sábado, 10 de outubro de 2009

FILMES QUE MARCARAM ÉPOCA
NA CAICÓ DOS ANOS 50
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o trêiler de
O homem do terno branco
(Alexander Mackendrick, 1951)
Crítica social que atinge o capitalismo de forma sutil a partir da ganância da indústria têxtil. Com toques de comédia dramática, tem em Alec Guiness - no papel de um químico que inventa um tecido que não se suja, não se rasga e não se desgasta - o ponto alto de um elenco (quase) impecável. Exibido em Caicó em 1955, causou estranheza entre nós por ser um filme de ação diferenciada, fora dos padrões do cinema que aprendêramos a amar. Em tempo: trata-se de uma produção inglesa.


BALAIO PORRETA 1986
n° 2807
Natal, 10 de outubro de 2009

como enganar a verdade das feridas?
(Mário CÉZAR. De almas trincadas, in Coivara)


QUANDO NASCI
Romério Rômulo

1.
quando nasci
uns bêbados diziam de eu ser cavalo,
um porco do cerrado,
um cachorro do mato.
bebi todos os copos que me abriram,
resvalei nas puras tempestades,
interpretei o ranço do silêncio.
bastardo da vida, fiz sobrar meu rasos.

2.
os rios me interrogaram de águas,
rasgaram minha garganta de luzes.
quantos peixes nadaram minha cara de cão?
mesmo plantas, do mato todas, se disseram de mim.
sobrou – da memória- a solidão vazada.

(( do livro Per Augusto & Machina ))


CADA UM TEM A PASÁRGADA QUE MERECE
Inês Mota
[ in Objeto Obscuro ]

Tô pensando em ir embora.
Dia e noite era essa cantilena, queixando-se que sentia saudades da sua terra, uma pequena cidade praieira nos cafundós do Ceará.
Amiúde tinha uns banzos medonhos relembrando dos amigos, das aventuras, dos banhos de rio e de mar e das pescarias, dos sons da cidade. De andar de bicicleta, dos dias ensolarados, das serestas em lua cheia. De montar um burro brabo, da festa do Bom Jesus, da comida caseira e das histórias de sua mãe.
Era um homem jovem e saudável e teria vivido muito não fosse a estupidez de incluir no rol dos saudosismos a primeira namorada e as memoráveis farras com as meretrizes da cidade.
Agora, escuta o som do silêncio e os carpidos de sua mãe.
Justa que sou, permiti que fosse enterrado onde queria viver.
Cada um tem a pasárgada que merece.


KIANDA
Filipe Zau (Angola)
[ in Cores & Palavras ]

Minha senhora sereia
Dona das águas
Jovem rainha zangada
Com pescador
Na dor.

Come do pão dos meus filhos
Bebe do meu vinho
E deixa-te enfeitar
Com a minha rede sem peixe.

Meu rendilhado
Está consertado
A chama do mar
É teu abraço
Minha rede dorme na areia
A chama apagada da casa
É minha fome.



Natal
RECOMENDAMOS O ANTICRISTO

Entrou em cartaz, numa das salas do Cinemark, no xópim Midivaimal, em Natal, o polêmico filme Ancristo, de Lars Van Trier, o mesmo diretor de Dogville. Com cenas de violência e automutilação, trata-se de uma realização - entre o horror, a beleza e o desespero existenciais - para ser amada ou odiada, nunca para ser ignorada. Sessão única, às 14h.

8 comentários:

Bené Chaves disse...

Moacy: certamente em uma reapresentação, 'O homem do terno branco' foi exibido aqui em Natal em outubro de 1961 no cine Nordeste, de saudosa memória. Eu o assisti no dia 12 e na época achei um bom filme.

Um abraço...

Henrique Pimenta disse...

Bons textos, bom cinema, excelentes dicas!

assis freitas disse...

Versos caprichados, como sempre. Vou ver o Anticristo. Feriadão começando.

Francisco Sobreira disse...

Não conheço, Moacy, esse filme, mas ja li/ouvi ótimas referências a ele. Naquela época, o cinema inglês vivia o maior período de sua existência, já começando nos anos 1940. E Alec Guinesse, grande ator, participou desse brilhante período, entre outros filmes, como "As 8 Vítimas" e "Quinteto da Morte". Um abraço.

Cosmunicando disse...

belezura de balaio, moa!
bom feriadão procê :)
beijo

Pedrita disse...

ah, eu não vi o homem do terno branco. anotadíssimo! beijos, pedrita

nina rizzi disse...

belo balaio, moacy, como de praxe.
aproveito pra deixar o link:
http://superverme.blogspot.com

um beijo.

Ines Motta disse...

Olá, Moacy.
Também não vi "O Homem do terno branco". Tá anotado aqui na agenda, bem como o polêmico "Anticristo".
Obrigada pela publicação do meu conto.
Beijooooossss!