quinta-feira, 10 de julho de 2008


Baía Formosa,
no Rio Grande do Norte
Foto de
Alex Uchoa


BALAIO PORRETA 1986
n° 2364
Natal, 10 de julho de 2008

A tradição de todas as gerações mortas oprime
como um pesadelo o cérebro dos vivos.

(Karl Marx. O 18 Brumário, 1852)


CINCO AGORAS DE SÍTIO
Wescley J. Gama
[ in A Taberna ]

I

lagartixas metidas entre pedras
se entregam à lenta missão
de afagar a tarde quente.

II

bois pousados à beira de barreiros sangrando
vencem todos os relógios de parede da fazenda.

III

pés de pitomba
com grandes cachos de meninos
trocam seus frutos por amor.

IV

trabalhadores a passos largos para o roçado
discutem a seriedade
de se enterrar umbigo de menino novo
ao pé da porteira.

V

burros com cargas d’água
passam sede no caminho seco.

9 comentários:

Mme. S. disse...

Moacy, esse poema do Wescley afagou minha existência. Um beijo, meu querido.

Lívio Oliveira disse...

Que beleza a poesia do jovem Wescley!!!

Lívio Oliveira disse...

Lembro um detalhe: Wescley e Iara fazem, hoje, literalmente, o casal mais poético do Rio Grande do Norte!

Cláudia Magalhães disse...

É uma delícia esse poema de Wescley! Amigo, tem miniconto novo no meu blog! Apareça... eu vou amar e amar... Beijos, Moacy.

betão disse...

MOacy, lembra muito os haicáis do Kerouac...

sandra camurça disse...

Lá se foi o hômi pra Natal...
Bela postagem,
Um cheiro.

Marco disse...

Parabéns ao jovem Wescley, caro mestre Moacy.
O poema dele chega a parecer um curta-metragem. A gente visualiza como se fosse um filme.
Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

Mulher na Janela disse...

sou suspeitíssima pra comentar os poemas desse jovem de sensibilidade única...o meu amado Wescley.
a sua poesia verte sonhos em madurezas de instantes e estabelece cascatas para a chegada lírica do sertão.

um beijo a ele. um abraço a você, querido Moacy!

Iara

Wolney disse...

Adorei esta missão de afagar a tarde quente!
Wolney