domingo, 10 de janeiro de 2010

OBRAS-PRIMAS DO CINEMA
Clique na imagem
para verouvir o trêiler de
El Topo
(Alejandro Jodorowsky, 1970)
O western também pode ser o lugar alternativo do onírico, do narcisismo, do delirante, do alucinógeno, do pós-surrealismo, do não-lugar ou, de certa maneira, do próprio anti-western. Como aqui, na aventura surreal de Jodorowsky. "Ao contrário de outros westerns, El Topo não tem pretensões naturalistas nem de rigor histórico. O mundo descrito é uma paisagem muito pessoal, a encenação de um ciclo de Morte, Vida e Renascimento" (Adisakdi Tantimedh, in 1001 filmes para ver antes de morrer). Quem conhece a sua obra como roteirista de quadrinhos (cf. Incal, de Moebius), sabe de suas peculiaridades criativas.


BALAIO PORRETA 1986
n° 2896
Rio, 10 de janeiro de 2010

Ah quem me dera um vestido
que me queimasse
(Adília LOPES. Maria Cristina Martins, 1992,
un Antologia, ed. bras. 2002)


NA HORA DA CEIA
Líria Porto
[ in Putas Resolutas ]

os homens que vieram
eram homens solitários
cujas barbas
sempre estiveram de molho
no su(l)co das galinhas
e das vacas


FLAGRANTE
Iara Maria Carvalho
[ in Mulher na Janela ]

Toma meu coração antigo,
se tem fome.

Se sede,
minha alma de agora.

Coisa abastecida de pássaros.


PERDENDO A CABEÇA
Cefas Carvalho

Amava revoltas, revoluções, turbas e tumultos. Barulho e agitação o faziam perder a cabeça. Violento, sangue quente; perdia a cabeça com freqüência, agrediu os irmãos, e a família o mandou para a Capital, onde fez amizade com os revolucionários. Gritava nas tabernas e nas ruas parisienses, tanto o vinho como a política o faziam perder a cabeça. Decidiu fazer a revolução e depor a família real. Conseguiu. Contudo, escolheu o lado errado. Traiu amigos. Foi condenado. Olhando a multidão aos gritos à sua frente, ouviu o barulho do metal e a guilhotina se aproximando do seu pescoço. Perdeu a cabeça pela última vez.


JULIETA NUMA NOTA SÓ
Mariana Botelho
[ in Suave Coisa ]

eu te quero tanto que meus olhos se magoam


UM GATO chamado Mussorgski
Rosa Amanda Strausz
[ in Fábula Portátil ]

Chove lá fora.
Mas só os olhos do pintor vertem água.


SOBRE GARIS E DEMOCRACIA
Laurindo Lalo Leal Filho
[ in Carta Capital ]

"Pouco depois de revelar o seu verdadeiro caráter em público, referindo-se preconceituosamente aos garis na passagem do ano, o apresentador de TV Boris Casoy volta à carga. Como se nada tivesse acontecido retorna com informações truncadas, nitidamente partidarizadas." (Clique aqui para ler a íntegra da matéria.]


Natal
TORCIDAS ORGANIZADAS

Decididamente, torcidas organizadas tristemente autonomeadas de Gang Alvinegra, do ABC, e Máfia Vermelha, do América, conhecidas por sua violência sobretudo fora dos estádios, merecem o nosso mais profundo desprezo e mesmo a nossa repulsa. Mas o que esperar de torcidas com os nomes de Gang e Máfia? Na verdade, sou do tempo do Juvenal Lamartine; não havia nada disso.

8 comentários:

líria porto disse...

'dia, moa!

bom acordar contigo - e dentro do balaio! porreta!! ótima a companhia!

besos e obrigada.

Paulo Jorge Dumaresq disse...

Balaio substancioso. Destaco o trecho do conto de Cefas, os poemas das meninas e o seu comentário sobre as torcidas (?) organizadas de ABC e América. Estava no Midway na hora do arranca-rabo e vi a deplorável cena selvagem. Ótimo domingo, meu amigo.

Marcelo Novaes disse...

Moa,


A Mulher na Janela sempre flagra sutilezas.






Abração,











Marcelo.

Iara na Janela disse...

estar dentro do Balaio é um presentão de domingo!

ainda mais ao lado dos versos de Líria e Mariana...adoro!

a imagem do filme El Topo me lembrou alguma pintura de Dali.


beijos...

Mirse Maria disse...

Boa Tarde Moacy!

Mais um belo Filme!

Líria e Mariana....maravilhosas. Mas me tocou profundamente, Rosa Amanda Strauzz!

No mais a sua elegância completa!

Beijos

Mirse

Assis Freitas disse...

Essas mulheres e a poesia. Pérolas finas de Líria, Mariana, Rosa, Iara e Adília. Um western é sempre um western, mesmo que tente o contrário. Abraço.

BAR DO BARDO disse...

Os textos curtos me sonham...

Cefas Carvalho disse...

Moacy, valeu a atenção e a postagem do miniconto, assim como a visita lá no blog. Ademais, estou em ótima companhia em seu balaio (a poesia de Iara é linda).