terça-feira, 15 de dezembro de 2009

Pin-up
(1935)
Rolf Armstrong


BALAIO PORRETA 1986
n° 2870
Natal, 15 de dezembro de 2009

Parafraseando Albert Camus -
Só existe um problema filosófico
verdadeiramente sério: a paixão.
(Raimundo DIADORIM)


COMO NASCE UM MICRO-CONTO
Sheyla Azevedo
[ in Bicho Esquisito ]

Pode o vento bater mais forte e abalar as certezas. E a chuva molhar o medo, causando frio na alma. Lâmina cortando a ponta de verdades gastas.

Pode a casa ficar escura e fechar os olhos para as estrelas que o jardim esculpe na copa das árvores.

Pode até o livro cessar a voz que canta nos ouvidos das teclas. Os dedos estão duros, vazios de ideias.

Aí, transformo a falta na queixa, dela extraio uma simples frase e entrego para meu amor, que aberto e generoso me responde:

"Caracas, isso é um micro-conto".

Ei-lo:

Tudo o que tento ganha condição inútil o suficiente para se tornar página em branco...


FILMES PARA UMA TEMPORADA EM SÃO SARUÊ
( 4 / 22 )

Carnaval Atlântida (José Carlos Burle, 1952). Um clássico da chanchada carioca. Oscarito e Grande Otelo. Cyll Farney e Eliana Macedo. José Lewgoy e Wilson Gray. Maria Antonieta Pons e Iracema Vitória. Em busca dos carnavais antigos. Cf. Josimey Costa da Silva: Entre a citação e a irreverência, in Cenas brasileiras (2009).

Monthy Python em busca do cálice sagrado (Terry Gilliam & Terry Jones, 1975). Num certo sentido, uma comédia-pastelão, só que mais escrachada e mais surreal, em suas loucuras "históricas". Aqui, nada tem sentido, nada tem lógica, a não ser o de fazer rir, provocando, em alguns momentos, verdadeiras gaitadas.

High noon / Matar ou morrer (Fred Zinnemann, 1952). Um bangue-bangue preciso, quer pela temática, quer pela narrativa. Um filme sem qualquer tipo de "gordura ficcional", até mesmo na quase coincidência entre o tempo da ação dramática e o tempo de projeção. Para muitos, um exemplo mítico do faroeste.


PRIMEIRO MANDAMENTO
Paulo de Tarso Correia de Melo (Natal, RN)
[ in Rio dos homens, 2002 ]

Coronel Chiquinho não chegava
a desejar mal ao próximo.
Apenas perguntava:

Com tanta cascavel desocupada
por aí, como é que gente ruim
no mundo não se acaba?


MANHÃZINHA
Wescley J. Gama (Currais Novos, RN)
[ in A Taberna ]

toda vez que a lenha estalava no fogo
o cheiro do café gritava,
acordando todo mundo


AFASTEM DE MIM ESSES PARVOS
Líria Porto
[ in Putas Resolutas,
republicado pelo Bar de Ferreirinha ]

alguns homens
dão mais trato ao pinto
que aos neurônios

sempre a mesma tecla
: não querem mulher
querem perereca


PERSPECTIVA
Henriqueta Lisboa
[ in Miradouro e outros poemas, 1976 ]

Longelua, como foi
que te sonharam os poetas
na parca visão de outrora?
Eras suspiro de nácar
eras intangível pétala?
Agora que te achas nua
no cosmo, que te pisaram
os homens com seus sapatos
e que os sábios te escalpelam
as rochas e outros entulhos,
talvez nunca mais te vejam
com o mesmo dulçor meus olhos
a contemplarem de esguelha
o que não há. Longelua...
Tão apenas Velalua.

10 comentários:

Pedrita disse...

faz muitos anos que vi os monty phyton, lembro q gostei. beijos, pedrita

líria porto disse...

essa gente do putas resolutas não vale quase nada... risos
besossssss

Francisco Sobreira disse...

Meu caro,
Apesar de gostar de Ford e de, especialmente, Rastros de Ódio, ainda coloco Matar ou Morrer como o primeiro na minha lista de "westerns". (Talvez ainda venha a mudar de opinião.) Agora, foi bom você falar em "quase coincidência" entre o tempo da narrativa e o da projeção do filme. Porque tem muito neguinho que acha que Zinnemann fez o mesmo que Wise em Punhos de Campeão. Neste, sim, a coincidência é total. Um abraço.

nina rizzi disse...

Líria, é dessas, "que não valem quase nada", que eles gosam mais... hehehe...

Moacy,

belo balaio: redundante;
eu fiz uns ensaios vintages há uns seis ou sete anos; sou doida por essas meninas e tudo o mais, repito: há em mim um chamariz de antiguidades. sua pin-up é mais seridolente, a minha, mais "moi-renascentista".

dos filmes, fico com mont phyton, apesar de adorar o bang! bang!: é fazer passarinho morto voar!

no mais, a Líria tem razão. e bom mesmo é quando esses homens acham moças que só querem isso também; bom é quando fica claro o que cada um quer, sem nois e mentiras.

um cheiro, vermelho-vintage.

Assis Freitas disse...
Este comentário foi removido pelo autor.
Assis Freitas disse...

Sheyla abusou em Como nasce um micro-conto. Fina estampa. Monthy Python impagável, e os Putas foi ao X da questão. O primeiro mandamento é de torar.

J.F. de Souza disse...

Vezenquando, dou uma passada aqui nesse Balaio... Mas acho que tenho que aumentar as vezes desse vezenquando. Sempre tem poesia de qualidade - dentre tantas outras coisas boas - nesse Balaio.

Balaio!!! =P

1[]!

Jens disse...

Gostei do Coronel Chiquinho. Estou pensando em colocar alguns ofídios nos escaninhos do Congresso Nacional.

Um abraço.

Mme. S. disse...

A foto da pin-up é uma paixão! como a que eu sinto por esse lugar.
um cheiro meu querido.
S.

Mirse Maria disse...

Oi Moacy!

Gostei de tudo!

Sheila e Líria, fuzilaram!

Lindo Balaio!

Beijos

Mirse