sábado, 30 de maio de 2009

FILMES QUE MARCARAM ÉPOCA
NA CAICÓ DOS ANOS 50
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uma das cenas finais de
O ébrio
(Gilda de Abreu, 1946)


BALAIO PORRETA 1986
n° 2677
Rio, 30 de maio de 2009

Exibido em Caicó em 1950/51, O ébrio - com Vicente Celestino - conseguiu a proeza de levar ao cinema de Seu Clóvis até mesmo o meu pai. Acredito que em toda a sua vida, Seu Luís não deve ter visto mais de cinco ou seis filmes. O ébrio foi um deles. Por aí se vê como a obra de Gilda de Abreu - o maior dramalhão da história do cinema brasileiro - marcou a vida social e cultural de uma cidade interiorana, na ocasião com aproximadamente 5 mil habitantes. Lembro-me perfeitamente: no final de cada sessão, a começar por Seu Clóvis e suas irmãs, o chororô era geral. A expressão "cinema de lágrimas", que coroaria igualmente alguns títulos mexicanos, não nasceu por acaso. Sem dúvida, trata-se de um filme importante, apesar de suas deficiências técnicas e de sua estética discutível.


Memória 1978
OS MELHORES CONTOS DA LITERATURA MUNDIAL
[ in Revista de Cultura Vozes, Petrópolis - RJ, setembro de 1978 ]

Na opinião de Moacyr Scliar (RS):

1. Despertar (Babel)
2. O nariz (Gogol)
3. Colônia penal (Kafka)
4. Acender um fogo (London)
5. Missa do galo (Machado de Assis)
6. O ousado rapaz do trapézio suspenso (Saroyan)
7. O inimigo (Tchecov)
8. Objetos sólidos (Woolf)
9. Arábia (Joyce)
10. Bontzie, o silencioso (Peretz)


Na opinião de Murilo Rubião (MG):

1. O poço e o pêndulo (Poe)
2. Os exilados de Poker Flat (Harter)
3. Quatro encontros (James)
4. Missa do Galo (Machado de Assis)
5. Acender um fogo (London)
6. Bola de sebo (Maupassant)
7. A luz da outra casa (Pirandello)
8. Os assassinos (Hemingway)
9. O capote (Gogol)
10. Uma rosa para Emily (Faulkner)

Segundo José Paulo Paes (SP):

A queda do Solar de Usher (Poe)
O grande inquisidor (Dostoiévski)
Um conto de Natal (Dickens)
Olhos mortos de sono (Tchecov)
O homem de areia (Hoffmann)
A escrita de Deus (Borges)
Fricassé astrológico (Miller)
Um artista da fome (Kafka)
O retábulo de Santa Joana Carolina (Osman Lins)
5.271.009 (Bester)


Segundo Nei Leandro de Castro (RN):

1. Olhos mortos de sono (Tchecov)
2. Meu tio o iauaretê (Guimarães Rosa)
3. Uns braços (Machado de Assis)
4. O aniversário da princesa infanta (Wilde)
5. Folhas vermelhas (Faulkner)
6. O último bom lugar (Hemingway)
7. Um dia ideal para os peixes-banana (Salinger)
8. O colar de brilhantes (Maupassant)
9. Infância de um chefe (Sartre)
10. A lição de canto (Mansfield)

Segundo Tarcísio Gurgel (RN):

Missa do Galo (Machado de Assis)
Auto-estrada do sul (Cortázar)
Os funerais da Mamãe Grande (Márquez)
Episódio do inimigo (Borges)
A terceira margem do rio (Guimarães Rosa)
Kaschtanka (Tchecov)
Escaramuça contra Sartoris (Faulkner)
O piano (Aníbal Machado)
Torotumbo (Astúrias)
A morte de D.J. em Paris (Roberto Drummond)

Segundo Benedito Nunes (PA):

1. A lenda de São Julião, o hospitaleiro (Flaubert)
2. Olhos mortos de sono (Tchecov)
3. A morte de um cavalo (Tolstói)
4. Cocorico! (Melville)
5. Cantiga de esponsais (Machado de Assis)
6. Casa tomada (Cortázar)
7. O grande passeio (Clarice Lispector)
8. Turpid smoke (Nabokov)
9. The chinago (London)
10. A terceira margem do rio (Guimarães Rosa)

Segundo Gilberto Mendonça Teles (GO/RJ):

1. O violino de Cremona (Hoffmann)
2. O barril de amontilado (Poe)
3. O colar de brilhantes (Maupassant)
4. O Dr. Sabe Tudo (Maugham)
5. A igreja do diabo (Machado de Assis)
6. Angústia (Tchecov)
7. O ferreiro da catarata (Mikhaszáth)
8. O machado (Quiroga)
9. Desenredo (Guimarães Rosa)
10. Verão (Cortázar)

Na opinião de Antônio Torres (BA/RJ):

1. O alienista (Machado de Assis)
2. A hora e vez de Augusto Matraga (Guimarães Rosa)
3. Folhas vermelhas (Faulkner)
4. Uma rosa para Emily (Faulkner)
5. A curta e feliz existência de Francis Macomber (Hemingway)
6. O fim (Borges)
7. O homem da esquina rosada (Borges)
8. Balada do café triste (McCullers)
9. O perseguidor (Cortázar)
10. Babilônia revisitada (Fitzgerald)

Na opinião de Francisco Sobreira (CE/RN):

Missa do Galo (Machado de Assis)
A causa secreta (Machado de Assis)
Continuidade dos parques (Cortázar)
Casa tomada (Cortázar)
Viagem aos seios de Duília (Aníbal Machado)
A terceira margem do Rio (Guimarães Rosa)
O encontro (Borges)
Porque somos muito pobres (Rulfo)
Uma rosa para Emily (Faulkner)
Mademoiselle Perle (Maupassant)

Na opinião de Moacy Cirne (RN/RJ):

1. A biblioteca de Babel (Borges)
2. A cor que veio do espaço (Lovecraft)
3. O flautista (Bradbury)
4. William Wilson (Poe)
5. Uma ocorrência na ponte de Owl Creek (Bierce)
6. Uma odisséia marciana (Weinbaum)
7. Em memória de Paulina (Casares)
8. A terceira margem do rio (Guimarães Rosa)
9. A cidade do tempo (Ballard)
10. Aqui há tygres (Bradbury)


POEMA
Li Tai Pô
[ in Germina Literatura ]

Na vida
é preciso tanto seriedade
quanto delírio.
Se tiveres mais de um pão,
vende um
e compra um lírio.

10 comentários:

Cosmunicando disse...

e o cinema todo em lágrimas... que tempos de inocência né =)

as listas são uma ótima referência, como sempre!

beijos madrugais

Dalva disse...

Gostei. Queria ter vivido nessa época!
Nosso blog irá te acompanhar!
bjos

Lívio Oliveira disse...

Importante, esse guia de contos.

Francisco Sobreira disse...

Caro Moacy,
A minha lista creio que foi publicada na "Vozes", quando você trabalhava por lá. Deve ter sido na década de 1970. Se fosse fazer uma nova , tiraria uns 2 ou 3 títulos daquela, substituindo-os por outros, que, na época, não conhecia. Um desses, certamente, seria "Um dia ideal para peixes-banana", que foi citado por Nei. E que beleza de poema esse do chinês. Um grande abraço e obrigado pela inclusão do meu nome entre os autores das listas.

Mirse disse...

Bom Dia, Moacy!

Essa música ainda se faz presente.
Sempre a ouvi, mas não tinha visto o filme. Achei chocante algumas cenas, como a da criança sem nada entender arrumando sua roupinha. Gosto de filmes antigos. Muito bom!

O poema de Li Tai Pô, maravilhoso!

As referências literárias são ótimas. Na sua , por exemplo há tres autores que sempre leio : O Poe, o Borges e o Guimarães Rosa.
Machado de Asssis acredito que todos leram a encilopédia.
Mas é sempre bom ter um referencial.

Muito bom o Balaio de hoje!

Beijos

Mirse

Jens disse...

Oi Moacy.
Não foi só em Caicó, O ébrio também mobilizou os sentimentos mais nobres da comunidade ipanemense. Durante a exibição, um rio de lágrimas lavava os corredores do Cine Ipanema.
Um abraço e bom sábado.

BAR DO BARDO disse...

grande moacy cirne!

filme que nunca vi, mas já tive oportunidade de cobrir uma e outra cena. ocorre que meu pai sempre inventava de cantar o refrão "celestino" e, portanto, o ébrio é uma referência visceral no meu espírito.

à parte isso (ou até por isso!) meu pai entrou no AA antes dos 30, e eu, com 43, estou quase conseguindo...

um abraço.

Beti Timm disse...

Mestre querido, minha mãe debulhava-se em lágrimas toda vez que comentava do Ébrio! Naquele tempo as almas eram mais sensíveis, não querendo falar como uma velhinha saudosista...rs

Beijos carinhosos

Ps.: não sei se vc, gosta, mas não resisti: tem selinho pra ti lá no Rosa. Se quiser pega, senão guardo com carinho pra você.

Francisco Sobreira disse...

Moacy,
Revendo agora a sua postagem, está mais do que claro que as listas foram publicadas na "Vozes" em 1978. Eu é que não vi, provavelmente por pressa. Um abraço.

Dalva disse...

Moacy, sou de Caicó e moro aqui mesmo. O blog é de um amigo Português que me convidou para colaborar com fotografias. Inclusive, até já conversei com você uma vez na Casa de Cultura de Caicó, acho que era o lançamento do livro de Prof. Muyrakitan.

Um abraço!