quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009


Cartão postal dos anos 10 do século passado
via
Canta Piriquito Canta


BALAIO PORRETA 1986
n° 2565
Rio, 11 de fevereiro de 2009

Os otimistas escrevem mal.
(Paul VALÉRY. Pensamentos maus)


ARADO
Zila Mamede
[ in Arado, 1959 ]

Arado cultivadeira
rompe veios, morde chão
Ai uns olhos afiados
rasgando meu coração.

Arado dentes enxadas
lavancando capoeiras
Mil prometimentos, juras
faladas, reverdadeiras?

Arado ara picoteira
sega relha amanhamento,
me desata desse amor
ternura torturamento.


POEMA
Martha Galrão
[ in Maria Muadiê,
via Cosmunicando ]

Fevereiro ferve
me dá febre
Me come feito homem.

Fevereiro arrepia
os bicos dos meus seios
Abocanha meus sonhos.

Fevereiro tem fome
não tem piedade
Me consome

Fevereiro, me deixa.


VÔO
Adelaide Amorim
[ in Inscrições, em 22/09/2008 ]

abri a janela
e o pequeno silêncio
voou
diluído em luz

Nota do Balaio:
Por enquanto, preferimos
"vôo" a "voo".


Humor potiguar
MÊRDA
Armando Negreiros
[ in Viva a verve!, 2000 ]

Participando de um encontro no Anhembi, em São Paulo, [o advogado mossoroense Raimundo Vicente Borba] ouviu pelo serviço de som a chamada:
- "Os senhores participantes do Grupo Um, dirijam-se, por favor, ao salão Ê".
Borba, estranhando a pronúncia, indagou de uma recepcionista paulista:
- O salão Ê que o locutor falou deve ser o É,
não é mesmo?
- Não, senhor, é Ê mesmo. Aqui só falamos Ê, nós não falamos É.

Borba não perdeu tempo:
- É uma pena. Assim vocês não podem mandar ningém à merda e mandando à mêrda não tem graça nenhuma...

12 comentários:

Hercília Fernandes disse...

Mais uma grande seleção, Moacy!

As vozes femininas, dentre elas configurando a [nossa] Zila Mamede, mais o humor potiguar de Armando Negreiros compuseram um cenário de multividências.

Sem falar na imagem do cartão postal do século XX. Belíssima!

Parabéns por tão elaborada postagem.

H.F.

Francisco Sobreira disse...

Que bom, Moacy, você nos brindar com a poesia de Zila, sem dúvida, um dos mais expoentes nomes da poesia feita no Brasil. Um abraço.

Cosmunicando disse...

Moacy, eu também prefiro os 'vôos' assim com circunflexo, e claro, as 'merdas' bem pronunciadas... rsrs

os poemas são fantásticos, e gosto especialmente do da Martha =)

beijos

adrianna coelho disse...


ah, eu tbm prefiro "vôo"... rs

gostei dos poemas todos, e muito do da muadiê.

beijos, moa!

Ines Motta disse...

Não, Moacy, seu balaio não enlouqueceu.hehehe O que aconteceu foi que eu realmente retirei um vídeo que havia postado no "Objeto", cujo destino era o "Pandora's"
Mas, quem sabe, assim me inspiro e logo, logo, posto outro artigo..
Grande abraço.

Maria Muadiê disse...

Moacy, estou me sentindo muito honrada em participar desse balaio tão porreta! Um beijo e obrigada,
Martha

nina rizzi disse...

incríveis adelaide e martha. tô embasbacada. brbrbrbr...
e que imagem, hein. tu encontra cada pérola...

descobri aqui na cidade-solar uma loja ENORME de quadrinhos... mas eu nunca vi tanta hq junta... tua cara :)

adelaide amorim disse...

:))) Alegria, alegria! Eu no Balaio/ em tão fina companhia!
Beijo!

líria porto disse...

esse balaio é pra lá de porreta!!!
entro nele e acho gente do balacobaco!!

gracias! besos!

(adoro vôo, idéia, lingüiça, doce-de-leite...)

merde!!! risos

Marco disse...

Belos poemas, caro mestre Moacy e um causo delicioso. Eu já tinha reparado que os paulistas falam a letra E de forma fechada. Mas nunca pensei que eles mandam pessoas à mêrda, o que definitivamente, soa esquisito...
Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

Pedrita disse...

adorei. beijos, pedrita

Barbarella disse...

Olá,

gostei muito do seu blog também.

Adoro a arte e a poesia.

O livro é do David Servan-Schreiber,´ele é um médico que teve câncer e relata no livro tudo o que aprendeu sobre como prevenir essa doença.

Poema mesmo só aquele pequeno no qual citei no meu blog.

Irei voltar, irei acompanhar seus posts.

abrços