domingo, 22 de novembro de 2009

OBRAS-PRIMAS DO CINEMA
Clique na imagem
para verouvir uma sequência cantante de
Jules et Jim
(Ftançois Truffaut, 1962)
Uma mulher para dois (em alguns momentos, uma mulher para três) é um dos filmes mais sutis e amorosos da história do cinema, com sua beleza febril de conotações transplanetárias: na Paris da belle époque, dois grandes amigos - um francês e um alemão - se apaixonam pela mesmíssima e inesquecível mulher (interpretada de forma antológica por uma deslumbrante Jeanne Moreau). Os três, morando juntos, vivem um você-nós, eventualmente um você-eu, de raízes vivenciais sublinhadas pela sensibilidade narrativa e temática de François Truffaut. O filme, assim, é um poema cinematográfico, capaz de provocar alumbramentos e encantamentos: a rigor, plástica e existencialmente, é um turbilhão da vida, um turbilhão do amor. Pronto para ser contemplado, sequência por sequência; pronto para ser amado, fotograma por fotograma.


BALAIO PORRETA 1986
n° 2850
Natal, 22 de novembro de 2009

Grandes filmes lançados e/ou produzidos em 1962,
segundo a nossa avaliação atual,
sujeita a tempestades, tangerinas e seridolências:
1. Eclipse (Antonioni)
2. Viver a vida (Godard)
3. Jules et Jim (Truffaut)
4. O homem que matou o facínora (Ford)
5. O processo (Welles)
6. O anjo exterminador (Buñuel)
7. O silêncio (Bergman)
8. Muriel (Resnais)
9. Dois destinos (Zurlini)
10. Porto das Caixas (Paulo César Saraceni)
11. O processo de Joana d'Arc (Bresson)
12. A infância de Ivan (Tarkovski)
13. A faca na água (Polanski)
14. Harakiri (Kobayashi)
15. O homem de Alcatraz (Frankenheimer)
16. Labirinto (Lenica), curta/animação


POEMA de
Sanderson Negreiros (RN)
[ in 50 poemas escolhidos pelo autor, 2008 ]

Aves ardem
portos barcos muros.
O sol
cancioneiro
veleja em hábil azul.
Jaz.
E, baixo, desliza
o pomo do seu gasto sossego.

MERGULHO
Janice Caiafa
[ in SupLeMGnto. BH, março de 1995 ]

quando caio
nada vinga além do nado
caio entre e me salvo
pelo meio

guelras ganhas, estou só
absoluta no líquido

quase aquática
nem amo de tão perfeita


POEMA
Mariana Botelho
[ in Suave Coisa ]

minha boca quer silêncio
Alain Bisgodofu


Quero comer o verso
que tremula na
língua

e nunca mais falar de
poesia


EPICENTRO
Mercedes Lorenzo
[ in Cosmunicando ]

caladas
há palavras morando em minhas mãos
onde um gráfico sísmico
se desenha tradução


BOM DIA
Vivi Fernandes de Lima
[ in Atos da folia, inédito ]

Não há bom dia mais perfeito
do que a minha cara de bem comida
refletida no espelho.


APREÇO
Adrianna Coelho
[ in Metamorfraseando ]

tem sido um esforço caro
libertar a poesia:
da minha própria essência
torno-me cativa


PEDRA
Francisco Marcelo Cabral
[ in Livro dos poemas. Cataguases, 2003 ]

Escrevemos
porque sabemos
que vamos morrer.

Escrevemos
porque não sabemos
por quê.


Informação cultural
DE COMO O POPULAR FURICO É CONHECIDO
PELA BRAVA GENTE BRASILEIRA
- Alguns exemplos
[ in Balaio n° 810, de 9 de abril de 1996 ]

Arroto choco [] Ás de copas [] Arroz queimado
Almanaque [] Boga [] Bebê chorão [] Bainha de bosta
Bode rouco [] Bufante [] Bassoura [] Ceguinho [] Curioso
Demagogo [] Deputado [] Dólar furado [] Decente [] Digníssimo
Drácula [] Excomungado [] Excelência [] Foba [] Fi-o-fó
Frinfa [] Fedegoso [] Foreba [] Fogoió [] Fim de linha
Furiba [] Farinha azeda [] Fole gemedor [] Furioso
Flozardo [] Graduado [] Impaciente [] Inté logo
Janeiro [] Lamparina de cego [] Merdante
Oião [] Oritombó [] Plim-plim [] Sibazó
Trololó [] Tribufu [] Triscado [] Usina
Viajante [] Zeguedegue [] Zefini

( Fonte: Oxente, nous avons buchê,
de Orlando Caboré. Natal, 1996 )

14 comentários:

Lívio Oliveira disse...

Domingo poético aqui no Balaio. Valeu, Moacy.

Pedrita disse...

jules e jim é daqueles filmes q todo mundo viu menos eu. beijos, pedrita

Canto da Boca disse...

Seleção de oiro, Moacy, dá vontade de nem mais sair daqui.

Abraço!

;)

Marcos disse...

Pedrita:

Tenho inveja de vc que ainda pode descobrir um filmaço como "Jules e Jim"!
Beijos:

Marcos Silva

Bené Chaves disse...

Moacy: 'Jules et Jim' foi exibido aqui em Natal em junho de 1965, no cine Nordeste. Eu o assisti, precisamente, no dia 17. Realmente é uma obra-prima.
Sobre os filmes que vc cita, não conheço 'Muriel' e nem 'Labirinto'.

Um abraço...

NAMIBIANO FERREIRA disse...

"Escrevemos
porque sabemos
que vamos morrer.

Escrevemos
porque não sabemos
por quê."

Kandandu, meu caro!

Nivaldete disse...

O melhor do melhor: "seridolências" e o poema de F. Marcelo Cabral...
Um abraço.

Assis Freitas disse...

Que Bom dia da Vivi. Seleção de filmes impecável. É domingo.

Marcelo Novaes disse...

Moa,


Parabéns aos poetas.




O Digníssimo é, de fato, bem popular.


E c'est fini [Zefini é fantástico epíteto ao dito cujo].





Abração,







Marcelo.

Milton Ribeiro disse...

Belas palavras sobre Jules e Jim. Assino embaixo e por todos os lados.

Jefferson Bessa disse...

Lindo domingo por aqui, Moacy! Por muito tempo assiti Jules & Jim e sempre dizia -e ainda digo: este filme está entre os melhores que já vi. Truffaut arrebentou!

Um abraço.

Jefferson.

Carito disse...

Jules & Jim... para um rever sem fim... Mas foi o anjo de Buñuel que me exterminou para sempre... e entre tantos que ainda não vi, quero essa Faca na água... e entre atos fico com a folia de Vivi, confesso que Vivi, deu ao dia o bom da poesia! Balaio na cabeça, sempre! E a aula de hoje, em pleno domingo, bingo: nesse cú de mundo, foi a fundo!

nina rizzi disse...

jules et jim foi dos filmes que mais mexeram comigo. isso nos anos 90. imagino o que não deve ter sido turbilhonamentos em 60.

eu já vi uma re-história, não me lembro agora o nome, mas era um homem pra duas. parece que atualmente há mais mulheres e mais machismos.

abraço.

Adrianna Coelho disse...


Oi, Moa!

Estava fora no fim de semana. Mas, pelo visto, chacoalhei no Balaio, com esses poetas Porretas.

Arroto choco me fez rir muito.

beijos