sexta-feira, 9 de janeiro de 2009


Foto
de
Leszek Kowalski


BALAIO PORRETA 1986
n° 2531
Rio, 9 de janeiro de 2009

poema,
arquitetura de coisas esquecidas.
(Mario Cezar, in Coivara)


EM NOITE DE BRUXAS
Márcia Maia
[ in Tábua de Marés, em 1/10/2003 ]

sou faca
de aço, cristal ou prata
navalha de fogo
sou morte, sou grito
sou gozo

em noite de bruxas
sou apenas eu

(e isso me encanta e basta)


CAICOENSE BRABA
por Gerdo Bezerra de Faria
[ in 50 anos de causos, 2004 ]

Uma prima [de Jader Teixeira Dantas] encontrou o marido bebendo com um amigo no famoso bar de Ferreirinha, em Caicó, no Rio Grande do Norte, logo cedo, num sábado, quando estava voltando da feira. Como ele não tinha dito nada a ela sobre sua programação naquele dia, e como ela achou muito cedo para que o mesmo já estivesse bebendo, perguntou:

- Nego, você vai almoçar em casa?

Partindo de uma caicoense, e isso quem afirma sou eu, essa pergunta serve muito mais para saber o que deveria fazer para o almoço do que para exigir sua presença na hora de almoçar. Isso não é próprio das mulheres caicoenses.

- Vou. - Respondeu secamente.

Ela deve ter preparado um bom almoço, como também é próprio nas mulheres caicoenses. Esperou o marido até cansar e ele não apareceu. Então guardou o almoço para o jantar, sem nenhum grilo, mas ele também não apareceu. Como já o conhecia muito bem, sabia que se não fosse lá, ele só viria quando estivesse completamente embriagado, e resolveu voltar ao bar do Ferreirinha. Quando chegou, encontrou o marido bebendo no mesmo local, com o mesmo amigo e já não perguntou mais, foi quase exigindo, com a cara fechada e um péssimo humor:

- Nego, você não vai pra casa não?

O amigo, que deve ter se sentido culpado pelo fato do companheiro não ter ido ainda para casa, e como conhecia a mulher do outro, foi quem tentou rapidamente justificar a sua demora:

- Prima, não fique preocupada não, desde de manhã que ele está comigo, e não tenha medo que assim que a gente terminar uma conversa aqui, ele vai direto pra casa, eu garanto. Pode ficar tranquila que daqui ele não vai para outro canto de maneira nenhuma.

A mulher pensou um pouco naquele bom argumento e, para justificar a exigência de levar o marido para casa imediatamente, não pensou duas vezes e nem ligou para a presença de ninguém para soltar a língua:

- Meu amigo, eu não estou preocupada se ele vai sair daqui para outro lugar não, se vai ficar o resto da noite com você, se não quis almoçar, jantar, ou outra coisa qualquer, eu só estou preocupada é que ele beba demais e fique muito bêbado.

- E que qui tem, quando ele chegar em casa você bota ele pra dormir. - Aconselhou o amigo.

- Você acha fácil porque não é você quem vai se deitar com ele, pois se ele chegar muito bêbado em casa... não vai querer comer o seu cu não, viu, ele vai querer comer é o meu!

6 comentários:

mario cezar disse...

moacy, retrato, de hoje, roi os escondidos, a carne, em riste, em febre acende-se. abraços

Jens disse...

Oi Moacy.
Porrada esta turma de Caicó. Depois do CDC, mais uma grata supresa, o Bezerra de Faria., Gostei pra caramba do causo.
***
Que foto, Moacy, que foto!!!
***
Um abraço.
Bom findi.

romério rômulo disse...

moacy:
essa turma de caicó é braba.o grupo
cdc que se prepare.
romério

Hercília Fernandes disse...

Olá Moacy.

Muito obrigada pela visita e indicação do causo. É muito bom ler sobre os lugares e peculiares tão familiares a nós.

O bar do Ferreirinha é até hoje um celeiro para as figuras mais emblemáticas de Caicó. Artistas, políticos, malucos... ou simplesmente "movidos a álcool" configuram o cenário.

E o tom jocoso das últimas falas do texto fez-me rir gostosamente. Continue compartilhando, na Blogosfera, essas pérolas da cultura caicoense.

Forte abraço,

Hercília F.

Pavitra disse...


eu sempre gosto do balaio, mas hoje o que me encantou mesmo aqui foi o poema da márcia maia... lindo!

beijos, moa!

Mariana disse...

grande marcia maia. adoro!