quinta-feira, 23 de julho de 2009


Currais Novos vista de perto
Foto:
Alexandro Gurgel


BALAIO PORRETA 1986
n° 2731
Rio, 23 de julho de 2009

Sempre acreditei carregar o Seridó em mim, filho pretensioso: pele, veias, músculos, intestinos. Mas se o Seridó sou eu, por que me faço tanta falta agora?

Nota do Balaio:
O poeta curraisnovense Theo G. Alves
acaba de se transferir para Santa Cruz,
igualmente no Rio Grande do Norte,
mas já fora dos limites do Seridó.


Poema de
Lou Vilela
in
O Gato da Odete & Nudez Poética


AMOR É VERBO?
Henrique Pimenta
[ in Bar do Bardo, em 20/2/2009 ]

Amor é de que verbo, de que som?
Dicção com ar soberbo, ou da perifa?
Nação para o meu berço, pelo dom?
Noção para o meu verso? Que patifa-

Ria vocabular emerge com
Saliva para o lar que o ar borrifa
Na lata deste eleito, dando o tom
De dar soco na cara, ao menos bifa?

Eu sou esse de amar e amarelar
O dito por não dito, na pressão,
Silêncio logo após o "Vou falar"...

Parece um mal-estar em meio a um crime...
Parece um sussurrar do coração:
"Amor que me sustenta e me reprime".

NO QUARTO
Maria José Mamede
[ in Maria Cabocla, em 16/4/2009 ]

No quarto
sombras de alegrias e tristezas
povoam paredes
cobrem rostos
dos retratos do tempo.


POEMA
de Armando Freitas Filho
[ in 3x4. Rio, 1985 ]

Beijo
sua boca
de
baixo.
Seus bellos cabellos
molhados.
Beijo tanto e tão
com a cara toda
enfiada e cega
sem ver nada com os olhos
mas com a língua inteira.


ESTAÇÕES
Antonio Carlos de Brito / Cacaso
[ in Beijo na boca. Rio, 1975 ]

Do corpo de meu amor
exala um cheiro bem forte.

Será a primavera nascendo?


A arte de
Kevin Van Aelst
via
Civone Medeiros

24 comentários:

nina rizzi disse...

bom dia :) que indo poste, a começar pela citação-poema do théo, porque nso fazemos tamanha falta?

tudo muito bem seguido peo bardo (e como barda), a lou, o cacaso, armando sempre boas coisas aqui.

e que fecho com a minha maçã. ela deve apodrecer.

beijo :)

Mirse disse...

Bom dia, MoacY!

Bela imagem de Alexandre Gurgel!

Theo G Alves, que beleza de texto!

Destaco Lou Vilela e o mestre dos sonetos, Henrique Pimenta!

Beijos

Mirse

BAR DO BARDO disse...

Olá, Mestre Moa!

Agradeço a oportunidade de figurar entre tantas feras.

Um abraço!

Mirse disse...

Voltei por esquecer de prestigiar a ARTE.

KEVIN VAN AELST! Parabéns, guardarei esse nome. Belíssima a imagem dos mapas e do BRASIL na maçã do amor!

Parabéns!!!!!!

Voltei também para prestigiar o querido amigo poeta e tudo mais que a títulos lhe cabe, HENRIQUE PIMENTA
Nosso grande sonetista, sempre de bom humor?!

Beijos

Mirse

Batom e poesias disse...

Adorei os poemas. Todos! Assim como as artes.

Mas destaco o soneto do Mestre Pimenta, que deita e rola nesse estilo.

Bjs
Rossana

mario cezar disse...

tua palavta, de romã, quando despenca

Nydia Bonetti disse...

Gosto desta mistura eclética do balaio, Moacy. Do doce ao apimentado, um pouco de tudo, muito de todos... Bom estar na feira. :)) beijinho.

Dilberto L. Rosa disse...

E viva os cheiros do Seridó e do Nordeste como um todo, cheio dessa gente talentosa de meu Deus! Abração do tamanho do mundo desta maçã!

pituleira disse...

Moacy, todos os poemas são porretas.A imagem da Igreja de Currais Novos é linda.

Michelle Crístal disse...

Hoje foi de tudo um pouco em de um pouco tudo...Fica admiração!

Fatima disse...

Gostei de todos os poemas, principalmente o do Henrique.
Bjs.

Mme. S. disse...

Post bom da cabeça aos pés!

tania não desista disse...

sou passageira,muitas vezes,do balaio.
sempre carrego emoções...dessa mistura de artes.nele,todos tem vez! bendita mistura...onde aprendemos e apreciamos o melhor.
moacy...hoje,bati meu ponto, aqui!
o balaio é muito interessante!.
bjos
taniamariza

Theo G. Alves disse...

rapaz, deu ainda mais saudade de casa.

essa semana voltei a currais novos pra resolver pendencias, dar um beijo na avó, na mãe e nas tias. a sensação é de que a cidade já era outra.

lembrei do cinema paradiso.

muito obrigado pela generosidade de sempre. um grande abraço!

Adriana disse...

Tudo demais, não há como não gostar dos sonetos do bom Bardo e a delicadeza da Lou.

Lívio Oliveira disse...

Concordo com Sheyla: o post está bom do começo ao fim!
Abs.

Lívio Oliveira disse...

Concordo com Sheyla: o post está bom do começo ao fim!
Abs.

Lou Vilela disse...

Algumas pessoas queridas costumavam circular por Currais Novos... Bateu saudades!

Que maravilha "cair" nesse balaio, minino! ;)

Agradeço a todos pelos gentis comentários.

Abraços,
Lou

Marco disse...

Caro mestre Moacy,
os poemas são mui belos. especialmente o do nosso amigo Theo (já comentei este verso no blog dele).
As imagens escolhidas são bonitas. mas esse mapa-mundi na maçã me chamou a atenção: A groenlândia não está muito grande?
Carpe Diem. Aproveite o dia e a vida.

vais disse...

Saudações Moacy,
esta foto com uma perspectiva inclinada, a arte na maçã comida mundi, quiduca
e os poemas, as poesias, ditos, escritos,
Estações, Poema, uaaauu,né?
Gostei do Ruminante de Lou e do escrito do Theo
e também o de Maria e do Henrique

em tempo, li a entrevista lá n'o teorema da feira, grande entrevista, em palavras e grande de porreta, gostei disto:

"Minhas contradições são minhas e é com elas que tento trabalhar minhas coerências diante da vida e da arte."
tudo de bom pra vocês, você, Lívio

mexendo numas agendas antigas encontrei o que vai e achei que cabia:

Quando imagino
Há quanto tempo...
Já ia repetindo orações
Não que toda manhã
às vezes, as repita
ou ore
reze
ou simplesmente, as fale
Guardar...
Nem sempre a gente
dá conta de guardar
tudo
Uns guardados se prestam apenas por um momento
Admiro os guardadores das tantas palavras

beijo prati

José Carlos Brandão disse...

Variações sem jeito,
vario Henrique Pimenta
e se me arde a língua.

Amor não é verbo
porque se cala quando e onde
mais fala o silêncio.

Do amor qual a dicção?
A soberba, da perifa?
Fala amor com êxtase.

Sem nação seu berço,
também sem noção seu verso.
Amor cria amor.

Que é amor afinal?
Amor é um soco na cara,
parir flor da dor.

Quem ama amarela?
Amar é se envergonhar
de dar, dar e dar.

Amar é um crime
sem perdão, sem culpa ou dolo:
mata ou abandona.

Amor que não mata
quem ama não é amor.
Só quem ama mata.

líria porto disse...

viva o bardo, viva a lou, viva o moa, viva o brasil, viva o pecado original!!!
besos

Alex Gurgel disse...

Fico feliz por fazer parte de um post tão seleto com tanta gente boa e arteiras. Grande abraço

Pedrita disse...

adorei a imagem dessa maçã. beijos, pedrita