domingo, 21 de março de 2010

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para verouvir o trêiler de
O processo
(Orson Welles, 1962)
Um filme emblemático para o estudo das relações intersemióticas, ou estruturais, que envolvem o cinema e a literatura, linguagens com especificidades distintas: de Franz Kafka, contido, quase seco em sua tessitura conteudístca, a Orson Welles, exuberante, quase barroco em seu expressionismo formal. Mas, seja em Kakfa, seja em Welles, é preciso atentar para o absurdo das vivências sem paixão e sem sentido. Uma das grandes obras da cinematografia europeia dos anos 60 do século passado,


BALAIO PORRETA 1986
n° 2967
Natal, 21 de março de 2010


OS DEGRAUS
Mario Quintana
[ in Baú de espantos, 1994 ]

Não desças os degraus do sonho
Para não despertar os monstros.
Não subas aos sótãos - onde
Os deuses, por trás das suas máscaras,
Ocultam o próprio enigma.
Não desças, não subas, fica.
O mistério está é na tua vida!
E é um sonho louco este nosso mundo...


CADERNO DE ANDARILHO
/ Fragmentos /
Manoel de Barros
[ in Concerto a céu aberto para sócios de ave, 1991 ]

Sapo de noite arregala os olhos pra desmedir a saudade.

Melhor para entardecer é encostar em árvore.

Pessoa que lê água está sujeita à libélula.

Lagartixas piscam para as moscas antes de havê-las.

Cheio de vogais pelas pernas vai o caranguejo soletrando-se.


FILMES FUNDAMENTAIS DOS ANOS 60

[ 1 ]

1. A aventura (Antonioni, 1969)
2. Ano passado em Marienbad (Resnais, 1961)
3. Eclipse (Antonioni, 1962)
4. 2001: uma odisseia no espaço (Kubrick, 1968)
5. Viver a vida (Godard, 1962)
6. Crônica de Anna Madalena Bach (Straub & Huillet, 1967)
7. A tomada do poder por Luiz XIV (Rossellini, 1966)
8. Madre Joana dos Anjos (Kawalerowicz, 1961)
9. Andrei Rublev (Tarkóvski, 1966)
10. O leopardo (Visconti, 1963)
11. Simão do Deserto (Buñuel, 1965)
12. O processo (Welles, 1962)

[ No próximo domingo, a relação completa dos 30 primeiros
filmes fundamentais dos anos 60
]

11 comentários:

Francisco Sobreira disse...

Welles, Kafka, Quintana, Barros: autores que valorizam qualquer postagem. Como ela está "em construção", acredito que irá constar da lista dos filmes fundamentais dos anos 60 "O Homem que Matou o Facínora" . Um abraço, Moacy.

Pedrita disse...

esse o processo eu não vi, sempre fico de olho se vai passar na tv a cabo. amo o livro. beijos, pedrita

Mirse Maria disse...

Oi Moa!

Que beleza "THE TRIAL", revisto, dá-me a impressão que os filmes em Black and white valorizam mais as cenas.
Bom rever Romy Schneider, e os demais.

Que prêmio, reler Mario Quintana e meu querido Manoel de Barros:

A delicadeza em: "lagartixas piscam para as moscas antes de havê-las".

Simplesmente Genial!

Parabéns por mais um Belo Balaio!

Beijos

Mirse

Bené Chaves disse...

'O Processo' é, realmente, uma obra-prima de nossa cinematografia. E eu o vi, pela primeira vez, juntamente com vc e o nosso saudoso Berilo Wanderley, na capital pernambucana, em 9 de novembro de 1963, no cine Coliseu. Foi uma data memorável!

Obs: vc cometeu um lapso quanto o ano de produção de 'A Aventura'. Ok?

Um abraço...

Marcos disse...

Moacy:

Antonioni abusou do direito de ser excepcionalmente bom nos anos 60: A aventura, A noite, O eclipse, O deserto vermelho, Blow-up... Bergman não ficou atrás: O silêncio, Persona, A hora do lobo, Vergonha, A Paixão de Ana... Que bom que os dois foram abusados!
Abraços:

Marcos Silva

Adriana Godoy disse...

"O Processo", um filmaço. O Manuel e o Mário, um show, o Balaio, porreta. beijo.

Assis Freitas disse...

Balaio sucinto, mas prenhe de reverberações: Manoel e Mário. Welles e o filmes dos anos 60, demais. Abraço.

Dilberto L. Rosa disse...

Magnífica lembrança de "O Processo", mas... o que aconteceu com "A Doce Vida" e "8 e meio" do mestre Fellini?! Que vacilo foi este, Mestre "sumido" Moacy?! Jennifer O'Neill era realmente belíssima... Abração!

Sergio Andrade disse...

Quando vi a imagem pensei que se tratava de "O Terceiro Homem". Não lembro dessa cena em "O Processo", preciso rever urgentemente.
Dos filmes fundamentais me falta ver o do Rossellini.

Um abraço.

Mme. S. disse...

vou pedir emprestadas as palavras do Sobreira, o primeiro. E de resto, deixar um beijo e um abraço apertado de Saudades.

Anônimo disse...

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