segunda-feira, 8 de fevereiro de 2010

A arte de
Militão dos Santos:
Carnaval de rua
em Olinda.
Mas não nos esqueçamos:
o carnaval de Caicó,
sob o comando da Troça do Ferreirinha
e do Bloco do Magão,
promete ser animadíssimo.
Que o digam Pituleira e Roberto Guarda.


BALAIO PORRETA 1986
n° 2926
Rio, 8 de fevereiro de 2010

De teus olhos retirei a tristeza,
bebi as lágrimas salgadas;
lambi o abandono.
(Márcia LEITE, in Cantiga mundana.
cf. Poesia Erótica)


MILK SHAKESPEARE
Carito
[ in Os Poetas Elétricos ]

Sorver-te
Ou não sorvete
Eis o Milk Shakespeare!


CELESTE
Patrícia Gomes
[ in SensualizArte ]

Em meu céu
Jorrou teu gozo
E, louca, saboreei
O mel...


POEMAS de
Lúcia Nobre
[ in O bom trepador. Rio, 2000 ]

Bom trepador
menage à trois
quatro cinco seis seis sete oito nove dez

Bom trepador
sexo oral vaginal anal
tudo é carnaval

Bom trepador
segreda coisas obscenas
como poemas


POEMA de
Chico Doido de Caicó

Gosto de mulher de tudo que é jeito
Até das muito bonitas
Que não sabem foder muito bem
E até mesmo daquelas
Que nunca deram o xibiu
Para o meu consumo


HORÓSCOPO DA SEMANA

Áries
No carnaval, não vá com muita sede ao pote.
Cabeça sem juízo, corpo no prejuízo.
Mais vale um sexo na mão do que dois na imaginação.
Um frevo para cair no frevo: 'Vassourinhas'.


Touro
Cachaça não é água, nem lavando a égua.
Água silenciosa, paixão escandalosa.
Brincar na lama, deitar na cama.
Uma marchinha para sassaricar: 'Sassaricando'.


Gêmeos
Antes um tarado com emoção a um sarado sem tesão.
Infeliz daquele que só conhece um buraco.
De verdade em verdade busca-se a felicidade.
Um frevo para ferver: 'Duas épocas'.


Câncer
Dançou, brincou, bebeu, o pau comeu.
No Rio de janeiro, fevereiro e março é que a porca torce o rabo.
No carnaval, o Diabo é o melhor amigo do homem e da mulher.
Uma marchinha para saracotear: 'Pirata da perna-de-pau'.


Leão
Amar um, amar dois, amar três: tudo é carnaval.
Quem com trio elétrico fere, com trio elétrico será ferido.
Não se esqueça: foba de bebum não tem dono.
Um frevo para escandalizar: 'Gostosão'.


Virgem
Virgem que é virgem, geme mais do que a bixiga lixa.
Ver, ouvir e sambar: não é preciso calar.
Carnaval, sexo, camisinha e anarquia: tudo é alegria.
Uma marchinha para apimentar: 'Chiquita Bacana'.


Libra
Entre Recife e Caicó, prefira o carnaval das duas.
A água corre para o mar, a gala para o amor.
A alegria vem das tripas e do carnaval de Olinda.
Um frevo para arrebentar: 'Evocação n.° 1'


Escorpião
Quem com bundaxé fere, com bundaxé será ferido.
Faça seu sermão com batida de limão.
Champrar sem pensar é chumbregar sem gozar.
Uma marchinha para o que der e vier: 'Linda morena'.


Sagitário
No carnaval ou não, o ser amado sempre será amado.
Nada como um carnaval depois de outro.
Nos pequenos gestos estão as grandes virtudes.
Um frevo para se emocionar: 'De chapéu-de-sol aberto'.


Capricórnio
Quem semeia sambas, colhe sambistas.
Por um dia de prazer, um carnaval para viver.
No mundo voga quem bebe, trepa e joga.
Uma marchinha para arrasar: 'Touradas em Madri'.


Aquário
Língua comprida, mão boba, o que cai na rede é peixe.
No carnaval até Deus é capaz de pecar.
A bom entendedor, qualquer cantada basta.
Um frevo para enlouquecer: 'Frevo rasgado'.


Peixes
De carnaval em carnaval busca-se o deus da alegria.
Contou vantagem, adeus viagem.
O carnaval é que faz a ocasião.
Uma marchinha para sonhar: 'A jardineira'.


Serpente
Macaxeira mocotó, vamos embora pra Caicó.
Cachaça não é água não, viu bixim, viu bixinha.
Não há beijo sem cheiro, não há cheiro sem beijo.
Frevos e marchinhas até o mundo se acabar.


PARA UMA BIBLIOTECA PORRETA
( 44 / 50 )

Panorama da música popular brasileira
(Ary Vasconcelos, 1964)
História social da música popular brasileira
(José Ramos Tinhorão, 1998)
Romancero gitano (Lorca, 1924-27)
La raison baroque (Buci-Glucksman, 1984)
A angústia da influência (Bloom, 1973)
Paideia (Jaeger, ed. bras. 1986)
Abstracionismo ... (F. Cocchiarale & A. B. Geiger, 1987)
Teoria da cultura de massa (Luiz Costa Lima, org., 1969)
Lênin e a filosofia (Althusser, 1969)
Los congresos obreros internacionales en el siglo XIX
(Rosal, 1975)


CLASSIFICADO AMOROSO
Moacy Cirne
[ in Balaio, n° 328, em 31/10/1991 ]

Troca-se um crepúsculo azul, devaneio caicoense dos anos 50, por um sonho barroco, ligeiramente escandaloso, de qualquer época, de qualquer lugar, de qualquer tudo. Tratar com Moacy Cirne, poeta e cangaceiro da anticultura, no Balaio Incomun, em São Saruê dos Delírios Nordestinos.

6 comentários:

Assis Freitas disse...

Prá folia energia e energéticos. Chico Doido bem acompanhado nos versos. Horóscopo e classificado. Tá uma fartura. Abraço.

Bosco Sobreira disse...

Meu caro Moacy,
O Balaio de hoje tá uma beleza, pra variar.
Bom reencontrar a Patrícia Gomes!
Forte abraço.

nina rizzi disse...

quero milk-shakespeare,
quero xibiu de chico doido
(será quele me dava?),
quero um bom trepadar,
quero todos fluídos dançando num gerúndio:
- suando, menstruando, chorando, rindo, gozando.

quero a olinda num domingo de carnaval.

queroquero um ser de sagitário
metade gente, metade cavalo.

e quero deixar um cheiro pro balaio: e não tem cheiro sem beijo.

nina rizzi disse...

vixi! um crepúsculo delirado dos anos 50 deve ser algo inesquecível. e eu aqui, cheia de sonhos barrocos, então, como se faz o escambo?

Carito disse...

eu ao lado desses verdadeiros foliões da poesia, fodões da poesia, dando o aval da carne, oh! linda situação, viva o hai-caicó, dai a chico o que é de doido, olhai os delírios dos campos de moacy...

Assis Freitas disse...

Caro mestre, a Feira em seus primórdios chamava-se Santana dos Olhos d'Água. Graças a uma fazenda de cujo nome, onde se abasteciam do precioso líquido as tropas de burros e as boiadas que transitavam por aquelas paragens. Abraço.