sexta-feira, 28 de dezembro de 2007


Foto de
Fátima Silveira
in
1000 Imagens


BALAIO PORRETA 1986
n° 2198
Rio, 28 de dezembro de 2007



PRIMEIRO MANDAMENTO
Paulo de Tarso Correia de Melo (Natal, RN)
[ in Rio dos homens, 2002 ]

Coronel Chiquinho não chegava
a desejar mal ao próximo.
Apenas perguntava:

Com tanta cascavel desocupada
por aí, como é que gente ruim
no mundo não se acaba?


MANHÃZINHA
Wescley J. Gama (Currais Novos, RN)
[ in A Taberna ]

toda vez que a lenha estalava no fogo
o cheiro do café gritava,
acordando todo mundo


MIOSÓTIS
Jeanne Araújo (Acari, RN)

Entre os meus mamilos
há pequenos miosótis
guarnecendo pequenas feridas.
Encosto-me à cama simples
roçando a poesia no teu peito.
Viro-me pelo avesso,
sou muro e muralha,
pedra e diamante
procurando as frestas
da tua solidão.


POESIA
Sandra Camurça (Recife, PE)
[ in O Refúgio ]

nu céu escarlate
precipito-me lua
e rasgo o véu da tarde


COMEÇANDO A LER

A love supreme; A criação do álbum clássico de John Coltrane, de Ashley Kahn. Trad. Patricia de Cia & Marcelo Orozco. Pref. Elvin Jones. São Paulo : Barracuda, 2007.

Compor qualquer tipo de música é um desafio: muita coisa é subjetiva, vem da reação pessoal. Quando o assunto é Coltrane, as apostas são mais altas. Ele obrigou os críticos a inventar terminologias para descrever suas inovações em termos de técnica e estilo. "Camadas de som", escreveu um crítico sobre suas rajadas sônicas em 1958. "Antijazz", escreveu outro, anos depois.

A love supreme coloca as apostas no céu. A inegável espiritualidade do álbum - outra área de estudo que esgota o vocabulário disponível - abre a porta para um campo no qual o exame de detalhes específicos corre o risco de parecer incoerente, em que a discussão do espiritual pode se tornar um esforço rotineiro e insincero. No entanto, ao ouvir o álbum várias vezes, senti-me impelido a tratar da espiritualidade apaixonada de Coltrane. Embora eu me considere um agnóstico dedicado e um racionalista radical, estou pronto para admitir que muita coisa parece o trabalho de alguma força eterna que segue uma direção espiritual: as estações, a gravidade, a matemática, o amor romântico. "Deus respira plenamente por meio de nós", escreveu Coltrane em A love supreme, "tão suavemente que nem sentimos". (p.21)

Na vitrola:
A love supreme, de John Coltrane.
[ MCA/Impulse 229254557-2 (1964) ]

4 comentários:

Jacinta disse...

Olá,

Gostei do som das palavras e da beleza das imagens que esse seu espaço proporciona. Muito bom

Jacinta Dantas

sandra camurça disse...

Bela imagem, ótimos poemas, a love supreme, a love supreme, a love supreme... E uma poesia minha no meio disso tudo...

Grata, Moacy, você é um amor.

Um beijo carinhoso.

Pedrita disse...

faz tempo que não vou ao cinema, ando com saudades, quem sabe em janeiro vou em algumas salas, pena que os melhores filmes estréiam quando menos consigo ir. beijos, pedrita

Acantha disse...

Verdade simples, não? Com tanta cascavel desocupada...