sábado, 20 de março de 2010

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Houve uma vez um verão
(Robert Mulligan, 1971)
Pelo romantismo do enredo - construído com sensibilidade e neblinamentos -, pelo tema musical de Michel Legrand, pela beleza e espontaneidade de Jennifer O'Neill, Summer of 42 permanece como um filme suave e triste. Romanticamente suave; romanticamente triste. A história de um amor adolescente que é também a história de uma época.


BALAIO PORRETA 1986
n° 2966
Natal, 20 de março de 2010


DOIS TEXTÍCULOS
Dalton Trevisan
[ in 111ais, 2000 ]

- Esse desenho tão bonito, minha filha, o que é?
- Ai, mãezinha. Você não vê? É o barulho do sol acordando.

[][][]

- Maria, como é que você dobrou o João, esse flagelo das mulheres?
- Não dobrei o João - eu dobrei os joelhos.


O RETRATO DE UM CÃO FURIOSO
Theo G. Alves
[ in Museu de Tudo ]

O cão furioso finalmente pesa-lhe sob as patas, atira-o ao chão. A mandíbula voraz enche-lhe o focinho irascível e faz jorrar sangue sobre si, sobre sua vítima. As patas pesam como o corpo de um elefante em mármore, esmagam-lhe a ossatura frágil, sua musculatura cede como de espuma. A boca infernal morde-lhe, arranca-lhe os membros, chafurda entre seus intestinos. O cão furioso devora-lhe centímetro após centímetro, ao avesso, de dentro para fora.


POEMA
Sandra Camurça
[ in O Refúgio ]

não vem de fora
vem de dentro
esse fogo que me come
assim, tão lento


Repeteco
O BIG-BANG, O BANG-BANG, O FLA-FLU E O SERIDÓ
na visão de
Adam Frank & Moacy Cirne

Segundo a teoria tapuio-seridoense-marciana do Bang-Bang, todo o Universo - todo espaço, tempo, matéria e energia - emergiu de uma única explosão metafísico-aristotélica que o pôs em dinamismo. Só que, 40 minutos antes de tal fato (vide as pesquisas antropológicas de São Nelson Rodrigues, padroeiro do futebol fluminense), o Fla-Flu começara a existir. E assim sendo, uma luz fulgurante que ultrapassa qualquer descrição literária, filosófica, egípcia e/ou etílica inundou o universo recém-nascido.

E se o Fla-Flu começou 40 minutos antes do nada, de acordo com o alquimista Muirakytan Macedo e as arqueólogas Ana de Santana, Eliene Dantas, Maria Maria, Iara Carvalho e Jeanne Araújo, o Poço de Santana - em Caicó de Todos os Sonhos - e o Poço da Bonita - em São José de Todos os Delírios - se formaram 40 minutos depois do Bang-Bang. O astrônomo Romário Gomes e o poeta Neil de Castro confirmam-no. Os astrofísicos Miguel Cirilo e José Bezerra Gomes também o confirmavam.

Mas houve uma segunda parte desta história mitológico-científica que muitos desconhecem, inclusive abecedistas, americanos, tricolores, rubro-negros, botafoguenses, vascaínos, colorados, gremistas e os freqüentadores do Beco da Lama, em Natal: a escuridão retornou como uma vingança da bixiga lixa, como uma vingança da porra. E uma Idade das Trevas cósmico-seridoense teve início menos de 1 milhão de anos depois do Bang-Bang e perdurou por cerca de 1 bilhão de anos. Haja Big-Bang!

Depois, conforme se expandia, o Universo resfriou-se levando a mistura de partículas, radiação, futebol e poesia a uma série de episódios dignos de um encontro entre Zé Limeira e Chico Doido, sob as bênçãos de Lampião e Maria Bonita. Dentre esses episódios, há que destacar a criação, 69 segundos após o Bang-Bang, de prótons, espermas e nêutrons, partículas constitutivas de todos os núcleos atômicos e literários. Após uns 382 mil anos o Universo tinha se expandido uma porrada de léguas, formando o hidrogênio metafísico.

O fato concreto é que o surgimento do hidrogênio metafísico, o mais abundante elemento no Universo, trouxe o fim de uma era cósmica e o começo da Idade das Trevas. Somente quando as multidões despertaram para o Fla-Flu e surgiram as cidades de Caicó, Acari, Currais Novos, Jardim do Seridó, São João do Sabugi, Serra Negra do Norte e São José da Bonita, antes mesmo de Londres, Paris e Catolé do Rocha, a Idade das Trevas chegou ao fim. Como se fora um filme de Jussara Queiroz fotografado por Manoel Dantas.

E uma nova era da Astronomia, então, foi inaugurada. A ser editada, claro, pelo Sebo Vermelho.

[ Para maiores informações:
cf. O primeiro bilhão de anos, in Astronomy Brasil, vol.1, nº 2 /São Paulo, 2007/ ]

ESBOÇO
Gilka Machado
[ in Sublimação, 1938 ]

Teus lábios inquietos
pelo meu corpo
acendiam astros...
E no corpo da mata
os pirilampos,
de quando em quando,
insinuavam
fosforescentes carícias...
E o corpo do silêncio estremecia,
chocalhava,
com os guizos
do cri-cri osculante
dos grilos que imitavam
a música de tua boca...
E no corpo da noite
as estrelas cantavam
com a voz trêmula e rútila
de teus beijos...

10 comentários:

Francisco Sobreira disse...

É um belo filme, meu caro, que também fez sucesso de público. Mulligan, bom diretor, fez, além desse, outros filmes de certa importância. Um abraço.

Mirse Maria disse...

Bom dia, Moacy!

Adorei o filme, que passa a mensagem de "AMOR" com um fundo musical de 1ª categoria. Pena que esse tipo de amor não exista mais.

Adam Frank e Moacy Cirne deram um show de Bang no Big Universo metafísico aristotélico. Ainda bem que lembraram do Botafogo. UFA!

Poemas maravilhosos.

Esboço - Gilka Machado = Divino!

Excelente dia!

Beijos

Mirse

Paulo Jorge Dumaresq disse...

Verão de 42 - como é mais conhecido - é um filme tocante, mágico. Trevisan minimalista é um dos meus preferidos. Sandra e Gilka e Moacy e Adam complementam este ótimo balaio de sábado. Analu estreou "Corte sem casca" na Casa da Ribeira. Abs.

Assis Freitas disse...

Um filme é um filme e este é. Assisti ainda adolescente e tempos depois fiz o retorno aos seios de Duília. Ao contrário do conto de Aníbal, tudo me pareceu jovial como antes e incrivelmente mais belo. Dalton é o cara, sem senões. E valeu o repeteco do Big bang, pura magia. Abraço.

oscar kellner netto disse...

caro moacy:
repito comentário já inserido, retro.
"depois de um tempão te reencontro firme e rijo, mão na massa sempre... bom gosto nunca acaba!
segue aí um atalho para meu novo livro, de 2010 (ficção):

http://www.clubedeautores.com.br/book/14325--OS_AMARRADORES_DE_PATAS

aliás, se puder, confira os meus lançamentos de 2009:

http://www.clubedeautores.com.br/search?hat=oscar+kellner+neto&commit=BUSCA

Aldemar Cunha disse...

O comentário A Cruz que Passa, postado pelo poeta Gustavo de Castro, em Substantivo Plural, sobre a performance do artista visual Pedro Costa, além de preconceituosa, é burra. Rescende a chulé.Sua poesia, no entanto (v. Palavras Vis) é de boa linhagem. Qual a de Gustavo, o Adônis do Planalto. Se continuar a escrever coisas como as que me referi, já tenho como chamá-lo: O CHULÉ DE ADÔNIS.

Sergio Andrade disse...

Jennifer era linda demais, mas não teve muita sorte na carreira. Além de "Summer of 42" acho que na sua filmografia só se destaca "O Inocente" do Visconti.
Sabia que ela nasceu no Rio?

Um abraço.

Maria V. disse...

adoro dalton trevisan, certeiro... mas gilka machado hj roubou meu coração.rs. bjo.

Rui Luís Lima disse...

Caro Moacy Cirne
Esta película de Robert Mulligan em Portugal chamou-se "Verão 42" e na época em que a descobrímos, ficámos tão fascinados que no período de 15 dias a vimos por três vezes, um filme maravilhoso.
Abraço cinéfilo
Paula e Rui Lima

Adriana Godoy disse...

Conferido e aprovado. beijo.