quarta-feira, 16 de dezembro de 2009

Ilustração de
Virgil Finlay
para a
Famous Fantastic Mystery,
em agosto de 1942


MOMENTOS MÁGICOS DA FICÇÃO CIENTÍFICA
Um ilustrador:
O americano Virgil Finlay (1914-71)
Dois quadrinhos:
Flash Gordon (Raymond, 1934)
Barbarella (Forest, 1962)
Três filmes:
2001: uma odisséia no espaço (Kubrick, 1968)
Blade Runner - O caçador de andróides (Scott, 1982)
O dia em que a Terra parou (Wise, 1951)
Quatro livros:
Crônicas marcianas (Bradbury, 1950)
Billenium (Ballard, 1962)
A cidade e as estrelas (Clarke, 1956)
Solaris (Lem, 1961)


BALAIO PORRETA 1986

n° 2871
Natal, 16 de dezembro de 2009

Não fales aos ouvidos dos insensatos,
porque eles desprezarão a doutrina das tuas palavras.

(Provérbio BÍBLICO, trad. Antônio Pinto de Figueiredo)



DEDO DE MOÇA, DEDO DE POESIA

No próximo sábado, dia 19 (entre 15:30 e 18:30h), na Livraria Martins Fontes, Av. Paulista, 509 - São Paulo, será lançada uma puta antologia das Escitoras Suicidas: Dedo de moça, pela Ed. Terracota. Vejam só o time
que faz o livro, entre homens (com pseudônimo feminino) e mulheres: Silvana Guimarães e Florbela de Itamambuca (organizadoras), Adelaide de Julinho e Eugênia Fernandes, Roberta Silva e Simone Santana, Líria Porto e Nina Rizzi, Márcia Maia e Mariza Lourenço. E outras. E outras.


SINO DE PRATA
Roberta Silva
[ in Escritoras Suicidas ]

beijar-te as pálpebras

até as farpas de teus cílios

sangrarem-me os lábios

comer-te de garfo e faca

aos pedacinhos

é de melão gelado

o teu sabor

de canhota escrevo este poema

inspira-o a falange distal do médio destro

ou tua voz rouca, sino de prata?



REVELAÇÃO
Inês Mota
[ in ObjetoOObscuro ]

Meu nome é Oscar. Eu sempre fui um gato arredio e irreverente. Não capitulo ante as necessidades doentias do amor.
Quando Dona Nonó chega ao galpão abandonado com a comida e a água todos correm até ela fazendo festa em alvoroço. Eu permaneço deitado e só saio para comer e beber quando os companheiros saciados se retiram.
Foi assim durante 27 anos de minha vida.
Até que certa manhã Dona Nonó não apareceu. Os outros gatos sairam para caçar ratos, mas eu me recusei porque não gosto de ver sangue. Nem de matar.
Por fim, Seu Jaime, o viúvo, apareceu para continuar o trabalho de D. Nonó.
Nesse dia, ele me revelou que eu não sou um gato. Eu sou um homem. Desde então eu parei de miar e não preciso mais comer ração. E muito menos rato.Também não sou mais alvo de censura por meu retraimento.
Ainda sou Oscar. Agora, um bicho submisso, obediente, reverente cheio de amor e temor.
Ajudo o Seu Jaime na tarefa de alimentar os gatos e descobrir homens em meio a bichos abandonados.


FILMES PARA UMA TEMPORADA EM SÃO SARUÊ
( 5 / 22 )
Uma pulga na balança (Luciano Salce, 1953). Um dos melhores momentos dos estúdios paulistanos da Vera Cruz. Waldemar Wey e Gilda Nery.Paulo Autran e Lola Brah. John Herbet e Ewa Wilma. Mário Sérgio e Geraldo José de Almeida. E mais uma porrada de gente boa. Cf. Nelson Marques: O crime ompensa, in Cenas brasileiras (2009).

Ladrão de casaca (Alfred Hitchcock, 1955). Um dos filmes menos prestigiados do mestre Hitch, mas um de seus títulos mais encantadores, seja pelo cenário, seja pela trama (investindo, claro, em boa dose de suspense), seja pelo clima romântico, seja pela presença de Grace Kelly. Quando o vi, em Campina Grande, em 1956, fiquei extasiado.

It's a wonderful life / A felicidade não se compra (Frank Capra, 1946). Um filme adequado para a época natalina. Sua defesa estético-social do capitalismo é por demais ingênua, por demais romântica, mas existe, nele, algo de charmoso, algo de cativante. Será o enredo, que conta, inclusive, com um simpático "anjo da guarda" (Henry Travers)?

TERNURA
David Mourão-Ferreira
[ in Diário de Notícias. Lisboa, 1961 ]

Puxo sobre os teus ombros o lençol,
que é feito de ternura amarrotada,
da frescura que vem depois do Sol,
quando depois do Sol não vem mais nada.
Olho a roupa no chão: que tempestade!
Há restos de ternura pelo meio,
como vultos perdidos na cidade
em que uma tempestade sobreveio...
Começas a vestir-te lentamente,
e é ternura também que vou vestindo,
para enfrentar lá fora aquela gente
que da nossa ternura anda sorrindo...
Mas ninguém sonha a pressa com que nós
a despimos assim que estamos sós!


RETRATO CANTADO
Marcelo Novaes
[ in Prosas Poéticas ]

Dê-me um retrato 3x4 que eu te darei um canto para seguir o domingo. Eu canto as emoções mais anônimas olhando os semblantes, em datas. Olhando o vinco dos lábios, a imensidão da face. Olhando, dos olhos, o halo arroxeado. Adivinho as noites, contratempos e desgostos com amantes. Datas de aniversário. Mas não digo: canto e danço sobre a Terra.

Do BARÃO DE ITARARÉ
[ in AlManhaque, 2° semestre 1955 ]

Grave engano

Muitos homens casados falam do casamento como de uma desgraça,
não percebendo que se trata apenas de uma besteira.


Ultimatum

O prefeito de Paraguaçu Paulista recebeu o seguinte ultimatum
dos presos recolhidos ao presídio municipal:
"Ou consertam esta cadeia ou nós fugimos!"


Diretamente do Bar de Ferreirinha
O LIVRO GUINNESS

Diversos personagens aproximaram-se da sede do famoso
livro Guinness de recordes mundiais para "renovar seus títulos".

A Cinderela entrou, e menos de 5 minutos depois, saiu cheia de alegria:

- Continuo sendo a mais bela do mundo!

Logo depois entrou o Pequeno Polegar e,
após alguns poucos minutos, saiu saltitante e contente:

- Ainda não há ninguém menor que eu!

Depois entrou Dumbo, e saiu em seguida, feliz, batendo suas orelhas:

- Sou sempre o único elefante voador do mundo!

Entrou então Ali Babá escoltado por seus 40 ladrões.
Uns 10 minutos depois, saiu vermelho de raiva,
insultando e gritando em alta voz:

- Mas quem é esse tal de Arruda e seu gabinete?

12 comentários:

Assis Freitas disse...

A sapiência do Barão, a Revelação e a felicidade não se compra, nem se compara. Houve um tempo que se usava arruda na orelha, cruzcredo.

nina rizzi disse...

eu adoro cheiro de arruda. adoro cheiros todos, com excessão dos perfumes industrializados, em raro besteira; Arruda gente, de regra, desgraça.

e eu adoro gatos. tem um amigo que diz: "em casa de nina tudo é nin: Nina-mãe, Nini-filha, AnaïsNin-gata, Karenina-gata; lá até as gatas são fêmeas; até as fêmeas são gatas"... rsrsrs

fico com o primeiro filme. pra ver com ternura-mourão, ouvindo sinos de prata (sóis, que coisa linda) e dançando sobre a terra, quiça os corpos...

Sim, "sua" imagem, tão idílica me fez lembrar uns libretos que fazia na universidade "amphibianna tortographia", lá em Caicó tem uns...

no mais, o balaio devia ir pro guiness...

cheiro, de arruda não: girassóis.

nina rizzi disse...

ah, sim: valeu pela lembrança do lançamento, a antologia tá de matar!

cheiro de crisântemos e cravos, então!

nina rizzi disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Marcelo Novaes disse...

Moa,

Excelente programa para quem está em Sampa, a tal antologia das resolutas. Um puta programa. E resoluto.


E Roberto Silva mostrou grande destreza com sua mão canhota.



Abração, e obrigado por me incluir, mais uma vez, nesse Balaio.






Marcelo.

Pedrita disse...

amo barbarella, volte e meia vejo trechos. beijos, pedrita

Marcelo F. Carvalho disse...

Professor, esse Revelação é como o conhaque do Drummond. Adorei!

Paulo Jorge Dumaresq disse...

Mestre, Balaio abarrotado de ótimos produtos, especialmente os poemas de Roberta Silva, David-Mourão Ferreira e Marcelo Novaes. A propósito, quanto custa um bom poema? Dos filmes para temporada em São Saruê, levaria Ladrão de Casaca e A felicidade Não Se Compra, dentre dezenas de outros.

Ines Motta disse...

Obriga, meu querido Moacy. É sempre uma honra muito grande figurar aqui no seu Balaio.
Para a 'temporada' eu levaria 'Ladrão de Casaca, porque sou muito fã do Mestre Hit.
Belo Post. Um enorme besito!

líria porto disse...

maravilha ler aqui minha querida amiga escritora roberta silva - uma puta puta resoluta, uma puta suicida!!
besos

líria porto disse...

ah - a divulgação do lançamento do dedo de moça - valeu, moa!!! haverá outros lançamentos - um, creio, no rio de janeiro - que continua liiiiiiiindo!
besos

Vais disse...

Saudações Moacy Cirne,
nooossa moço, que maravilha de Balaio, desde a imagem de se ver aos escritos de se ler, e tudo sentido.
REVELAÇÃO da Inês, mexeu, animais humanos referenciais animalizados ainda, humanizar humanos animais, que coisa!
SINO DE PRATA da Roberta...
RETRATO CANTADO do Marcelo...
e que ternura o TERNURA do David
muito muito bom

'Consolo
cabeças e dorso
aconchego
coxas e pernas
entrelaçadas
braços e mãos
na nuca
no(s) peito(s)
na cintura
na barriga
por cima
por baixo
envolvendo
displicente
tocando
languidamente
carinhosamente
suavemente'
(nov/2009)

abração prati