quarta-feira, 11 de novembro de 2009

Sorriso de mulher angolana
em foto de
Ailton Cruz
No Dia da Dipanda (Independência),
um kandandu mwangolé (abraço angolano) para todos
a partir de Namibiano Ferreira


BALAIO PORRETA 1986
n° 2839
Natal, 11 de novembro de 2009

Escrever não é apenas uma operação da inteligência.
É uma necessidade do coração.
(Hildeberto BARBOSA Filho. O escritor e seus intervalos, 2008)



VÔO
Carlos Gurgel

há pouco
trilhei
cactus e estrelas

outrora
como um retorno
vigio o meu olho
que não se acostuma
com nada

tudo
é tão raso

me anoiteço
de sonhos e espartilhos

e o riso de anjo
que ontem vesti
respira ofegante
como o rio
que amanhece
sobre os meus pés.



O CÉU DO CINEMA
Fernando Monteiro
[ in Substantivo Plural ]

A mais hilária das definições de um Orson Welles nada entusiasmado com o grande Michelangelo Antonioni, foi esta: “trata-se de um solene amontoador de caixas vazias”…

É impossível não achar graça, pero también é impossible (diria Collor, imortal mestre de pontunhol) não ver o que havia de simplesmente invejoso na frase disparada contra o autor da “Trilogia da Incomunicabilidade” e de Blow-up.

Welles sofria de um certo ostracismo (injustíssimo, é claro), sendo obrigado a aparecer, como ator secundário, em filmecos tipo Estrela do Sul e até em comerciais de lâminas de barbear etc, quando lapidou essa “pérola” venenosa de ressentimento a respeito do então cultuado Antonioni (como ainda hoje, merecidamente).

Michelangelo poderia ter respondido – mas não o fez – lembrando que havia algo de “charlatanesco”, digamos, na personalidade artística de Orson, assim como alguma coisa um tanto desonesta no jovem diretor genial que nunca reconheceu ser o roteiro de Cidadão Kane muito menos dele do que de Herman J. Mankiewicz, com colaboração também de John Houseman (este, Welles nem aceitava que fosse citado, depois que brigaram na fase pós-”Mercury Theatre on the Air”).

Passados os anos, eles estão mortos, o céu do cinema tem muitas moradas e Orson e Michelangelo ocupam seus lugares, com justiça, no panteão cinematográfico, onde igualmente se dá o crédito devido ao talento de Mankiewicz e à capacidade inspiradora de Houseman.


GITANA
Adrianna Coelho
[ in Metamorfraseando ]

meus passos não te serão
leves
nem meus saltos
nem mesmo quando levito,
ou ergo as mãos, danço e canto
sem acompanhamento

pelo ângulo certo, porém,
verás meu coração nos abetos,
os pássaros rasgarem azuis
e amanhecerem os meus beijos
vermelhos


Repeteco
AUTOBIOGRAFIA COM FARINHA E RAPADURA
Moacy Cirne
(17 de julho de 2004)

Segundo o horóscopo chinês, sou caba da peste, parente de Lampião e Maria Bonita: nasci em São José da Jardinense Bonita, ao lado de Caicó, Campina Grande, Olinda, Currais Novos, Galinhos e Martins, antes do descobrimento da Terra de Santa Cruz, pelo poeta Bocage, companheiro de Manuel Bandeira nos cabarés da velha Ribeira, em Natal, deslumbramento potengíaco. Compadre de vários gentios tapuias, lutei contra os bandeirantes do Sul Maravilha que nos invadiram em 1600 e lá vai fumaça. Mergulhei no Poço de Santana e fui sair no Rio Amazonas, entre uma talagada e outra de Malhada Vermelha, a cachaça preferida de Celso Japiassu, Nei Leandro de Castro e Luis da Câmara Cascudo. Conheci Marte, Júpiter e São Saruê nos anos 10 do século passado. Escrevi Os lusíadas, falsamente atribuído a um tal de Luiz Vaz de Camões, em apenas 10 dias e 10 noites. Depois, tornei-me pescador de auroras azuis e palavras seridolentes. Hoje, pai de duas filhas e casado com uma natalense, não sou amigo do rei, mas sou amigo de muita gente boa.


12 comentários:

Marcelo Novaes disse...

Moa,


O sorriso da angolana é nascente e foz de todos os suspiros. O poema da Dri é um diálogo comigo, então não vale comentar. Sua autobiografia é porreta, atemporal e imparcial. Diria, até, que parcimoniosa, a se julgar por outras façanhas sabidas. Ou entre-vistas.




O black-out nos atrapalhou um pouco. Mas a flor branca parida em plena negritude (o sorriso da angolana) nos redime a todos. E nos salva do breu, assimilando-nos.






Abração,











Marcelo.

Mirse Maria disse...

Um sorriso angolano, cçareando o nosso dia!

Beleza, Moacy!

Adriana Coelho reina em sua Gitana!

Belíssimo!

A autobiografia está o máximo!

Beijos

Mirse

NAMIBIANO FERREIRA disse...

Moacy, lindo sorriso de uma ainda mais bela mulher para o Dia da Dipanda, kandandu meu kamba!
Sakidila, Baketu, Twapandula = Obrigado!
VIVA ANGOLA & O POVO ANGOLANO!!

Fatima disse...

Oi Moacy!
Passei para matar a saudade e deixar meu beijo pra vc!

Mme. S. disse...

Um sorriso largo e angolano para sua autobiografia, meu querido.
S.

Mme. S. disse...

Um sorriso largo e angolano para sua autobiografia, meu querido.
S.

Assis Freitas disse...

Farinha, rapadura e esse sorriso. Vixe coisa boa.

nina rizzi disse...

caraca, que sorriso é este, que me olhar é este, que cabelos são estes? eu tenho uma pista... "meu doirado sonho de ser preta pura".

deve ser bom voar, amanhecer nas vaus dos rios com bons amigos, farinha, rapadura, obras-primas...

aiai, dá uma seridolência...

pra vc, por ter bebido com bandeira, sido amigo dos tapuias, guerreado com meus conterrâneos e pescado as minhas auroras: meu beijo mais seridolente.

Jens disse...

Oi Moacy.
Mau tempo por aqui. O Belluzo ferrou com o Chefe Simon. Estamos apagando o incêndio.

Um abraço.

líria porto disse...

oi, moa, essa foto me remete a um poema meu publicado na agenda datribo de 2009:

monóico
líria porto

deus é menina
tem cachos eu acho
talvez seja negra
não a vi de frente
percebi pelo cheiro
de flores queimadas
incenso e fumaça
que veio com o vento

foi tal o deleite
na manhã de sol
que pensei
tão bonita
e assim
perfumada
só deus

*
besossssss

ah, tenho certeza que te conheço faz óoooooo - muitos séculos!!!

dade amorim disse...

Nossa, que lindo esse sorriso! E que linda essa moça!
Andava com um bocado de saudade daqui, Moacy. Que bom te ver de novo./
Beijo beijo.

Bar de Ferreirinha 50 anos, desde 1959 disse...

Moacy, sua autobiografia é um barato.Mas meu irmão,essa gata é do outro mundo...Pituleira.