sábado, 17 de outubro de 2009

FILMES QUE MARCARAM ÉPOCA
NA CAICÓ DOS ANOS 50
Clique na imagem
para verouvir o trêiler de
No rastro da Bruxa Vermelha
(Edward Ludwig, 1948-49)
Exibido em Caicó por volta de 1954, o filme estrelado por John Wayne e Gail Russell contém todos os elementos de uma aventura no mar que extrapola as próprias virtualidades da "caça ao tesouro" no século XIX. Em 1860, o capitão interpretado por John Wayne, de forma deliberada, afunda o navio que comanda (o "Bruxa Vermelha" do título), de propriedade de uma companhia mercantil. Decerto, há um plano para o capitão e seus amigos de confiança recuperarem em segredo a carga de ouro que carregavam, no valor de 5 milhões de dólares. Na verdade, para todos nós, No rastro... era uma produção fascinante. Estranha e fascinanre.


BALAIO PORRETA 1986
n° 2814
Natal, 17 de outubro de 2009

O Rastro da Bruxa Vermelha, de Edward Ludwig, com John Wayne, Gail Russell, Luther Adler e Gig Young, de 1949, é a mais bela de todas as aventura nos mares. Será mesmo ou é só na minha imaginação? Em Porto Alegre, havia um crítico que foi muito importante (morreu há alguns anos). Jefferson Barros possuía grande cultura e erudição e era dotado de uma sensibilidade com a qual me identificava. Amávamos Visconti, Losey e Godard, os westerns mais que os musicais, e um dos nossos assuntos preferidos era o grande filme do Edward Ludwig. Eu adorava a história de caça ao tesouro, a complexidade das relações entre personagens e o tema do amor maior que a vida, mesmo que o roteiro me parecesse um pouco confuso (e isso, na verdade, era um dos charmes do filme).
(Luiz Carlos MERTEN, in Blog: Uma geleia geral a partir do cinema)


CAIXA DE COSTURA
Adriano de Sousa
[ in Saartão, 2004 ]
para José Bezerra Gomes

com agulha
e linha se faz
o bordado

ou um poema

no delicado
pano
da página


VIÉS
Carlos Gurgel
[ in Aurora ]

venho do véu da vida
como quase tudo que advém
da palavra e do gesto

tipos são tão tontos e tantos
como tudo que sobra
e se elastece de nós e liames

uma formosa fúria e fantasia
grassa a massa que procura
por rostos e versículos salvadores

feito fécula que fere e finda
tão absolutamente silêncio e desperdício
uma rocha que abre e fecha séculos

ou mesmo ou menos missão
passeio de barco no olimpo da noite
assim como a humana bestialice das nossas lágrimas

e o arrastão do amanhã amanhece
tal qual pêndulo que vagueia faróis
isso tão pobre assim de uma legião inteira.


RENÚNCIA
Hercília Fernandes
[ in Retrato de Helena, 2005 ]

Cortarei as asas das borboletas
Para que fiquem imóveis.
Para que não pousem levianas,
Fazendo ciranda, em alheios móveis.

Cortarei as asas das borboletas
Para que não percam a cor e a beleza.
Para que não busquem néctar nas flores;
Para que não vivam por vãos amores.

Cortarei as asas das borboletas
Para que definhem até a morte.
Para que mudem o seu destino e a sua sorte.

Cortarei as asas das borboletas
Para que morram sentindo as dores
Pela ausência que jaz, o néctar das flores.


Repeteco
DOIS SERTANEJOS E UM AVIÃO
[ in Em alpendres d'Acauã;
conversa com Oswaldo Lamartine de Faria, 2001 ]


Aconteceu por volta de 1951-52, no interior do Maranhão.
A história é contada pelo potiguar
Oswaldo Lamartine de Faria.
Num campo de pouso
dois sertanejos observavam,
"desconfiados e curiosos",
um avião bimotor, com 10 lugares
e bastante espaço
para coisas e mais coisas, pronto para levantar vôo,
depois que o piloto e os passageiros voltassem a seus lugares.
Mas vamos ao relato de Oswaldo:


"O comandante voltou à cabine, subiram os passageiros,
aeronave na cabeça da pista, aceleração, corrida e decolagem.

Aí um disse para o outro:

- Cumpade, cuma é que aquele condenado assobe cum todo
aquele peso?!!!

- E você não viu? Ele toma carreira desembestada inté faltá
terra nos pés...".


MAIS UMA ENTREVISTA EXCLUSIVA COM CHICO DOIDO DE CAICÓ

Estamos tentando, para os próximos dias,
diretamente do Plano Astral 6969/69,
mais uma entrevista exclusiva com o popular Chico Doido de Caicó.
Na ocasião, o Balaio abordará unicamente dois assuntos:
1. A candidatura de Bibica de Barreira, pelo PBF
(Partido do Bar de Ferreirinha), para o Governo do Rio Grande do Norte;
2. A palpitante questão da "tulipa sexual" - prática erótica
de origem tapuio-seridoense. Clique aqui para maiores detalhes.

ALGUNS NOMES PARA A DANADA DA CACHAÇA

Abre, abrideira, a-do-ó, água-benta, água-bruta, água-de-briga, água-de-cana, água-que-gato-não-bebe, água-que-passarinho-não-bebe, águas de setembro, aninha, a-que-matou-o-guarda, arrebenta-peito, azougue, borbulhante, boresca, branca, branquinha, brasa, brasileira, caiana, calibrina, cambraia, cana, cândida, canguara, canha, caninha, canjebrina, canjica, capote-de-pobre, catuta, caxaramba, caxiri, caxirim, cobertor, cobreira, corta-bainha, cotréia, cumbe, cumulaia, danada, delas-frias, dengosa, desmancha-samba, dicionário, dindinha, dona-branca, elixir, engasga-gato, espírito, esquenta-por-dentro, filha-de-senhor-de-engenho, friinha, fruta, gás, girgolina, gole, gororoba, gorobeira, gramática, guampa, guarda-chuva, homeopatia, imaculada, já-começa, jeribita, jurubita, jinjibirra, jora, junça, jura, legume, limpa, lindinha, lisa, maçangana, malunga, malvada, mamãe-de-aruana, mamãe-de-luanda, mamãe-sacode, mandureba, marafo, marato, maria-branca, mata-bicho, mé, meu-consolo, minduba, miscorete, moça-branca, monjopina, montuava, morrão, morretiana, mundureba, óleo, orontanje, panete, parati, patrícia, perigosa, pevide, pilóia, pinga, piribita, porongo, prego, pura, purinha, quebra-goela, quebra-munheca, rama, remédio, retrós, roxo-forte, saideira, samba, sete-virtudes, sinhaninha, sinhazinha, sipia, siúba, sumo-de-cana, suor-de-alambique, táfia, teimosa, terebintina, tiquira, tiúba, tome-juízo, trago, três martelos, uma, uminha, urina-de-santo, xinapre, zuninga.

14 comentários:

líria porto disse...

tulipa roxa... quem sabe alguma das putas resolutas faz? risos

mas antes, a entrevista com chico doido!!

besos

porre
líria porto

tropeçou na vida cedo
entornou a sua taça
então bebeu no gargalo
a cachaça de primeira
de segunda de terceira
sorveu álcool gasolina
bagaceira calibrina
e por um triz não trombava
na dose de estricnina

*

Iara na Janela disse...

poema lindo de adriano!

bela postagem me amanheceu por dentro!

beijos...

Manoel de Oliveira Cavalcanti Neto disse...

Cachaça e seus inúmeros sinônimos tem denominações que usamos e se perdem porque seja qual for a que criarmos seremos entendidos. É so tentar um vocábulo e testar.

Francisco Sobreira disse...

Moacy,
Não conheço esse filme. Gail Russel, um bela atriz, de carreira efêmera, fez um outro filme com Wayne. Um western, do qual não me lembro qual é o diretor. O título é algo assim como "O Anjo e o Bandido". Algo parecido. Um abraço.

romério rômulo disse...

moacy:
creio que a questão sucessória
do rn passe pelo esclarecimento da tulipa roxa. o chico doido deve dominar o tema.
um abraço.
romério

bordadosdemim disse...

Olá, Moacy!

Você sempre a nos brindar com arte e poesia. Confesso esse filme eu desconheço e jamais ouvira falar até então,mas agora fiquei curiosa! Quanto aos poemas, excelentes, o primeiro, no entanto, calou mais fundo em mim...

Obrigada por nos trazer sempre coisas tão belas

Beijos

Jens disse...

Bah, Moacy, a tulipa roxa me deixou em ponto de bala. Não vou sossegar enquanto não descobrir o que é (e experimentar, é claro). A cambada do Bar do Alemão ficou excitada, inclusive a assanhada da Marisinha. Todos aguardam ansiosamente que o CDC, mestre de todos nós, desvende o mistério. Agora com licença que vou tomar uma mandureba. Salut!

Um abraço.

PS: como faço pra me filiar no PBF?

romério rômulo disse...

moacy:
no " bar de ferreirinha " a nina
rizzi informou sobre a tulipa.
desconfio seja ela o alter ego do chico doido. desde já peço esclarecimentos.
romério

Assis Freitas disse...

To bebinho lendo os nomes da mardita, e porque hoje é sábado vou ao bar. Fui.

Adriana Godoy disse...

Eta! Que delícia. Gostei dessa nomaiada toda da branquinha...vale a pena tomar uma, porque hoje é sábado.

PS: Acho que o Romério Rômulo tem razão(rs).

Tahiane disse...

Adorei "caixa de costura" do Adriano de Souza. Parece que a gente fala bordando : ]

Bar de Ferreirinha 50 anos, desde 1959 disse...

Jens escreva para o Bar,pronto, já está filiado,Moacy abona sua ficha.Romério, Nina ainda não esclareceu o assunto da tulipa roxa.Liria chegou perto.Esse papo quem vai resolver é chico doido mesmo.Vamos aguardar a entrevista.Pituleira.

Mirse Maria disse...

Não conhecia o filme! Lindo!

Poemas de igual forma, belíssimos. Destaco Viés de Carlos Gurgel e Renúncia de Hercília.

O repeteco valeu. Assim como a entrevista com Chico Doido!

Parabéns, Moacy!

Aos poucos me atualizo.

Beijos

Mirse

Adrianna Coelho disse...


Ah, foi aqui que tudo começou... rsrs