição literária, filosófica, egípcia e/ou etílica inundou o universo recém-nascido.

E se o Fla-Flu começou 40 minutos antes do nada, de acordo com o alquimista Muirakytan Macedo e as arqueólogas Ana de Santana, Eliene Dantas, Maria Maria, Iara Carvalho, Sheyla Azevedo e Jeanne Araújo, o Poço de Santana - em Caicó de Todos os Sonhos - e o Poço da Bonita - em São José de Todos os Delírios - se formaram 40 minutos depois do Bang-Bang. O astrônomo Romário Gomes e os poetas Carito e Neil de Castro confirmam-no. Os astrofísicos Miguel Cirilo, Luís Carlos Guimarães e José Bezerra Gomes também o confirmavam.

Mas houve uma segunda parte desta história mitológico-científica que muitos desconhecem, inclusive abecedistas, americanos, tricolores, rubro-negros, botafoguenses, vascaínos, colorados, gremistas e os freqüentadores do Beco da Lama, em Natal, e do Bar de Ferreirinha, em Caicó: a escuridão retornou como uma vingança da bixiga lixa, como uma vingança da porra. E uma Idade das Trevas cósmico-seridoense teve início menos de 1 milhão de anos depois do Bang-Bang e perdurou por cerca de 1 bilhão de anos. Haja Big-Bang!

Depois, conforme se expandia, o Universo resfriou-se levando a mistura de partículas, radiação, futebol e poesia a uma série de episódios dignos de um encontro entre Zé Limeira e Chico Doido, sob as bênçãos de Lampião e Maria Bonita. Dentre esses episódios, há que destacar a criação, 69 segundos após o Bang-Bang, de prótons, espermas e nêutrons, partículas constitutivas de todos os núcleos atômicos e literários. Após uns 382 mil anos o Universo tinha se expandido uma porrada de léguas, formando o hidrogênio metafísico.

O fato concreto é que o surgimento do hidrogênio metafísico, o mais abundante elemento no Universo, trouxe o fim de uma era cósmica e o começo da Idade das Trevas. Somente quando as multidões despertaram para o Fla-Flu e surgiram as cidades de Caicó, Acari, Currais Novos, Jardim do Seridó, São João do Sabugi, Serra Negra do Norte e São José da Bonita, antes mesmo de Londres, Paris e Catolé do Rocha, a Idade das Trevas chegou ao fim. Como se fora um filme de Jussara Queiroz fotografado por Manoel Dantas.

[ Para maiores informações:
cf. O primeiro bilhão de anos, in Astronomy Brasil, vol.1, nº 2 /São Paulo, 2007/ ]

10 comentários:

assis freitas disse...

A teoria sobre o nascimento do Fla-Flu é impágável. Tudo muito bom para uma segunda-feira, ainda que feriado, nublada.

Henrique Pimenta disse...

As tiradas políticas sempre me agradam.
As entradas poéticas sempre me agradam.

Anônimo disse...

Oi Sr. Moacy!

Embora as fotos sejam bonitas, não dá pra fazer uma série COM HOMENS NUS? (que tal um Brad Pitt pra começar? e depois uma foto do sr. também?!?)

Não aguento mais passear por aqui e dar logo de cara com peitos (diga-se, os meus são bem fotogênicos, já foram fotografados!).

No mais, seu blog é de alto nível (só falta ser mais democrático! rss).

Então, estamos aguardando...

Anônimo disse...

Oi Sr. Moacy!

Embora as fotos sejam bonitas, não dá pra fazer uma série COM HOMENS NUS? (que tal um Brad Pitt pra começar? e depois uma foto do sr. também?!?)

Não aguento mais passear por aqui e dar logo de cara com peitos (diga-se, os meus são bem fotogênicos, já foram fotografados!).

No mais, seu blog é de alto nível (só falta ser mais democrático! rss).

Então, estamos aguardando...

Jens disse...

Há divergências, camarada Moacy, graves divergências. Segundo alfarrábios arcanos, encontrados à beira do rio Guaíba em priscas eras, a primazia é do clássico GreNal. Ao saber da teoria profana, agora divulgada pelo Balaio, meus confrades do Bar do Alemão, sentiram-se ultrajados na honra gaudéria. Alguns, mais exaltados, cogitam a possibilidade de novamente amarrar os cavalos no Obelisco - e depois dar uma passadinha no sertão do Seridó. Está difícil conter a ira turba, que já começou a entoar o Hino Riograndense ("sirvam nossas façanhas de modelo a toda terra" equivale a uma declaração de guerra). GreNal, por aqui, é sagrado.
Tremei, tremei...

Um abraço bagual.

Jens disse...

PS: homem nú no Balaio?
Jamais! Não passarão!!!
(Imagina o que o pessoal do Bar do Ferreirinha vai dizer, hehehe...)

Cosmunicando disse...

este Balaio tá uma explosão cósmica, Moa... dos poemas ao texto apócrifo, passando pela foto (ah, eu não ligo se tivermos umas fotinhas masculinas também... mas sem clichês, please!)

menção honrosa aos tres poetas: arrasaram!

beijo

pituleira disse...

Moacy, tudo beleza.O Balaio é o bicho mesmo.Agora esse encontro de Chico Doido com Zé Limeira seria o maior acontecimento do ano.Jens tem razão, homem nu no Balaio?Porque não mulher?Olha cara o nosso candidato a governador Bibica está preparando uma homenagem a Chico Doido,aguarde...

vais disse...

Saudações Moacy,
Mulheres da Eunice é bem um soco do estômago
Já, Vontade que dá e passa da Cyana, dá vontade de abrir a boca e deixar sair
Pluma do Lau Siqueira, quebra tudo.

E a imagem, bacana demais, viajei
nas idéias

Olha só Moacy, sabe moço, tudo bem, mas, que coisa, heim?
Que comentário mais de mau gosto e infeliz deste anônimo, a figura(seja homem ou mulher)devia ir sonhar.

Beijo e boa semana

Beti Timm disse...

Mestre querido,

Eu sinceramente dispenso os homens nus, só se fosse o Chico Doido, como isso é impossível...e certamente o nu feminino é muito mais bonito. Opinião de quem desenha muito nus femininos e raríssimos masculinos.

beijos carinhosos.