domingo, 18 de outubro de 2009

OBRAS-PRIMAS DO CINEMA
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os 10 minutos iniciais de
Hiroshima meu amor
(Alain Resnais, 1959)
Eu já li tudo sobre Hiroshima. Tudo. Tudo. Não, não. Você não leu nada sobre a interpretação de Emannuelle Riva. Sobre a história de Marguerite Duras. Mas eu já vi Hiroshima mais de 10 vezes. Mais de 20 vezes. Mais de 30 vezes. Não, você não viu Hiroshima. Não viu a fotografia de Vierny & Michio. Não ouviu a música de Delerue & Fusco. Não sentiu a montagem de Colpi e dos outros. Eu vi Hiroshima, sim, vi em Natal, no Rex. Vi no Rio, na Cinemateca, várias vezes, várias vezes. Só não o vi em Caicó. Só não o vi em Jardim do Seridó, em São José do Seridó. Mas eu vi, eu vi: seu canto de amor e morte. O soldado alemão. O sangue do soldado alemão. Eu vi. Resnais, Godard, Antonioni. Eu vi tudo. Não, você não viu. Não viu Hiroshima. Não viu Nevers. Eu vi. Eu vi. Eu vi o horror da guerra. Vi a esperança da paz. Vi as pessoas protestando contra a bomba atômica. Eu vi. Eu vi. Senti a memória, vivi o passado. Depois, eu vi Marienbad. Eu vi. Eu sou Hiroshima, você é Nevers. Nevers em Hiroshima.


BALAIO PORRETA 1986
n° 2815
Natal, 18 de outubro de 2009

Hiroshima é um filme sobre o desespero tanto da lembrança quanto do esquecimento. As duas coisas podem enlouquecer, assustam: não conseguir esquecer e não conseguir lembrar. Essas são as fases sucessivas do drama da personagem de Riva, que tenta desesperadamente se definir em relação ao que ela é em Hiroshima e ao que era em Nevers. Ficar no meio do caminho é que o perigo: é necessário abandonar essa meia-luz existencial, escolher entre permanecer na noite ou sair para o dia (a maior parte do tempo diegético do filme é esse parêntese entre a noite e o dia). Ela precisa se recompor como sujeito, da mesma forma que Hiroshima precisa se reconstruir após a bomba.
(Luiz Carlos OLIVEIRA Jr. Alain Resnais e a memória do mundo, in Contracampo)


50 anos depois
OS MELHORES FILMES DE 1959
segundo a nossa leitura crítico-afetivo-seridoense-libertinária

1. Hiroshima meu amor (Resnais)
2. Pickpocket (Bresson)
3. Acossado (Godard)
4. Rio Bravo (Hawks)
5. Quanto mais quente melhor (Wilder)
6. Shadows (Cassavetes)
7. Guerra e humanidade, I (Kobayashi)
8. De crápula a herói (Rossellini)
9. O rosto (Bergman)
10. Intriga internacional (Hitchcock)
11. Anatomia de um crime (Preminger)
12. Os incompreendidos (Truffaut)


OFÍCIO
Antônio Morais de Carvalho
[ in Jogo de sentidos
, 1986 ]

Não quero o poema-perfeito:
O fastio dos Deuses,
A bondade do Diabo,
O Verbo,
A Bomba!

Não quero o poema-perfeito:
Eu sei que o ultrapasso
Ao tocar o seu mistério.

Não quero o poema-perfeito,
O último-poema:
A poesia
É meu ofício cotidiano.



GLOSSÁRIO SERIDOENSE: ALGUNS EXEMPLOS (1)
[ in Palavreado cá de nós. Caicó, 2007,
de Max Antonio Azevedo de Medeiros ]

Ababacado - Desatinado; Sem rumo; Bobo; Tolo.
Abalufado - Cheio de si; Metido.
Abancado - Sentado; Acomodado.
Abudegado - Afobado; Nervoso; Colérico.
Abuticado - Arregalado; Saliente.
Acatrozado - Diz-se do indivíduo sem iniciativa.
Acatruzar - Aborrecer; Apoquentar; Importunar.
Achuvalhada - Roupa levemente amarrotada, ou um pouco úmida.
Adoidaiado - Desatinado; Sem rumo; Bobo; Tolo.
Afolozado - Frouxo demais; Rasgado; Estragado; Roto.
Afrescaiar - Enfeitar; Adornar; Ornamentar.
Afuleimado - Briguento; Velentão; Inflamado.
Afulibar - Alisar; Ficar sem dinheiro; Perder até o saco da bufa.
Agarramento - Contato voluptuoso; Esfregação; Sarro.
Aguar - Irrigar; Regar; Molhar.
Aleruado - Doido; Besta; Idiota.
Aloprar - Agitar; Reagir com violência.
Aluado - Doido; Distraído; Amalucado; Bobo.
Amigado - Que vive maritalmente; Amancebado.
Amoquecar - Fraquejar; Acovardar-se; Fugir da luta.
Amunhecar - Cair; Fraquejar; Fugir da luta.
Amorrinhado - Deprimido; Enfraquecido; Alquebrado.
Ânus - Anel de couro; Anel de péia; Ás de copas; Bicho preto; Boca de ninho; Boga; Bosteiro; Bufante; Buzanfan; Copo de sola; Enrugadinho; Farinheiro; Fedegoso; Fiofó; Flozô; Foba; Fogareiro; Fogoió; Fonfom; Foroboscoite; Forobosquito; Franzido; Frezado; Frinfa; Frosquete; Fruta rara; Fuamba; Furiboca; Glorioso; Gobilha; Lata de doce; Quinca; Rodela; Roseira; Taioba; Zereguedé.



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GRUPO ABRIL TENTA SUFOCAR LUÍS NASSIF
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'VEJA' DESENTERRA FACTOIDE DE LINA VIEIRA



30 MOMENTOS MÁGICOS
PARA UMA TEMPORADA DE 30 MESES EM SÃO SARUÊ
- não necessariamente os melhores, nem os mais importantes -
(sem ordem preferencial)

[] Vésperas da Virgem, de Monteverdi, por Jordi Savall
[] Suítes para violoncelo, de Bach, por Anner Bylsma, grav. 1979
[] Troubadours & Cantigas de Santa Maria, por René Clemencic
[] Quartetos opus 64, nºs 2, 4 & 5, de Haydn,
por Quatuor Mosaïques
[] Concertos de Brandenburgo, 3, de Bach,
pela Orquestra Barroca de Freiburg
[] O Canto da Sibila (medieval), por Jordi Savall
[] Dom Quixote, de Cervantes
[] A divina Comédia, de Dante
[] Hamlet, de Shakespeare
[] Grande sertão: veredas, de Guimarães Rosa
[] Moby Dick, de Melville
[] Bíblia Hebraica, autoria anônima de vários autores
[] Poesia completa e prosa, de Murilo Mendes
[] O cão sem plumas, de João Cabral
[] A aventura, de Antonioni
[] As férias do Sr. Hulot, de Tati
[] Um dia no campo, de Renoir
[] Era uma vez no Oeste, de Leone
[] Crônica de Ana Madalena Bach, de Straub & Huillet
[] Ano passado em Marienbad, de Resnais
[] The Spirit, de Eisner
[] Krazy Kat, de Herriman
[] Corto Maltese, de Pratt
[] Arzach, de Moebius
[] A love supreme, de Coltrane
[] Kind of blue, de Davis
[] Vibrações, de Jacob do Bandolim
[] 50 anos de chão, de Luiz Gonzaga
[] Da Palestina ao Seridó, de Ubaldo, Totó & Urbano Medeiros
[] A ave, de Wlademir Dias Pino

11 comentários:

Mirse Maria disse...

Bom dia, Moacy!

Lindo o filme. Triste o mundo ter essas imagens. Até hoje me pergunto se houve remorso em quem jogou a bomba. O Holocausto, em A Lista de Shindler e Hiroshima, Mon Amour, não nos deixarão em paz nunca.

Lindo poema de Antônio Morais Carvalho. Lindo e perfeito!

Os momentos mágicos.... e difíceis de escolher. Don Quixote, Hamlet, O Cão sem Plumas e todos os outros.

Belo Balaio o de hoje!

Beijos

Mirse

Francisco Sobreira disse...

Pois é, velho, já foi dito tudo sobre Hiroshima, meu amor. É supérfluo acrescentar qualquer outra coisa a uma das principais obras-primas do cinema. Um abraço.

líria porto disse...

se alguém quiser saber que palavra me faz chorar eu não tenho dúvida - hiroshima...

Iara na Janela disse...

amei o glossário seridoense!!!!!

Bené Chaves disse...

Sim, eu vi Hiroshima meu amor, sim, eu vi o belíssimo filme do Resnais no saudoso cine Rex,sim, eu vi Hiroshima e vi tudo no dia 6 de maio de 1962.

Um abraço...

Assis Freitas disse...

Eta balaio porreta,a vez primeira que assisti Hiroshima ainda me alumbra quando a recordo, era tudo poesia, inclusive o real. Domingo de astro rei por aqui. Abraço.

P.S. Deixo o convite para um novo projeto mileumpoemas.blogspot.com, neste blog vou reeditar as mil e uma noites em poemas (veja que modéstia), um por dia ou como dizem os baianos: cada coisa a seu tempo, e um tempo para cada coisa.

Adriana Godoy disse...

Esse negócio aqui tá bom demais...Parabéns, Moacyr, pela qualidade de seu blog. Beijo.

Jens disse...

E a Veja, hein?
Seria cômico se não fosse trágico.

Um abraço.

Pedrita disse...

eu não vi esse filme da foto. anotei pra ver faz anos. beijos, pedrita

Marcos disse...

Moacy:

1959 foi um ano e tanto! Além de Hiroshima ser o que é,tem mais aquele monte de filme bom. Incluindo "O rosto", obra-prima subestimada do sempre grande Bergman.
Abraços:

Marcos Silva

Sônia Brandão disse...
Este comentário foi removido pelo autor.