domingo, 14 de junho de 2009

OBRAS-PRIMAS DO CINEMA
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o trêiler de
Kes
(Ken Loach, 1970)


BALAIO PORRETA 1986
n° 2692
Natal, 14 de junho de 2009

A militância político-cinematográfica de Ken Loach já é bastante conhecida. Haja vista o exemplo de Terra e liberdade, dos anos 90. Com propriedade, o diretor inglês, nascido em 1937, afirmou em certa ocasião: "É importante dar voz a quem, em geral, não tem o direito de falar ou se tornou não-pessoa". Mas o seu melhor filme - em nosso entendimento -, embora realizado em 1969 e lançado em 1970, continua pouco conhecido entre nós: trata-se do sensível Kes, a história de um garoto de família pobre, extremamente arredio e solitário, com dificuldades de relacionamento com os colegas e os adultos, que se apega - de forma quase visceral - a um gavião. Um filme comovente, sob vários aspectos.


UM POEMA
de
Maria Maria
[ in Espartilho de Eme, em 19/08/2008 ]

Pousando
Já fiz a boa ação de hoje.
Já fui cortesã por uma noite
e já fui borboleta
em pétala de girassol.

sobre o vazio
Agora não me restam mais
dedos. Eles já sucumbiram
de solidão.


OS EVANGÉLICOS E A CIDADANIA GLS
Marcos Silva
[ in Substantivo Plural ]

A atitude de evangélicos (e seguidores de outras linhas religiosas ou até gente não-religiosa) contra a cidadania para a população GLT é patética. Eles agem como se a garantia de direitos resultasse em impor práticas GLT para o resto da população! A maior parte dos cidadãos GLT que conheço tem convívio social (às vezes amizade profunda) com pessoas de outras orientações eróticas e afetivas. A insegurança daqueles inimigos da cidadania ampliada é um equívoco político talvez apoiado em dificuldades psicológicas superáveis. É muito ruim que essas dificuldades se misturem com intolerância - mirem-se no exemplo do holocausto nazista.

12 comentários:

Jens disse...

Oi Moacy.
Domingão, dia de colocar a leitura em dia (enquanto o Glorioso dos Pampas não entra em campo para mais uma jornada vitoriosa). Assim, deixo registrado meu aplauso para a comovente autocrítica do Senhor das Alturas. Quanto aos filmes de bangue-bangue, além de fazer a alegria dos meus tempos de piá em Ipanema, foram fundamentais para a formação do meu caráter: até hoje acredito que o mocinho vence no final. Apesar das evidências em contrário.
Um abraço.

Jens disse...

Ah, sim: abaixo o preconceito!!!

Cosmunicando disse...

é... mirem-se no exemplo, bem disse o Marcos Silva.

o poema sobre o vazio, de Maria, é algo fora do comum =)

bom domingo, Moa
beijo

Mirse disse...

Oi Moacy!

Nada mais comovente que "KES". Este foi um dos que mais me chocou, pelo não direito que Kes tinha às respostas que ele continha no mais profundo silêncio e que resultava num determinado comportamento.

Brilhante a atuação do diretor e ator.

Maria Maria detonou em "sobre o vazio! Parabéns a eela!

Será que em tudo hoje em dia investem na intolerância? Separam alguns como "cristo" para analisar a maioria?

Deixo aqui meu protesto.

Bom domingo!

Beijos

Mirse

Flávio Corrêa de Mello disse...

Olá Moacy,
Muito bacana essa série sobre cinema que você está trazendo para seus leitores. Já assisti Kes, Terra e Liberdade do Ken Loach. Parabéns e bom domingo.

Sergio Andrade disse...

Kes é belíssimo, assim como outro filme menos conhecido ainda por aqui: Vida em Família. Terra e Liberdade também é excelente.
Um abraço!

Maria Maria disse...

Oi, Moacy!

Obrigada pela homenagem!! eu gosto muito desse poema. Na verdade, são dois em um só. O título é: Pousando sobre o vazio. Então em subtitulei para quebrar a ordem.

Beijos e obrigada,

Maria Maria

BAR DO BARDO disse...

Cara, não conheço o cineasta - assim como sou ignorante em várias outras frentes... Bem, mas as dicas e textos continuam no padrão. Padrão de excelência.

Francisco Sobreira disse...

Não conheço, Moacy, esse filme. Mas deve ser bom. E Loach é um cineasta talentoso. Um abraço.

Dilberto L. Rosa disse...

Passemos longe desse preconceito pseudo-religioso, mas também não acatemos o chato-porre do politicamente correto de encarar excessos porque assim tem que ser: sigo com a opinião de Rogéria e Ney que paradas e outros modismos são uma babaquice e vão na contramão de quem quer ser respeitado pelas diferenças, sem lhe ser imposto, mas também sem impor nada...

Perfeita a lista dos Westerns, meu caro! Faltaria "Shane", eu fico a me perguntar... Meio gay aquele garotinho chato gritando no final "Shaaaane!!!"... É, não faltou nenhum, não! Rs. Abração!

Márcio or not Márcio disse...

Fui digitar "Balaio Porreta" no google, ai apareceu "Vanguarda" como sugestão de busca.

Marcos disse...

Dilberto:

Obrigado pelo comentário sobre "preconceito pseudo-religioso" em relação aos direitos GLT. Penso que a questão ultrapassa os limites do politicamente correto. Direitos são conquistas humanas importantes. Paradas e similares não têm o poder de impor nada - uns participam, outros assistem, outros ignoram. Leis têm esse poder.
Evidentemente, o problema em discussão existe junto com outros merecedores de atenção. Rogéria e Ney (artistas talentosos) têm poder suficiente - visibilidade, acesso a amparo profissioanl - para dispensarem garantias legais específicas e enfrentarem preconceitos (Ney processou uma revista que anunciou sua suposta condição de portador de aids). Outros setores da população
GLT não têm o mesmo poder.
Abraços:

Marcos Silva