sábado, 7 de fevereiro de 2009

OS FILMES QUE MARCARAM ÉPOCA
NA CAICÓ DOS ANOS 50

Clique na imagem
para verouvir
uma das cenas mais famosas
do cinema americano dos anos 50:
Burt Lancaster e Deborah Kerr
em
A um passo da eternidade
(Zinnemann, 1953)


BALAIO PORRETA 1986
n° 2561
Rio, 7 de fevereiro de 2009


Exibido no segundo semestre de 1958, no Cinema Pax, A um passo da eternidade mobilizou os caicoenses de forma bastante peculiar: de um lado, por sua temática centrada na guerra; do outro, por sua vertente emotivo-amorosa. A presença de americanos em nossa cidade, residindo num sobrado da Praça Dr. José Augusto, contribuía para as nossas simpatias para a causa dos aliados durante a segunda guerra mundial. O filme parecia - e talvez ainda pareça - refletir com sensibilidade um momento histórico bastante preciso. Para completar, Burt Lancaster sempre figurou na preferência dos cinéfilos de Caicó. Não se pode esquecer, ainda, que 1958 foi um ano de seca terrível em todo o sertão nordestino e o cinema, assim, com sua magia encantatória, cumpria um papel social dos mais expressivos. Afinal, para muitos de nós, a triste visão de rios e açudes sem água, com a terra esturricada pela longa estiagem, não podia sufocar toda uma cidade, por mais que ela, a seca, destruísse a vida de uma parcela considerável da população. O Pax de 'seu' Clóvis não deixava de ser um oásis perdido no meio de tudo aquilo. Éramos alienados e não sabíamos. De qualquer modo, a arte - a que, naquele momento, se expressava no cinema - era uma inesperada peça de resistência emocional.


CINEMA 2009

Vistos em casa:

[R] A aventura *** (Antonioni, 1960)
[R] A marca da maldade *** (Welles, 1958)
[R] Cidadão Kane *** (Welles, 1941)
A mãe e a puta *** (Eustache, 1973)
Antígona *** (Straub & Huillet, 1991)
O diabo, provavelmente *** (Bresson, 1977)
[R] Rio Bravo *** (Hawks, 1959)
[R] Quanto mais quente melhor *** (Wilder, 1959)
[R] O dinheiro ** (Bresson, 1983)
[R] Amarcord ** (Fellini, 1973)
O violino ** (Quevedo, 2005)
Carta de um jovem suicida * (Marcelo Ikeda, 2008), vídeo
Êxodo * (Marcelo Ikeda, 2008), vídeo

Cotações:
*** Excelente
** Ótimo
* Especialmente bom
° Bom/Interessante
[R] Revisão


OS DEZ FILMES QUE O POETA LÍVIO OLIVEIRA (RN)
LEVARIA PARA UMA ILHA DESERTA
[ in Noticiando, de Cefas Carvalho ]

1. A doce vida (Fellini)
2. O poderoso Chefão (Coppola)
3. Sem destino (Hopper)
4. O último tango em Paris (Bertolucci)
5. Amarcord (Fellini)
6. Gritos e sussurros (Bergman)
7. A bela da tarde (Buñuel)
8. Eu sei que vou te amar (Arnaldo Jabor)
9. 2001: uma odisséia no espaço (Kubrick)
10. Deus e o diabo na terra do sol (Glauber Rocha)


POEMA FINAL
Moacy Cirne
[ in Continua na próxima, 1994 ]

o homem só,
velho e cansado,
olha para a frente
e nada vê.
olha para os lados
e nada vê.

entre
o espanto dos sucidas
e
o silêncio dos desamados

o homem cansado,
velho e só,
olha para o poema
e nada vê.

será
que os sinos
dobrarão por ele?

15 comentários:

Marcos disse...

Prezado Moacy:

O beijo de Burt Lancaster e Deborah Kerr, no filme "A um passo da eternidade", é a prova mais clara de que erotismo não vem só dos genitais à mostra. Não se trata de censurar nada mas de cobrar capacidade expressiva, que aquela cena esbanja e a maioria dos pornôs ignora.
Abraços:

romério rômulo disse...

moacy:
e se o homem só for eterno?
não serão necessários os sinos.
romério

Francisco Sobreira disse...

Sem dúvida, Moacy, essa cena é um dos grandes momentos do cinema. Wilder fez uma citação dela em "O Pecado Mora ao Lado". Zinnemann foi um diretor de uma obra-prima ("Matar ou Morrer") e de alguns ótimos filmes, como esse "A Um Passo da Eternidade". Um abraço.

Jens disse...

Dobrarão, Moacy, dobrarão. Mas não já. Num futuro distante, é o que espero para nós.
Um abraço.

Maria Maria disse...

Moacy, fiquei arrepiada ao ler seu Poema Final. Lindo!!!!!
Sim, já "remendei" a data de Luiz Carlos, obrigada pela observação.
Beijos

adrianna coelho disse...


eu que já tenho o livro (percebe meu ar esnobe?! rs), já tinha olhado com admiração para o "poema final", mas mesmo que escrevesse isso no livro, vc não saberia, então escrevo aqui, como se estivesse fazendo minhas anotações na página:

adoro!

beijos, meu querido!

líria porto disse...

obrigada, moacy! belos versos. besos
líria

Eliene Dantas disse...

Só existe homem velho quando a alma se cansa...

Bosco Sobreira disse...

É bom vir aqui e encontrar um poema seu.
Um abraço, caro mestre.

nina rizzi disse...

pró-fundos... amei teu poema final. muito. demais (sou redundante no amor).

Karina Meireles disse...

nada se vê por que o que se tem para olhar em nossa realidade nos tira o ar, nos faz questionar o porque chegamos tão longe
em tudo
por tudo
em todos
o poema
é o que se é
isso nada mais é
que
vontade
essa potência
de ser
o que na realidade
não se
é
...

cansado
e
suicidas
somos
e
não
somos

pois temos o que ninguém mais tem
POESIA
de SER
e
Liberdade de ver!!

bj

Romário Gomes disse...

Belo poema, é verdade. Mas não deve ser o final. Abraço!

nydia bonetti disse...

Em algum lugar haverá sinos dobrando por ele...
Magnífico poema, Moacy!
Bom fim de semana
Nydia

Cosmunicando disse...

o poema é lindo, Moacy.
e a cena do filme, antológica

beijos

Armando Maynard disse...

Caro Moacyr, parabéns pela escolha das fotos - tanto as antigas como as novas - das belas mulheres que ilustram alguns posts. São de muito bom gosto. Quanto ao filme "A um passo da eternidade", lembro do cinema que assistir, mas do filme, só me recordo desta cena antológica, considerada na época, umas das cenas mais eróticas do cinema. Um abraço, Armando [recomentários.blogspot.com]