segunda-feira, 20 de outubro de 2008


Foto in
Amante das Imagens
redimensionada
com mel e cheiro de goiaba enluarada
por
Moacy Cirne


BALAIO PORRETA 1986
n° 2461
Rio, 21 de outubro de 2008


Diadorim do meu amor: põe o teu pezinho em cera branca que eu rastreio a flor de tuas passadas.
(Guimarães ROSA. Grande sertão: veredas, 1956)


ESBOÇO
Gilka Machado
[ in Sublimação, 1938 ]

Teus lábios inquietos
pelo meu corpo
acendiam astros...
E no corpo da mata
os pirilampos,
de quando em quando,
insinuavam
fosforescentes carícias...
E o corpo do silêncio estremecia,
chocalhava,
com os guizos
do cri-cri osculante
dos grilos que imitavam
a música de tua boca...
E no corpo da noite
as estrelas cantavam
com a voz trêmula e rútila
de teus beijos...


EXPRESSÕES POPULARES SERIDOENSES (1)
[ Cf. Max Antonio Azevedo de Medeiros, 2007 ]

A merda virou boné : Deu tudo errado; Armou-se a maior confusão.
Afundar no mundo : Fugir; Desaparecer.
Agora vi bosta : Era só o que faltava.
Amarrar o gato : Embriagar-se.
Arear a fivela : Dançar agarrado, colado.
Arriar o barro : Defecar.
Até a gata miar : Até o fim.
Avoar no mato : Jogar fora; Jogar no lixo.
Besta de cagar rodando : Diz-se do sujeito inconveniente, bobo.
Bucho furado : Diz-se da pessoa tagarela, que fala muito.
Cabelo de cu de mocó : Diz-se dos cabelos avermelhados.
Cagar o cibazol : Falhar; Decepcionar.
Cair de cu trancado : Morrer subitamente.
Cão chupando manga : Diz-se do indivíduo encrenqueiro, feio, horrível.
Carregar água em balaio : Fazer esforço inútil; Perder tempo.
Casado na igreja verde : Amasiado; Amigado; Amancebado.
Chamar aos carretéis : Repreender energicamente.
Cheio de guere-guere : Cheio de manha, de lero-lero.
Chorar a morte da bezerra : Lastimar-se de um fato irremediável.
Chupar o ovo : Bajular; Adular. [Baba-ovo : Bajulador; Lambe-cú.]
Chuva de sapo pedir canoa : Chuva torrencial.
Com a bexiga lixa : Enfurecido; Com raiva.
Com a gota serena : Enfurecido; Com raiva.
Cor de burro quando foge : Cor estranha, indefinida.
Cortar a noite : Passar a noite acordado.
Cu de burro : Confusão; Desordem.
Cu de cana : Cachaceiro; Beberrão.

Nota: Algumas dessas expressões são de uso(mais ou menos) comum em várias regiões do Nordeste.

[ Fonte: Palavreado cá de nós. Caicó, 2007 ]

5 comentários:

Ana Camarra disse...

Pronto um poema com grilos, gosto!

beijos deste lado do mar

Anônimo disse...

a mulher dourada
e o caminho do Rosa.
me senti homenageada.
um abraço caicoense.

Francisco Sobreira disse...

De fato, Moacy, algumas dessas expressões seridoenses são comuns em outros estados do Nordeste. Cu de burro e Cu de cana conheço do Ceará. E que poesia nessa frase de Rosa, hem? Um abraço.

Cosmunicando disse...

a foto tá belíssima.
E essas expressões, mesmo sendo paulistana identifiquei tres ou quatro que uso até hoje... rsrs
Este balaio aqui carrega água sim sinhô!

romério rômulo disse...

moacy:
a primeira vez que li cudecana
tive que buscar informação com um amigo nordestino.faz total sentido.
romério