segunda-feira, 11 de agosto de 2008


Nossa homenagem
a
Eugenio Colonnese
(1929-2008),
criador de
Mirza, a Mulher Vampiro,
em 1967

Maiores informação sobre Colonnese
na postagem de 08/08/08
in
Blog dos Quadrinhos


BALAIO PORRETA 1986
n° 2396
Rio, 11 de agosto de 2008

"[Colonnese] Foi um exemplo de profissionalismo e dedicação à nona arte. Deixará um vácuo, que dificilmente será preenchido" - Waldomiro Vergueiro.
(Citado por Paulo Ramos, in Blog dos Quadrinhos)


DE ORIGEM SERIDÓ
Maria Maria
[ in Espartilho de Eme ]

Acho que sou de pano,
de cabelo de milho,
de bagem de algaroba,
de barro do Riacho,
de semente de algodão.

Acho que sou a goteira,
a noite e a tarde de chuva,
a aurora, a madrugada. Ou
uma boneca de pano
com sachê no coração.

DIVAGAÇÕES & PROVOCAÇÕES

Com todo o seu lirismo muitas vezes excessivo, Vinicius de Moraes é um bom poeta. Sem dúvida. Mas, lirismo por lirismo, romantismo por romantismo, verso por verso, sou mais o pernambucano Carlos Pena Filho. Sei, sei, certas comparações são impertinentes. Mesmo assim, leio com mais prazer o poeta recifense. Vejam que preciosidade:

Poema
[ in Livro geral, 1959]

Senhora de muito espanto,
vestindo coisas longínquas
e alguns farrapos de sono,

eu vim para te dizer
que inutilmente contemplo
na planície de teus olhos
o incêndio do meu orgulho.

Senhora de muito espanto,
sentada além do crepúsculo
e perfeitamente alheia
a realejos e manhãs.

Eu vim, para te mostrar
que se inagurou um abismo
vertical e indefinido
que vai do meu lábio arguto
ao chumbo do teu vestido.

Senhora de muito espanto
e alguns farrapos de sono,
onde o céu é coisa gasta
que ao meu gesto se confunde.

Um dia perdi teu corpo
nas cores do mapa-mundi.

O poeta Eucanaã Ferraz, no Estadão de ontem, em entrevista para o caderno Cultura, deu uma resposta perfeita à seguinte pergunta: "Os livros de auto-ajuda são mesmo todos ruins, ou isso é puro preconceito da crítica?". Assim respondeu Eucanaã: "A literatura inquieta, perturba, desvia, liberta. A auto-ajuda, diferentemente, estabiliza, pacifica, é prescritiva, didática, e sua escrita pertence à farmacologia, não à literatura". Resta saber se os farmacêuticos e os químicos aceitarão como colegas Paulo Coelho & similares.

E o que dizer dos escritores genéricos como Jô Soares e tantos outros? Será que servem, ao menos, para despertar o interesse na literatura? A rigor, de uma forma ou de outra, são escritores que existem em função da mídia. Ou que por ela são fabricados. Nada dizem, nada acrescentam, nada questionam.

[][][]

Para completar a edição de hoje,
sem maiores provocações,
eis uma foto de
Luís Azevedo, in Olhares:

12 comentários:

Mulher na Janela disse...

o poema de Maria é de uma beleza que cala todas as outras.

um beijo.

Iara

loba disse...

Como ando sempre um passo atrás, sempre tenho muito pra ler.
Começo dando voz aos meus encantamentos: entrevista danada de porreta! Diria que é uma provocação à criação.
A poesia já é encanto antigo e cativo. Mas é sempre nova em suas várias versões. E aqui elas são múltiplas - em versões e em provocações.
Qto ao post de hj, uma boa leitura tem que adoecer. A cura está na sensibilidade de quem lê.
Um beijo!

romério rômulo disse...

moacy:
grande poema,este do carlos pena filho.há quanta gente boa neste viés de brasil.
romério

Bosco Sobreira disse...

Concordo com Eucanaã Ferraz, só não entendi a referência à farmacologia. Nem mesmo como figura de linguagem.
Quem disse tudo, numa frase que merecia, que merece destaque foi a Loba.
Bom ter leitores inteligentes e sensíveis com nossa querida Loba.
Um abraço.

Bosco Sobreira disse...

Em tempo: Voc^deve estar achando um porre o lirismo de meus últimos textos. O lirismo num poeta pobre é uma desgraça.
Ainda bem que existem (poucos) Vinícius e Penas pra salvar o Lirismo.
Forte abraço

Jens disse...

Oi Moacy,
Certeiras as observações sobre a auto-ajuda e "romancistas" do tipo Jô Soares (bela sacada a qualificação escritor genérico). Gostei do Carlos Pena Filho e também gosto do Vinicius. A poesia é necessária e tem lugar para todo mundo.
Um abraço.

Francisco Sobreira disse...

Moacy,
Conheço muito pouco da poesia de Vinicius, não sei, portanto, se ele é superior ou inferior a Carlos Pena Filho. Só sei que gosto muito do poeta pernambucano, de quem já publiquei alguns textos no meu blogue. Abraço. - P.S. - Decerto, conheço bem mais o Vinícius letrista, que é excepcional.

Lafaiete Luiz disse...

Olá.
Bem diversificado mesmo o Balaio! Vou ver com calma e comento depois. ando ocupado que só vendo.
seguinte o contato que tenho com a minha também amiga virtual sil guimarães da germina é somente por e-mail.
me envie um e-mail para lafaieteln@yahoo.com.br que te dou as coordenadas.

Vais disse...

Olá Moacy,
ó só, maravilha este Balaio nesta segundona.
beijo e boa semana.

benechaves disse...

Moacy: eu, que sou farmacêutico-bioquímico, apesar de já aposentado, não aceitarei como colega o Paulo Coelho e similares. Deixe ele pra lá... Mas, prefiro o Vinicius como letrista, a exemplo do Sobreira. E gostei do poema do Pena Filho.

Um abraço...

loba disse...

não resisto! deixa eu deixar beijo pro meu poeta querido?
beijo bosco! grandão!

Maria Maria disse...

Obrigada, Moacy, pela colocação de mais um poema no seu balaio. Beijos