domingo, 14 de março de 2010

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Doze homens e uma sentença
(Sidney Lumet, 1957)
Com intepretação magistral de Henry Fonda, o drama judicial de Reginald Rose, originalmente peça de teledramaturgia - que também lida com a questão do preconceito racial - adquire, através de Sidney Lumet, uma dramaticidade bastante forte, apoiada na técnica televisiva de planos fechados e de cortes secos, quando 11 jurados estão prontos para condenar um jovem porto-riquenho sem provas cabais de sua culpabilidade. Nos anos 50, Doze homens e uma sentença - que de igual modo conta no elenco com Lee J. Cobb, e a fotografia de Boris Kaufman - causou boa/ótima repercussão.


BALAIO PORRETA 1986
n° 2960
Natal, 14 de março de 2010


EVA
Théo G. Alves
[ in Diário de Natal, 14/03/10 ]

sua costela ímpar
não o deixa dormir

ele a deseja:
seu corpo e seu banquete

à noite
ela completará seu corpo
outra vez.



POEMA ILUMINADO
Manoel Cordeiro

Penetrarei em teus sonhos
e, olho no olho, gozo no gozo,
com o suor de tuas lembranças
pintarei estrelas e alvoradas
de azul e malemolência.



OS FILMES FUNDAMENTAIS DOS ANOS 50

( 3 )

Uma rua chamada pecado (Kazan, 1951)
Uma aventura na África (Huston, 1952)
Assim estava escrito (Minnelli, 1952)
O capote (Lattuada, 1952)
Os vizinhos (McLaren, 1952), curta/animação
Salka valka / Noites de paixão (Mattson, 1953)
A um passo da eternidade (Zinnemann, 1953)
Os músicos de Gion (Mizoguchi, 1953)
Os corruptos (Lang, 1953)
Shane / Os brutos também amam (Stevens, 1953)
A estrada (Oswaldo Sampaio, 1953)
Tentativas de suicídio (Antonioni, 1953), curta
French Cancan (Renoir, 1954)
Sindicato de ladrões (Kazan, 1954)
Nem Sansão nem Dalila (Carlos Manga, 1954)
Lola Montês (Ophuls, 1955)
O homem do braço de ouro (Premiger, 1955)
Rififi (Dassin, 1955)
Conspiração do silêncio (Sturges, 1955)
Rio, 40 graus (Nelson Pereira dos Santos, 1955)
Ensaio de um crime (Buñuel, 1955)
Calabuig / Onde o mundo acaba (Berlanga, 1956)
Não esquecerei os mortos (Ichikawa, 1956)
O balão vermelho (Lamorisse, 1956), curta
Doze homens e uma sentença (Lumet, 1957)
Quando voam as cegonhas (Kalatozov, 1957)
A embriaguez do sucesso (Mackendrick, 1957)
Aquele que deve morrer (Dassin, 1957)
Kanal (Wajda, 1957)
Palavras ao vento (Sirk, 1957)
Ascensor para o cadafalso (Malle, 1957)
Os primos (Chabrol, 1958)
Os eternos desconhecidos (Monicelli, 1958)
O homem do Oeste (Mann, 1958)
O grande momento (Roberto Santos, 1958)
O homem do riquixá (Inagaki, 1958)
Um armário para dois (Polanski, 1958), curta
Intriga internacional (Hitchcock, 1959)
O mundo de Apu ([S] Ray, 1959)
Les 400 coups / Os incompreendidos (Truffaut, 1959)
De crápula a herói (Rossellini, 1959)
O rosto (Bergman, 1959)
Ervas flutuantes (Ozu, 1959)
Marcha de heróis (Ford, 1959)
Olhos sem rosto (Franju, 1959)
Verão violento (Zurlini, 1959)

Relembrando
OS MELHORES ENTRE OS MELHORES DOS ANOS 50

1. Hiroshima, meu amor (Resnais, 1959)
2. A marca da maldade (Welles, 1958)
3. Diário de um pároco de aldeia (Bresson, 1951)
4. Pickpocket (Bresson, 1959)
5. The searchers / Rastros de ódio (Ford, 1956)
6. Um condenado à morte escapou (Bresson, 1956)
7. A palavra (Dreyer, 1955)
8. Contos da lua vaga (Mizoguchi, 1953)
9. Rio Bravo (Hawks, 1959)
10. As férias do Sr. Hulot (Tati, 1953)
11. À bout de souffle / Acossado (Godard, 1959)
12. Morangos silvestres (Bergman, 1957)
13. O grito (Antonioni, 1957)
14. A carruagem de ouro (Renoir, 1952)
15. A princesa Yang Kwei Fei (Mizoguchi, 1955)
16. Johnny Guitar (Ray, 1954)

No próximo domingo:
Os filmes fundamentais dos anos 60
- 1ª parte -


DE QUANDO O QUARTEIRÃO É MUNDO
Sérgio Vilar
[ in Diário do Tempo, 11/03/10 ]

Sinto até calafrios quando ouço alguém se auto-afirmar um cidadão do mundo. Eu, apenas um passarinho de gaiola, acostumado às cenas e costumes da esquina. Deitado em rede, numa varanda minha, até imagino-me nas gôndolas de Veneza, tomando um café no Champs-Élyseés ou a passear nos becos milenares do Cairo. É que os desaventurados têm esse costume dos sonhos impossíveis, de mastigar a essência daquilo que poderia ter sido e não foi.

Digo isto, amigo leitor, porque li entrevista com a jornalista Glória Maria. Ela, que passou dez anos à frente do Fantástico e largou o programa para novas aventuras, foi indagada se sente falta da emissora. Dessas mulheres de essência cosmopolita, afirmou: “Saudade é palavra que só existe na língua portuguesa. Sou uma cidadã do mundo”.

E eu, aquele cara do outro quarteirão; aquele que apenas assiste o rapaz distraído derrubar os livros da moça para ali iniciarem romance de novela, me arrepio com a frase da jornalista. Sou um provinciano, preso mesmo aos quarteirões da vida que construí. Ora, querer mais que a infinitude do mar, os mundos dos livros ou a eternidade das amizades é mostrar-se ingrato com a vida. Uma vida, registre-se, longe daquela “vida besta” assistida dos sobrados das casas do interior, descrita por Drummond.

Se coleciono auroras em vez de postais é porque suspeito que a verdadeira vida reside mesmo na imaginação. E por ela viajo, sonho e me transformo naquele herói das multidões, tão cheio de carisma e beleza. Como já afirmei, a vida é uma grande ilusão. Não se engane. E melhor é, ao acordar do sonho, assistir o cotidiano já conhecido, de esquinas do passado e do presente. A vida é mais fácil assim. Da ilusão brota poesia. E como disse Ferreira Gullar, a poesia existe porque a vida não basta.

O amigo leitor pode me chamar de fraco, medroso ou outra classificação que o valha. Confesso outros defeitos muitos, não esses. Sou apenas um provinciano, e incurável, como Cascudo. Se me esforço a permanecer em minha redoma é por preferir a distância de um mundo dito mais fascinante e perfumado pelo cheiro do capital. E como Schopenhauer, também opto pela esquiva aos bípedes como melhor forma de expulsar minhas vontades e desejos – frutos de todos os pecados.

E assim, por estes quarteirões de uma Natal de morros, dunas, mar e rio, coloco os tijolos do muro de minha vida, com o cimento do meu silêncio e gratidão: alicerces das minhas fantasiadas paixões.

17 comentários:

Cosmunicando disse...

tenho aqui a versão mais nova desse filme... e confesso que ainda não vi. Mas as recomendações foram extensas e enfáticas, portanto não vou adiar mais :)

que delícia esse texto do Sérgio Vilar, que na singeleza desse quarteirão faz um mundo poético...

a lista de filmes é pra guardar e ir degustando, assim como o banquete da Eva de Théo, que é perfeito... e combina com a malemolência do Manoel Cordeiro.

no final a gente é que se banqueteia por aqui, sem a menor cerimônia - e sem ligar pro calendário que já virou, tasco um beijão de FELIZ ANIVERSÁRIO (poucas horas atrasado)!
tudo de melhor, tudo de belo, tudo de tesudo, tudo de saúde, tudo de alegria procê, Moa!

cheers!

putas resolutas disse...

maravilha esta crônica do sérgio vilar - assim me sinto, o mundo são minhas paredes e seus arredores... minha rede e as árvores onde ela se pendura... e as asas dos livros, da poesia...
besos

Márcia disse...

Dia da Poesia: sempre sinto saudade dos meus amigos de Natal. Beijo.

Pedrita disse...

grandes filmes. beijos, pedrita

líria porto disse...

uai - foi teu níver, moa???
p.a.r.a.b.é.n.s!

besos

Bené Chaves disse...

'Doze homens e uma sentença' foi exibido no cine Rex (ah, quantas saudades dos cinemas de antigamente!)em fevereiro de 1960. Eu o assisti no dia 13 e o revi em 2008 em dvd. Não envelheceu e continua um bom filme.

Um abraço...

Assis Freitas disse...

Filmaço este Doze homens e uma sentença. O top dos anos é realmente desafiador. Todo dia é dia de poesia, mas hoje é domingo dia da poesia. Viva Castro Alves. Viva nós Mestre que nos consubstanciamos com os versos e as palavras ariscas. Abraço.

Francisco Sobreira disse...

Meu caro,
O filme de Lumet continua ótimo. Já o revi mais de uma vez (tenho o DVD) e ainda gosto muito dele. Lumet, que é um diretor de altos e baixos, estreou com o pé direito no cinema, ele que viera da tevê. Agora, uma pequena retificação: os títulos do filme de Berlanga, que não conheço, são: Calabush/Onde o mundo acaba. Um abraço.

Jarbas Martins disse...

olha, sérgio, já tinha feito o elogio à tua crônica.lembras? fico também satisfeito com a escolha de moacy, publicando-a, e com o elogio das putas resolutas.

abraços do teu leitor

Dilberto L. Rosa disse...

Os poemas deixaram um pouco a desejar, mas os elencos de filmes foi excelente, especialmente quando capitaneado por este clássico um tanto esquecido, "12 Homens e Uma sentença": não só Fonda está brilhante, como todo o elenco, num filme de raro fôlego! Grande abraço, meu caro!

Sérgio Vilar disse...

Moacy, chego das comemorações do Dia da Poesia, no Centro Histórico. O amigo Falves estava la. Deu entrevista à TV, falou do Poema Processo, da injustiça da universidade em "nunca ter chamado Moacy Cirne para uma palestra sequer" e daquelas décadas distantes em que o mundo parecia mais leve, libertário.

Grato pela publicação e elogios dos leitores!

Jarbas Martins disse...

Uma correção, Sérgio, à fala do meu amigo Falves no que diz respeito ao não convite da UFRN para palestras de Moacy Cirne. Oficialmente, é verdade, não tenho conhecimento de nenhum convite, feito pela UFRN a Moacy, para falar sobre Quadrinhos, Poema
Processo e Cinema.De forma isolada,
além de indicar os seus livros aos meus alunos, no Departamento de Comunicação Social, tenho convidado por diversas Moacy para tratar de temas relativos à arte e comunicação.Um outro fato constrangedor, Sérgio: seus livros, diversamente das livrarias de São Paulo, não são fáceis de se encontrar em nossas livraris.Nem na livraria do Campus (Cooperativa).
Fica o registro.

Mme. S. disse...

Essa crônica do Serginho é muito boa mesmo.

Moacy, feliz seu dia, que enche a vida da gente todo dia de poesia! Um cheiro enorme de saudades. Mandei imeio procê e nem tchuns né? Risos. Tudo bem, querido, eu não deixo de te amar nunca!

Manoel de Oliveira Cavalcanti Neto. disse...

Moacy,

Como sempre você sempre se supera quando publica algo sobre cinema.
As relações sobre OS FILMES FUNDAMENTAIS e OS MELHORES ENTRE OS MELHORES DOS ANOS 50 está excelente e mostra o seu conhecimento sobre o tema. Parabéns!

Carito disse...

parabéns moa, muitas telas de vida, cinemaiakovskis, hai-caicós... balaio sempre há de pintar por aí, por aqui, aculá doce lá...

Adriana Godoy disse...

Gostei bastante da crônica do Sérgio e essa lista de filme está demais. Anos 50. Legal, Moacyr. beijo.

nina rizzi disse...

eita, o caso parece sério: estou ficando doida com a poesia de manoel cordeiro: me visita em sonhos até.

cheiro, moacy.