sábado, 3 de abril de 2010

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Os 7 samurais
(Akira Kurosawa, 1954)
Curiosamente, sua primeira exibição em Natal (em 1960, se não me falha a memória) deu-se no modesto Cineclube Marista, do Colégio Marista, numa apresentação em 16mm. Mas eu conhecia o cinema de Kurosawa desde 1956, quando vira no Pax de Seu Clóvis, em Caicó, o premiado Rashomon (1950). Os dois filmes eram estrelados por um ator emblemático da cinematografia japonesa: Toshiro Mifune.


BALAIO PORRETA 1986
n° 2980
Natal, 3 de abril de 2010


OS PRINCIPAIS FILMES DE AKIRA KUROSAWA
(Cotações: de ° - descartável - a *** - excelente -)

Rashomon *** (1950)
Viver *** (1950)
Trono manchado de sangue ** (1957)
Os 7 samurais ** (1954)
Dodeska-den */** (1970)
Ran * / ** (1985)
Sonhos */*** (1990)
Dersu Uzala */** (1975)
Yojimbo * (1961)
A fortaleza escondida * (1958)
Kagemusha * (1980)
Anjo embriagado °/* (1948)


OS DOZE FILMES JAPONENSES
DE MINHA ESPECIAL ADMIRAÇÃO

1. Contos da lua vaga (Mizoguchi, 1953)
2. A princesa Yang Kwei Fei (Mizoguchi, 1955)
3. Os amantes crucificados (Mizoguchi, 1954)
4. Guerra e humanidade (Kobayashi, 1959-61)
5. O intendente Sansho (Mizoguchi, 1954)
6. A rotina tem seu encanto (Ozu, 1962)
7. Rashomon (Kurosawa, 1950)
8. A vida de O'Haru (Mizoguchi, 1952)
9. Viver (Kurosawa, 1952)
10. Era uma vez em Tóquio (Ozu, 1953)
11. Pai e filha (Ozu, 1949)
12. Trono manchado de sangue (Kurosawa, 1957)
13. A balada de Narayama (Imamura, 1983)
14. O império dos sentidos (Oshima, 1975)
15. Crisântemos tardios (Mizoguchi, 1939)
16. A viagem de Chihiro (Miyazaki, 2001), animação


CAATINGA
Suely Magna Nobre
[ in Substantivo Plural ]

Uma mulher desnuda
Exposta ao sol
Fértil feito terra agreste
Uma mulher frondosa
Feito árvore bisavó
Vestida de plumagens raras
Verdejante prenúncio
De noite sem luar
Intocada no meio da mata
Vivenciando as agruras
Destinadas à aridez
De um solo infértil
Suavizada apenas
Pelo olhar do poeta
Observador astuto
De belezas raras
Soprada em versos
Filigranas de uma
Réstia selvagem
Caatinga enegrecida
Trocando de vestes
Colorindo-se de esperança
Ao gotejo do primeiro
Ensaio de ano bom
Ricas pastagens
Lavouras e aves
De arribação
Coroaram o seu reinado
Embalada pelo som
De um único canário
Anunciando um reisado divino
E à sombra da mata
Da Serra da Cajarana
A mulher desnuda
Banha-se de prazer
Exalando aroma
De terra molhada!


POEMAS
de
CHACAL
( Ricardo Carvalho )

PAPO DE ÍNDIO
[ in Muito prazer, Ricardo, 1971 ]

veio uns ômi di saia preta
cheiu de caixinha e pó branco
qui eles disserum que si chamava açucri
aí eles falarum e nós fechamu a cara
depois eles arrepitirum e nós fechamu o corpo
aí eles insistirum e nós comemu eles.

UMA PALAVRA
[ in América, 1975 ]

uma
palavra
escrita é uma
palavra não dita é uma
palavra maldita é uma palavra
gravada como gravata que é uma palavra
gaiata como goiaba que é uma palavra gostosa

PRONTO PRA OUTRA
[ in Boca roxa, 1979 ]

gravei seu olhar seu andar
sua voz seu sorriso
você foi embora
e eu vou na papelaria
comprar uma borracha.


AS NOITES FRIAS
Adelaide Amorim
[ in Inscrições ]

é fria a solidão que me desbasta
puxo o edredom
porquanto a noite é vasta


RELEMBRANDO UM GRANDE JOGADOR
Moacy Cirne
[ in Balaio, n° 1314, 14/9/2000 ]

Os apreciadores do bom futebol sempre admiraram o estilo elegante e encantatório de Zizinho, o grande craque dos anos 40 e 50. Muitos o consideram, inclusive, um dos maiores jogadores da história do futebol brasileiro, ao lado de um Pelé, de um Garrincha, de um Nilton Santos. Sua técnica impecável fazia qualquer torcida delirar com seus passes mágicos e seus dribles embriagadores. Era um jogador clássico, um jogador que sabia ser clássico.

O que pouca gente sabe, contudo, é que Zizinho - além de ter brilhado no Flamengo, no Bangu e no São Paulo - também defendeu as cores do Fluminense, e o fez, mais precisamente, em 1956. E assim um sonho - um certo sonho - se transformava em realidade. O Fluminense, que já contava com Castilho, Didi e Telê, entre outros ídolos, passava a contar com o mestre Ziza.

Exímio batedor de faltas, Zizinho fez vários e vários golaços para os tricolores, conquistando vitórias e mais vitórias até hoje lembradas com emoção por mim. Baixinho, em apenas três jogadas bailava como uma pluma suavemente mágica em direção ao gol adversário, empolgando o torcedor mais sensível, mesmo que fosse flamenguista, botafoguense, vascaíno. Preciso e precioso, parecia flutuar no campo de jogo, santificando a redondice de seu universo plasmado em matéria, alma e coração.

Lembro-me muito bem: o seu passe - ao se transferir para o Nense - custou uma pequena fortuna para os padrões da época: 10 contos de réis, até então a mais cara transação financeira no mundo juvenil do futebol-de-botão na distante Caicó dos anos 50. Mas valeu a pena; jogando pelo Fluminense, Zizinho, produzido em casca de coco de pele macia, polido com esmero artesanal, me deu muitas e muitas alegrias. Sem dúvida, foi o maior jogador de futebol-de-botão de todos os tempos em Caicó. Ou mesmo no Seridó.

Quando a minha família se mudou para Natal, em 1957, aposentei-o. Rubro-negros, alvinegros, cruzmaltinos e americanos que me desculpem pela ousadia: uma relíquia como aquela, à altura dos melhores sonhos, só poderia terminar sua imortal carreira de goleador nas mesas de futebol-de-botão jogando pelo Fluminense - o meu Fluminense.

7 comentários:

Assis Freitas disse...

Aleluia, aleluia, hoje é sábado. Kurosawa é um dos mestre do olhar. Em relação a Kagemusha peço venia, merece mais que uma estrelinha, só a cena final quixotesca vale. Zizinho no Flu, em Caicó, no futebol de botão é sensacional. Hoje é dia de queimar Judas, mas são tantos. Abraço.

líria porto disse...

eu taco fogo no judas - aleluia!
eu taco fogo nas igrejas...

besos

Mme. S. disse...

"Uma palavra", um blogue, um sábado melhor.
beijos meu querido.
S.

Francisco Sobreira disse...

Muito bom, Moacy, você prestar uma homenagem a Kurosawa no ano de seu centenário. Ele, Ozu e Mizoguchi formam a Santíssima Trindade do cinema japonês. Um abraço.

Sergio Andrade disse...

Merecida homenagem ao mestre.
Mas não gosta de Anjo Embriagado? Eu adoro!

Um abraço.

Jens disse...

Moacy, nos tempos do jogo de botão meu jogador preferido era o avante Claudiomiro, do Colorado dos Pampas, feito de plástico vermelho amassado em uma medida de Leite Ninho - aquela pequena colher de metal que vinha na embalagem -, devidamente aquecida, e depois amorosamente polido no cimento. Era um craque.

Abraço e Boa Páscoa.

Anônimo disse...

prezado quanto a chamar Zizinho de baixinho.. acho que vc estar enganado.. eu o vi.. no Café São Braz em Campina Grande nos anos 60 quanod ele foi jogar pelo Bangu.. contra os times da cidade, ele teria aí por 1, 74 mts... por aí,, com certeza não era um tampinha

abs Pedro