quarta-feira, 16 de julho de 2008


Cidades potiguares:
Ceará-Mirim
(Solar Antunes / Prefeitura}

Foto de
Jorge Moreira


BALAIO PORRETA 1986
n° 2370
Natal, 16 de julho de 2008


Algumas vezes também é agradável perder a razão.
(Menandro, in Sêneca, séc. III aC)


UM LIVRO FUNDAMENTAL

No terreno fértil da verbalidade, são poucos os livros realmente fundamentais que constituem uma (possível) poética norte-rio-grandense, em sendo universais: Livro de poemas (Jorge Fernandes), Antologia poética (José Bezerra Gomes), O arado (Zila Mamede), Diário íntimo da palavra (Nei Leandro de Castro), Fábula fábula (Sanderson Negreiros), As cores do dia (Luís Carlos Guimarães), Os elementos do caos (Miguel Cirilo), Lance de dardos (Iracema Macedo), Esperado ouro (Marize Castro), Contracanto (Jarbas Martins), Rio dos homens (Paulo de Tarso Correia de Melo). E o recente Thálassa, de Francisco Ivan (Natal: Sebo Vermelho, 2008, 100p.).

Nos mais diferentes níveis, uma obra extraordinária, quer por sua tessitura formal de feitio clássico, quer por suas variantes temáticas que atingem o universal a partir do regional e da própria universalidade. O professor e poeta Francisco Ivan - leitor atento de Homero, Joyce, Guimarães Rosa e Haroldo de Campos - constrói o seu universo poético-imaginante com indiscutível maestria, traçando com régua, compasso e lirismo os abismos e caminhos de uma viagem sem começo e sem fim, entre o diáfano e a plenitude, entre a criação e a imensidão do Mar, entre Deus e o Diabo na Terra da Poesia.

Enfim, um grande Livro, um grande Poeta.


THÁLASSA
/ Fragmentos /
Francisco Ivan

Oh, estar na Irlanda agora,
E mirar lá da Martello Tower
O Mar grandioso de Ulisses,
E a praia pode ser interna,
E o porto pode ser internacional.
Oh, navegar por esses mares agora,
Ao tempo de suas thalassocracias,
Embriagar-me de suas mitologias!
(p.11)
Todos os verdes dos mares,
De Dublin, Europa, França e Bahia,
Cabem dentro do verde do mar
Que barra minha terra Natal.
Ai, Mar! Vai, Mar!
(p.24)
Estou agora em um Hotel que se chama Miramar.
Fica de frente para o Mar, La Mar!
O vento dando mais para os mares de espanhas e portugais
Levando à Europa antiga. La Mar!
(p.33)
Eu sou o Rei do vinho!
O Mar grita por mim,
Um canto como ecos de oceano.
Quando era criança, em Currais Novos, na casa da Rua 16 de julho,
Brincava de viajar pelo mundo.
(p.41)
O Sol é um olho de ouro
Detrás de uma nuvem negra,
Neste Mar Negro
De escuro vinho.
(p.74)
Oh! Ninguém queira
Saber o quanto de sonhos
Pode ter passado pela minha mente
(p.89)

4 comentários:

Cláudia Magalhães disse...

Passando pra ler bons textos e belas poesias! Beijos, Moacy.

Janaina Staciarini disse...

Lindo.
Eu não conhecia. Vou procurar ler mais...
Beijos!

Jens disse...

Oi Moacy.
Instigante o poeta Francisco Ivan. Importante divulgar estes poetas ignorados pelos espaços literários da grande mídia.
***
Acabei de ver o jogo Palmeiras 3 X 1 Flu, com arbitragem gaúcha. O que houve com o tricolor das Laranjeiras? Ainda de ressaca por causa da perda da Libertadores? Acorda, Renato. Pra cima com a viga!
***
Um abraço.

Marco disse...

Acho estes seus posts sobre livros de absoluta utilidade pública, caro mestre Moacy. Carpe Diem.