o fotógrafo das celebridades roqueiras dos '60
Uma imagem emblemática:
Jimi Hendrix queima a sua guitarra
no Monterey International Pop Festival, em 1967
BALAIO PORRETA 1986
n° 2972
Natal, 26 de março de 2010
40 MOMENTOS EMBLEMÁTICOS
DOS ANOS 60 DO SÉCULO PASSADO
Althusser / Teoria marxista
Antonioni / Cinema
Ballard / Literatura (FC)
Beatles / Música
Bergman / Cinema
Bossa Nova / Música
Buñuel / Cinema
Capote / Literatura
Cinema Novo / Cinema
Coltrane / Música
Contracultura / Comportamento
Crepax / Quadrinhos
Crumb / Quadrinhos
Estruturalismo / Teoria literária
Foucault / Filosofia
Garrincha / Futebol
Godard / Cinema
Grupo Oficina / Teatro
Guerra do Vietnã / Política & & Revolução
Guerras de libertação / Africanidade
Janis Joplin / Música
Jimi Hendrix / Música
João XXIII / Catolicismo
Kubrick / Cinema
Maio Francês / Política
Martin Luther King / Direitos Humanos
Panteras Negras / Política
Pasquim / Jornalismo
Poema-processo / Poesia & Poema
Pop-art / Arte
Primavera de Praga / Política
Resnais / Cinema
Revolução Cubana / Política
Revolução Cultural Chinesa / Política
Revolução sexual / Comportamento
Senhor / Jornalismo
Stan Lee / Quadrinhos
Tropicália / Arte & Música
Visconti / Cinema
Woodstock / Música & Comportamento
ARDÊNCIAS
Patrícia Gomes
[ in SensualizArte ]
põe-me no ventre
um beijo e
tua semente
que te relevo
a fúria da pegada
e a seda rasgada.
TOLICE
Lisbeth Lima
[ in Vastos, 2010 ]
Escrevo na areia o meu nome.
A água vem e apaga.
Escrevo na areia o nome do meu amor.
A água vem e apaga.
Onda teimosa,
nada entende de nomes.
Nada entende de amor.
CHICO DOIDO DE CAICÓ
[ in Balaio, n° 543, 13/09/1993 ]
Passei o dia todo de caneta na mão
Pelejando pra fazer um verso de amor
E a única coisa parecida com verso de amor
Que saiu da porra da minha caneta foi:
Rosinha, Rosa, Rosa de Sousa
Eu gosto mais de você do que da sua bunda.
Adriana Monteiro de Barros
[ in Pianos invisíveis, 2008 ]
Meus urubus e demônios me visitam todos os dias.
Todos os dias meus urubus e demônios me visitam.
Me visitam os dias todos.
Entram sem bater e se instalam na sala
como se já fossem velhos conhecidos.
E, na verdade, são.
Desde pequena meus urubus e demônios me habitam.
Há tempos meus urubus e demônios moram dentro.
Meu medo não é do outro.
Meu medo tem medo de mim.
Eu sou meus urubus e demônios.
Meus urubus e demônios sou eu mesma
e muito prazer.
Nydia Bonetti
[ in Longitudes ]
Rímel. Lápis. Blush. Batom
Agenda. Aspirina. Espelho
Chaves. Talão de cheques
Carteira. Calculadora
Cartão de crédito
Lixa de unha. Desodorante
Creme hidratante
Um terço. Uma oração. Medalhas
E uma fita azul da Mãe Aparecida
(Que a casa do Senhor do Bonfim
Ficou distante)
Um canivete artesanal de estimação
Herança de meu pai
3 x 4 daqueles que amo
Lentes de contato. Óculos de sol
Lenços de papel. CIC. RG. CREA SP
Canetas. Cartão de visita. Celular
Escovas. Filtro solar
E a imprescindível folha de papel
Em branco
À espera dos versos
Deus,
Como sou pequena!
Quase tudo que sou e preciso
Cabe dentro da minha bolsa.
Sebastião Nunes
[ in Antologia mamaluca, 1988 ]
Tua latejante buceta palpitante.
Meu amargo cacete perfilado.
Ovos batem continência à beira do saco.
Como um guerreiro de merda
o cu recua ante a dura ofensiva.
Grandes e pequenos lábios
batem palmas e riem.
Meu cacete é a bandeira nacional.
A guerra é santa e eu avanço.
CHICO DOIDO DE CAICÓ
[ in Balaio, n° 290, de 15/05/1991 ]
Eu vi uma pentelheira
No corpo daquela dona
Que quase caí pra trás
Era pentelho de ruma
Que não acabava mais
Era uma mata profunda
Que começava no imbigo
E terminava na bunda.
Pra descobrir o priquito
Por detrás daquela mata
Fiz um esforço tão grande
O coração quase me mata
Os pentelhos da mulher
Era uma mata de cipó
Tudo muito emaranhado
Cheio de trança e de nó.
Me fiz de bom caçador
Na frente do cipoal
E rompi aquela mata
Com a força do meu pau.
UMA HISTÓRIA NATALENSE
João Amorim Guimarães
[ in Natal do meu tempo, 1952 ]
Tão velados eram esses amores, que o pretendente distinguia a pretendida, de qualquer de suas irmãs, apenas por um traço qualquer mais acentuado, que a diferençasse das outras. E às vezes ignorava até que ela possuísse irmãs.
Pois bem, Zé de Quincas achara bonitos os olhos daquela moça, filha de um alto comerciante e, como os olhares dos dois jovens se combinassem, foi logo pedi-la em casamento.
Recebido fidalgamente pelo pretendido "futuro sogo", e dita a pretensão, este manifestou-se:
- Pois não. E qual das duas "meninas" você pretende?
Zé de Quincas embatucou. Agora, sim! Estava certo de que o sujeito só tinha uma filha... e, se eram duas... como iria agora identificar a Deusa dos seus sonhos, se nem ao menos lhes sabia o nome?
- Qual das duas? Escolha - repetia o velho.
Zé de Quincas, afobado ante a dificuldade da identificação, "destampou":
- É aquela dos peitos grandes...
Nem é preciso dizer que Zé de Quincas saiu dali direto para a farmácia, curar a esquimose de um olho quase cego de um soco direto...
mais uma vez, com tesão
[ in Balaio, n° 550, de 1993 ]
Quero o crepúsculo do Potengi abismado
Quero a cachaça do boteco aloprado
Quero o escuro do céu estrelado
Quero o fi-o-fó da morena de olhar dourado
E mais não quero.
A não ser, talvez,
Um verso de Zé Limeira
Um retrato de Maria Antonieta Pons
Um cigarro da marca Astória
Uma estampa do sabonete Eucalol
Um beijo de mulher da zona
E mais não quero.
A não ser, talvez,
A bunda daquela galega do Alecrim
Com sua maciez e seus mistérios sem fim
E mais não quero.
A não ser, talvez,
Uma certa buceta com cheiro de mel e capim
Desejada por marinheiros, bispos, tenentes
E também por mim,
Mais doido do que nunca
Mais doido do que Nosso Senhor do Bonfim.




