sexta-feira, 26 de março de 2010

Morreu Jim Marshall,
o fotógrafo das celebridades roqueiras dos '60

Uma imagem emblemática:
Jimi Hendrix queima a sua guitarra
no Monterey International Pop Festival, em 1967


BALAIO PORRETA 1986
n° 2972
Natal, 26 de março de 2010


40 MOMENTOS EMBLEMÁTICOS
DOS ANOS 60 DO SÉCULO PASSADO

Althusser / Teoria marxista
Antonioni / Cinema
Ballard / Literatura (FC)
Beatles / Música
Bergman / Cinema
Bossa Nova / Música
Buñuel / Cinema
Capote / Literatura
Cinema Novo / Cinema
Coltrane / Música
Contracultura / Comportamento
Crepax / Quadrinhos
Crumb / Quadrinhos
Estruturalismo / Teoria literária
Foucault / Filosofia
Garrincha / Futebol
Godard / Cinema
Grupo Oficina / Teatro
Guerra do Vietnã / Política & & Revolução
Guerras de libertação / Africanidade
Janis Joplin / Música
Jimi Hendrix / Música
João XXIII / Catolicismo
Kubrick / Cinema
Maio Francês / Política
Martin Luther King / Direitos Humanos
Panteras Negras / Política
Pasquim / Jornalismo
Poema-processo / Poesia & Poema
Pop-art / Arte
Primavera de Praga / Política
Resnais / Cinema
Revolução Cubana / Política
Revolução Cultural Chinesa / Política
Revolução sexual / Comportamento
Senhor / Jornalismo
Stan Lee / Quadrinhos
Tropicália / Arte & Música
Visconti / Cinema
Woodstock / Música & Comportamento


ARDÊNCIAS

Patrícia Gomes
[ in SensualizArte ]

põe-me no ventre
um beijo e
tua semente

que te relevo
a fúria da pegada
e a seda rasgada.


TOLICE
Lisbeth Lima
[ in Vastos, 2010 ]

Escrevo na areia o meu nome.
A água vem e apaga.

Escrevo na areia o nome do meu amor.
A água vem e apaga.

Onda teimosa,
nada entende de nomes.
Nada entende de amor.


POEMA de
CHICO DOIDO DE CAICÓ
[ in Balaio, n° 543, 13/09/1993 ]

Passei o dia todo de caneta na mão
Pelejando pra fazer um verso de amor
E a única coisa parecida com verso de amor
Que saiu da porra da minha caneta foi:
Rosinha, Rosa, Rosa de Sousa
Eu gosto mais de você do que da sua bunda.

MORADA
Adriana Monteiro de Barros
[ in Pianos invisíveis, 2008 ]

Meus urubus e demônios me visitam todos os dias.
Todos os dias meus urubus e demônios me visitam.
Me visitam os dias todos.
Entram sem bater e se instalam na sala
como se já fossem velhos conhecidos.
E, na verdade, são.
Desde pequena meus urubus e demônios me habitam.
Há tempos meus urubus e demônios moram dentro.
Meu medo não é do outro.
Meu medo tem medo de mim.
Eu sou meus urubus e demônios.
Meus urubus e demônios sou eu mesma
e muito prazer.


MÍNIMA
Nydia Bonetti
[ in Longitudes ]

Rímel. Lápis. Blush. Batom
Agenda. Aspirina. Espelho
Chaves. Talão de cheques
Carteira. Calculadora
Cartão de crédito
Lixa de unha. Desodorante
Creme hidratante

Um terço. Uma oração. Medalhas
E uma fita azul da Mãe Aparecida
(Que a casa do Senhor do Bonfim
Ficou distante)
Um canivete artesanal de estimação
Herança de meu pai
3 x 4 daqueles que amo

Lentes de contato. Óculos de sol
Lenços de papel. CIC. RG. CREA SP
Canetas. Cartão de visita. Celular
Escovas. Filtro solar
E a imprescindível folha de papel
Em branco
À espera dos versos

Deus,
Como sou pequena!
Quase tudo que sou e preciso
Cabe dentro da minha bolsa.


ERÓTICA BATALHA
Sebastião Nunes
[ in Antologia mamaluca, 1988 ]

Tua latejante buceta palpitante.
Meu amargo cacete perfilado.
Ovos batem continência à beira do saco.
Como um guerreiro de merda
o cu recua ante a dura ofensiva.
Grandes e pequenos lábios
batem palmas e riem.
Meu cacete é a bandeira nacional.
A guerra é santa e eu avanço.

Mais um POEMA de
CHICO DOIDO DE CAICÓ
[ in Balaio, n° 290, de 15/05/1991 ]

Eu vi uma pentelheira
No corpo daquela dona
Que quase caí pra trás
Era pentelho de ruma
Que não acabava mais
Era uma mata profunda
Que começava no imbigo
E terminava na bunda.
Pra descobrir o priquito
Por detrás daquela mata
Fiz um esforço tão grande
O coração quase me mata
Os pentelhos da mulher
Era uma mata de cipó
Tudo muito emaranhado
Cheio de trança e de nó.
Me fiz de bom caçador
Na frente do cipoal
E rompi aquela mata
Com a força do meu pau.


UMA HISTÓRIA NATALENSE
João Amorim Guimarães

[ in Natal do meu tempo, 1952 ]

[Zé de Quincas] Vivera ainda no tempo em que namoros eram apenas olhadelas, de longe; a moça na janela e o namorado na esquina...

Tão velados eram esses amores, que o pretendente distinguia a pretendida, de qualquer de suas irmãs, apenas por um traço qualquer mais acentuado, que a diferençasse das outras. E às vezes ignorava até que ela possuísse irmãs.

Pois bem, Zé de Quincas achara bonitos os olhos daquela moça, filha de um alto comerciante e, como os olhares dos dois jovens se combinassem, foi logo pedi-la em casamento.

Recebido fidalgamente pelo pretendido "futuro sogo", e dita a pretensão, este manifestou-se:

- Pois não. E qual das duas "meninas" você pretende?

Zé de Quincas embatucou. Agora, sim! Estava certo de que o sujeito só tinha uma filha... e, se eram duas... como iria agora identificar a Deusa dos seus sonhos, se nem ao menos lhes sabia o nome?

- Qual das duas? Escolha - repetia o velho.

Zé de Quincas, afobado ante a dificuldade da identificação, "destampou":

- É aquela dos peitos grandes...

Nem é preciso dizer que Zé de Quincas saiu dali direto para a farmácia, curar a esquimose de um olho quase cego de um soco direto...


POEMA DE CHICO DOIDO DE CAICÓ
mais uma vez, com tesão
[ in Balaio, n° 550, de 1993 ]

Quero o crepúsculo do Potengi abismado
Quero a cachaça do boteco aloprado
Quero o escuro do céu estrelado
Quero o fi-o-fó da morena de olhar dourado
E mais não quero.
A não ser, talvez,
Um verso de Zé Limeira
Um retrato de Maria Antonieta Pons
Um cigarro da marca Astória
Uma estampa do sabonete Eucalol
Um beijo de mulher da zona
E mais não quero.
A não ser, talvez,
A bunda daquela galega do Alecrim
Com sua maciez e seus mistérios sem fim
E mais não quero.
A não ser, talvez,
Uma certa buceta com cheiro de mel e capim
Desejada por marinheiros, bispos, tenentes
E também por mim,
Mais doido do que nunca
Mais doido do que Nosso Senhor do Bonfim.

15 comentários:

Cosmunicando disse...

Voltando a pouco do curso de fotografia, essa notícia do Jim Marshall me chamou a atenção, Moa.
A emblemática foto do Hendrix, os emblemáticos 36 momentos da tua lista... tudo isso me dá uma sensação de que nada se igualará àquela década "mágica"... devíamos estar sob efeitos de raios cósmicos ou coisa que o valha :))
Chico Doido hoje se esbaldou, e eu também. Adorei especialmente a Morada de Adriana Monteiro, e o Mínima, da Nydia Bonetti.

um beijo

Anônimo disse...

Porra, Caralho
Ha tanta poesia para tanto Chico Doido
Chega de ser repetitivo
Chega de merda a vida já basta

Bar de Ferreirinha 50 anos, desde 1959 disse...

Moacy,um abraço.Chico Doido tá demais.Olha cara em breve sairá a programação dos 51 anos do boteco mais charmoso do Brasil.Quanto a esse anonimo ai de cima,que acha que a vida é uma merda.Um conselho pra ele:comece a dar o furico,quem sabe se não melhora pra vc.Pituleira.Valeu...

líria porto disse...

emblemático balaio! porretíssimo!

para o chico doido, uma escritora suicida:

virgem santa
líria porto

vão precisar de um bravo
pra exercer tal façanha
o mato cresce e tem onça
entre as pernas dessa aranha

*

a nydia bonetti, o tião nunes, a lisbeth lima, a adriana monteiro, a patrícia gomes - danados!!

*

Assis Freitas disse...

Quase tudo aconteceu nos anos 60 e eu ainda nos cueiros. Tanto de Chico Doido, uma quase antologia porreta. Sebastião em riste e risco. A dos peitos grandes e olhar faminto, eu também escolheria. Abraço.

P.s. Essas meninas (Nydia, Adriana, Patricia e Lisbeth)são terríveis.

Jarbas Martins disse...

viva chico doido de caicó
viva nydia, adriana,lisbeth e patrícia
viva a revolução cubana, e os vietcongues, viva a revolução de praga e a revolução cultural chinesa
viva bergman e visconti
e viva o glorioso são josé dos angicos e sobretudo viva o poema-processo

Maria V. disse...

Chico Doido de Caicó matou a pau! excelente!

Anônimo disse...

H A I K U

o ivo
do mari
O

Anônimo disse...

H A I K U S

o ivo do mário
o evo morales
o clô tavares

Anônimo disse...

MAIS HAICAIS PARA O BLOG DO MARIO IVO


o clô monossilábico
o françois silvestre
o feijão da mata

J.F. de Souza disse...

Eis que estou por aqui de novo!

Emblemática, sem dúvida, a imagem.

Feliz em ler dos poemas de Chico Doido.

Feliz em ler algo de Nydia por aqui - adoro essa muié!

Feliz em conhecer essa "Morada" de Adriana Monteiro de Barros, as "Ardências" de Patrícia Gomes, e essa "Tolice" da qual fala Lisbeth Lima. Adorei estes escritos!

E feliz em poder ler a "Erótica batalha" de Sebastião Nunes. Poemabão...

Sempre bão passar por aqui!

1[]!

Patrícia Gomes disse...

Moacy, mais uma vez estou aqui, agradecida e feliz por me citares nesse balaio que é mais que porreta, é cultura pura!
Obrigada, querido.

Aos poucos estou retornando ao blog e às visitas..

Obrigada a todos.

Beijos

Patrícia

Carito disse...

Pra mim essa foto do Hendrix me linka a Terezinha de Jesus: "Pra Incendiar Seu Coração"...

Adorei o livro de Lisbeth...

E... Se é para o bem dos doidos e felicidade geral da fodação, DIGA AO POVO QUE CHICO!

Nydia Bonetti disse...

Moacy

Nossa Moacy, nem lembrava mais deste poema. Tenho a impressão que este foi o primeiro dos meus que você leu. Estes momentos emblemáticos, esta foto, estes poemas, enfim, este post, me fez pensar no tempo que passa...

beijo.

Adriana Godoy disse...

Nossa! O Chico Doido arrasou. A Nydia também. O Balaio faz bem. beijo.