sábado, 27 de março de 2010

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para verouvir o trêiler inglês de
Blow-up
(Antonioni, 1966)


BALAIO PORRETA 1986
n° 2973
Natal, 27 de março de 2010


30 FILMES EMBLEMÁTICOS DOS ANOS 60

A aventura (Antonioni, 1960)
Rocco e seus irmãos (Visconti, 1960)
Shadows (Cassavetes, 1960)
Psicose (Hitchcock, 1960)
A doce vida (Fellini, 1960)
Ano passado em Marienbad (Resnais, 1961)
A noite (Antonioni, 1961)
Eclipse (Antonioni, 1962)
O anjo exterminador (Buñuel, 1962)
O processo (Welles, 1962)
Jules et Jim (Truffaut, 1962)
O leopardo (Visconti, 1963)
Oito e meio (Fellini, 1963)
Paixões que alucinam (Fuller, 1963)
Vidas secas (Nelson Pereira dos Santos, 1963)
Deus e o diabo na terra do sol (Glauber Rocha, 1964)
O evangelho segundo Mateus (Pasolini, 1964)
Persona (Bergman, 1966)
Blow-up (Antonioni, 1966)
Pierrot le fou (Godard, 1966)
A chinesa (Godard, 1967)
A bela da tarde (Buñuel, 1967)
Terra em transe (Glauber Rocha, 1967)
2001: uma odisseia no espaço (Kubrick, 1968)
O bebê de Rosemary (Polanski, 1968)
Teorema (Pasolini, 1968)
O bandido da luz vermelha (Rogério Sganzerla, 1968)
La hora de los hornos (Solanas, 1968)
Perdidos na noite (Schlsinger, 1969)
Macunaíma (Joaquim Pedro de Andrade, 1969)


MÁXIMAS & MÍNIMAS
d'O GRELO FALANTE
[ in Tapa de humor não dói, 1999 ]

* No homem, o sistema nervoso central funciona
na cabeça do pau.

* No fundo, o que toda mulher quer
é ser (m)amada.

* A principal causa do divórcio é o casamento.

* Mulher fala muito pra não ter que ouvir
o que o homem não diz.

* A mulher se sente dividida
na hora em que tem que se multiplicar.

* Nós desejamos os homens
porque eles sempre nos deixam a desejar.


A FOTOGENIA DO VENTO
Fernando Monteiro
[ in Substantivo Plural ]

Michelangelo Antonioni tinha uma percepção naturalmente visual das coisas, como se pode perceber de uma pequena observação sua que parece simples, mas é, na verdade, daquela leveza complexa do vôo de uma pluma:

“Como é fotográfico o vento!”

A primeira reação é pensar no vazio que a curta frase abstratamente contempla, até que vemos, por exemplo, o vento agitando as copas das árvores (como no parque inglês da obra-prima de Antonioni, Blow-up).

Então, percebemos a sutileza do olhar do “poeta das imagens”, conforme Antonioni era chamado. Entretanto, não é preciso ser um poeta (das letras ou do cinema) para saber enxergar além da paisagem cotidiana. É preciso, apenas, ver com o olhar que “descansa” do foco exato, do centro da atenção geralmente desviada do lateral ou do periférico.

O diretor dizia que treinou o olhar em Ferrara, a cidade onde ele nasceu (em 1912), e que hoje tem um museu dedicado à sua vasta obra.

Lá, as imagens de alguns filmes memoráveis revelam as névoas da sua cidade natal, o vazio das avenidas de Milão – com os fios molhados dos postes, na chuva –, os jardins das mansões romanas, e (extremo cuidado), a grama que Michelangelo mandou pintar de verde!, a fim de realçá-la, durante as filmagens do mesmo Blow-up. O realizador explicou, mais tarde, que o fez pensando nas tomadas noturnas, quando a relva talvez fosse parecer “normalmente” mais cinzenta do que daquela cor bem nuançada na frase do pintor Paul Gauguin: “Um quilo de verde é mais verde do que meio quilo”.

O que vale para as outras cores, e também vale para incentivar uma atenção visual mais próxima de descobrir a beleza nas mais simples coisas. Na sua modéstia, elas não são vistas, mas apenas olhadas – como um carrinho de bebê, pungentemente vermelho, sobre a relva não-pintada.

Tenham certeza: ter o olhar intensificado para ver (realmente ver) coisas assim, é como respirar mais largamente, num mundo menos poluído pelo “feio”. Por preguiça ou pressa – ou, pior, pelas duas combinadas – nos afastamos da visão dos Michelangelos que existem dentro de nós. Sabe-se que nem todos são capazes de escrever belos poemas ou de realizar filmes importantes etc, porém todos são capazes, sim, de ver as coisas mais do que ao acaso, no pleno mistério do que acontece e do que não-acontece (justamente o tema de Blow-up, que – para quem não conhece o filme de 1966 -, eu recomendo, procurem nas locadoras de DVD, sob o estranho título brasileiro “Depois daquele beijo”).

Depois, tentem ver e rever tudo – se possível – com uma atenção que nada perca (ou nada deixe passar) do universo que muda a cada hora, sob a aparência dos minutos para sempre mergulhados no tempo que não retorna a fim de captarmos a “fotogenia do vento” e outras surpresas.

6 comentários:

Mirse Maria disse...

Bom dia, Moacy!

Belo filme!
Antonioni, Hitchcock, Fellini, Glauber Rocha, Bergman, Godard, Buñuel, são meus favoritos.

Muito legal, a Fotogenia do Vento; Fernando Monteiro, PARABÉNS!

Excelente sábado

Beijos

Mirse

Francisco Sobreira disse...

Moacy,
Blow-Up é de fato uma obra-prima e um
dos 3 ou 4 maiores filmes de Antonioni, com um final que está entre os finais antológicos do cinema. Da sua lista, não conheço os dois Godard, o filme de Cassavetes e o de Solanas. Assim de cabeça, me lembro de Bonnie & Clide, que, acho, poderia estar na relação. Um abraço.

Assis Freitas disse...

Antonioni é um dos grandes e esse filme é marcante, foi o primeiro que vi. Muitos desses filmes dos anos 60 eu assisti no final da década de 70 e início de 80, ainda havia programação alternativa nos cinemas de Salvador. Hoje tá tudo dominado pelas distribuidoras. Aqui em Feira nem se fala, só cinema de xopingue. Mínimas que são o máximo. Bom sábado, abraço.

Pedrita disse...

eu vi blow up há muitos anos na tv record. na época mal conhecia grandes diretores e filmes, fiquei curiosa e continuei. foi marcante a experiência. fiquei fascinada. beijos, pedrita

Jens disse...

Oi Moacy.
Não vou falar do Balaio de hoje, mas da edição de ontem. Transmita, por favor um grande VIVA e um abraço bagual ao mestre CDC, o Desbravador do Matão.

Um abraço.

Cláudio J. Gontijo disse...

Moacy.

Sou Professor (moro em Sete Lagoas), com formação em Ciências Biológicas e Química. Busco divulgar o VERDE VIDA, com imagens e textos dedicados à causa ambiental/humanística.

Felicidades em sua jornada.