quarta-feira, 31 de março de 2010

Espanha: o flamenco dançado por
Sara Baras, em foto de Paul Hanna

(Clique na imagem para verouvir o flamenco por Sara Baras)


BALAIO PORRETA 1986
n° 2977
Natal, 31 de março de 2010


DIVA
Líria Porto
[ in Tanto Mar ]

tem algo de bette davis
talvez aquele olhar de mulher capaz de tudo
de matar de morrer de esmagar baratas


CEREJAS, MEU AMOR
Renata Pallottini
[ in Poesia Erótica ]

Cerejas, meu amor,
mas no teu corpo.
Que elas te percorram
por redondas.

E rolem para onde
possa eu buscá-las
lá onde a vida começa
e onde acaba

e onde todas as fomes
se concentram
no vermelho da carne
das cerejas...


ERÓTICA. SÓ MINTO UM POUCO...
Sandra Camurça
[ in O Refúgio ]

basta-me um olhar que me deixe nua
entre o último e o primeiro gole

basta-me uma palavra obscena
que embriague a carne úmida

basta-me uma falange e um anel
corrompendo-me entre as coxas

basta-me uma foda macia
e seu cheiro de macho pra levar na calcinha


Memória
Balaio, n° 2641, de 27 de abril de 2009
10+2 GRANDES POETAS POTIGUARES
segundo
43 leitores e/ou amigos do
Balaio,
a partir de uma idéia lançada pelo
Substantivo Plural

1. ZILA MAMEDE (34 citações)
2. JORGE FERNANDES (30)
3. LUÍS CARLOS GUIMARÃES (26)
4. NEI LEANDRO DE CASTRO (23)
5. MARIZE CASTRO (20)
6. IRACEMA MACEDO (19)
7. JOSÉ BEZERRA GOMES (18)
8. MIGUEL CIRILO (14)
9. DIVA CUNHA (13)
10. FERREIRA ITAJUBÁ
e SANDERSON NEGREIROS (12)
12. ADRIANO DE SOUSA (11 citações)

UM POEMA DE
ZILA MAMEDE
[ in Corpo a corpo, 1978 ]

Onde

Entre a ânsia
e a distância
onde me ocultar?

Entre o medo
e o multiapego
onde me atirar?

Entre a querência
e a clarausência
onde me morrer?

Entre a razão
e tal paixão
onde me cumprir?

Algumas breves considerações

1. Será que poderíamos considerar esses nomes os mais adequados para o estabelecimento formal de um possível Cânone da Poesia Potiguar? Sim e não, provavelmente. Sim, porque todos eles são bastante representativos: há clássicos consagrados (Zila Mamede, Jorge Fernandes, José Bezerra Gomes, Ferreira Itajubá, além de Luís Carlos Guimarães e Miguel Cirilo, todos falecidos) e há nomes que já são referência obrigatória para a formação de nossa poeticidade (Nei Leandro de Castro e Sanderson Negreiros, praticamente dois clássicos em vida, e Marize Castro, Iracema Macedo, Diva Cunha, Adriano de Sousa). E não, porque a nossa enquete, mesmo sendo abrangente, não pode ouvir muita gente capacitada para opinar a respeito de suas preferências (ora pessoais, ora exclusivamente literárias). De qualquer modo, acreditamos que o resultado final não seria muito diferente daquele ora apresentado, com duas ou três possíveis exceções.

2. Alguns poderão estranhar - ou lamentar - a ausência de poetas que sempre apareceram em nossas melhores antologias: Auta de Sousa, Henrique Castriciano, Othoniel Menezes, Gothardo Neto, Juvenal Antunes, Newton Navarro, Gilberto Avelino ou mesmo o carioca-potiguar Homero Homem - nomes expressivos, sem dúvida, mas que, sobretudo no caso dos mais antigos, não mobilizam mais, ou mobilizam muito pouco, os leitores atentos dos nossos dias. De certo modo, ainda em relação àqueles que marcaram época nas primeiras décadas do século passado, são poetas que fazem parte da "arqueologia literária" do Estado. E o afirmamos sem qualquer peso pejorativo, apenas como adendo para a história da literatura do Rio Grande do Norte.

3. Destaquemos: além dos 12 nomes mais citados, receberam votos - de forma expressiva ou razoável, pode-se dizer - os poetas Paulo de Tarso Correia de Melo (9 citações), Moacy Cirne (9), Antonio Francisco (8), Jarbas Martins (8), João Lins Caldas (7), Carmen Vasconcelos (6), Myriam Coeli da Silveira (6), Walflan de Queiroz (6 citações). Ao todo, foram citados 86 poetas. Um bom número, sem dúvida. Mas a verdade é que não há lista perfeita, nem cânone que dure para sempre (a não ser em casos excepcionais, considerando-se alguns autores ou algumas obras).

4. Para muitos dos consultados, com mais ou menos intensidade, fazíamos questão de salientar que a enquete tinha por objetivo destacar única e exclusivamente os poetas que trabalham a verbalidade. Mesmo assim poetas visuais como Anchieta Fernandes, Avelino de Araújo e Jota Medeiros foram contemplados com algumas (poucas) indicações. Sabemos que a questão da poesia visual é um tabu para muita gente. E como poeta/processo não temos o menor problema com a poesia verbal; preferimos privilegiar, na enquete, o que já estava subentendido na proposta inicial do Substantivo Plural: a nossa verbalidade, que encontra em Zila Mamede (a paraibana que, em criança, veio residir entre nós) o seu parâmetro estético-literário mais sólido. Ao lado do modernista Jorge Fernandes e dos demais.


PARA VOCÊ
Walflan de Queiroz
[ in O livro de Tânia, 1963 ]

Eu venho de uma montanha, Tânia.
De uma montanha de fogo e de sombras,
De fogo como o sol e de sombras como a noite.

Venho de um vale, Tânia.
Um vale com mil flores brilhantes.
E todas estas flores eram tuas.

Venho de uma floresta, Tânia.
Uma floresta com apenas um pássaro.
Um pássaro azul como as águas do rio.

Venho de um lago também azul, Tânia.
Um lago tranquilo e sem rumores,
Com cisnes brancos, cisnes selvagens,
Selvagens como meu amor.

Eu venho do mar, Tânia.
Um mar sem praias e sem gaivotas,
Com uma ilha de carne,
E com o sangue de uma estrela.

Venho do deserto quente, Tânia.
Um deserto com ventos de areia,
E com monumentos que são sepulcros,
Onde enterro a minha solidão.


Diretamente do Bar de Ferreirinha

BOA SORTE, SR. GORSKI

No dia 20 de julho de 1969, Neil Armstrong, comandante do módulo lunar Apolo 11, se converteu no primeiro ser humano a desembarcar na Lua.

Suas primeiras palavras ao pisar no nosso satélite foram: "Este é um pequeno passo para o ser humano, mas um salto gigantesco para a humanidade".

Estas palavras foram transmitidas para a Terra e ouvidas por milhares de pessoas.

Mas antes de voltar à nave, Armstrong fez um comentário enigmático: "Boa Sorte, Sr. Gorsky."

Muita gente na NASA pensou que tinha sido um comentário sobre algum astronauta soviético.

Checaram e não havia nenhum Gorsky no programa espacial russo ou americano.

Através dos anos, muita gente perguntou-lhe sobre o significado daquela frase sobre Gorsky, e ele sempre respondia com um sorriso.

Em 5 de julho de 1995, Armstrong se encontrava na Baia de Tampa, respondendo perguntas depois de uma conferência, quando um repórter lembrou-lhe sobre a frase que ele havia pronunciado 26 anos atrás.

Desta vez, finalmente Armstrong aceitou responder: o sr. Gorsky havia morrido e agora Armstrong sentia que podia esclarecer a dúvida.

O esclarecimento:
Em 1938, sendo ainda criança em uma pequena cidade do meio oeste americano, Neil estava jogando baseball com um amigo no pátio da sua casa.
A bola voou longe e foi parar no jardim ao lado, perto de uma janela da casa vizinha.
Seus vizinhos eram a senhora e o senhor Gorsky.

Quando Neil agachou-se para pegar a bola, escutou que a senhora Gorsky gritava para o marido: "O quê??? Sexo anal? Você quer sexo anal? Sabe quando você vai comer a minha bunda? Só no dia que o homem caminhar na lua!"

Por isto, o astronauta Armstrong mandou o recado direto da Lua: "Boa sorte, Sr. Gorski"

11 comentários:

WELLINGTON GUIMARÃES disse...

MOACY, DADA NOSSAS DIVEGÊNCIAS POLÍTICAS E CLUBÍSTICAS(ALIÁS, O VASCÃO VAI PAPAR O TÍTULO), VENDO VOCÊ VOTAR EM DILMA E EU ODIANDO ELA, VENHO LHE DIZER O SEGUINTE:

POSSO COLOCAR AS TUAS PREVISÕES ASTROLÓGICAS NO MEU BLOG?

FORTE ABRAÇO.

Pedrita disse...

e lá vai a líria porto me encantar. beijos, pedrita

Assis Freitas disse...

Impagável o sr Gorsky. Nada é á toa no universo, como diria Einstein. Ou um filósofo amigo meu: tudo em volta do buraco é beira. Abração.

P.s. Poesia de prima, primazia.

Marcos disse...

Amigos e amigas:

Prefiro encarar o cânon poético potiguar (10 + 2) de forma não-canônica: elenco de poetas muito bons, existem outros muito bons que não estão ali mas devem ser lidos com toda atenção.
Certamente, alguns pioneiros da literatura potiguar, como Auta de Souza e outos elencados por Câmara Cascudo em "Alma patrícia", possuem um peso mais forte na constituição de uma tradição de escrita e leitura que propriamente no plano de conquistas estéticas. Saliento, todavia, que uma coisa não existe sem a outra, a excelência de uma Zila Mamede foi possível num terreno onde fazer e divulgar poesia fazia parte das tradições culturais consolidadas.
Abraços a todos e todas:

Marcos Silva

Adriana Godoy disse...

Essa história do Sr. Gorsky é demais...impagável. Valeu a manhã. beijo.

Maria V. disse...

a imagem da dançarina-pássaro vai morar na minha cabeça. que fotografia maravilhosa!
bjos, lindos versos.

Marcelo Novaes disse...

Moa,


Listas são listas. Podem até ser sugestivas, no sentido de apontar para algo e instigar que se busque o "em-torno".


Listas são dedos apontando pra lua.




Abração.

Anônimo disse...

Caro Moacy,

Muito reveladora a enquete poética SP – Balaio.

Como ja escrevi quando da enquete, detecto alguns “Bias” e injustiças nessa lista.

1- o Universo dos entrevistados: Nem todos conhecem a poesia potiguar, não conhecem todos os poetas e não são leitores de poesia.
2- A escolha podia ser entre os mortos e vivo. Como?. Nem todos sabem quem foi Othoniel Menezes, Lourival Açucena, Segundo Wanderley, Homero Homem, etc
3- Alguns fizeram a sua seleção contemplando vivos e mortos. Difícil!. A enquete precisava ser mais restritiva.
4- Outros escolheram os amiguinhos, seja porque queriam agradar seja por afinidade eletiva e outras.
5- Quem sabe que do grande poeta Homero Homem? Canguleiro e que cantou as Rocas como ninguém. Morou a maior parte do tempo fora de Natal
6- Alguns poetas estão constantemente sendo reeditados, estudados e na mídia. Isso ajuda a favor deles.
7- Outros poetas estão na mídia a todo tempo.
8- Difícil escolher entre tantas modalidades de poesia.
9- Os grandes poetas universitários não foram devidadamente contemplados: Chico Ivan, Marcio et al.
10- Uma poeta como Anchella e outras grandes mulheres não terem sido votadas é uma prova de que conhecemos pouco essa poesia e que a pesquisa tem muitos e muitos bias.

Abraços Fraternos
Boa Pascoa para todos

Damata

Jarbas Martins disse...

POEMA CONCRETO DE AMOR ONDE O DESTERRADO POETA JARBAS MARTINS
DECLARA A SUA PAIXÃO POR NINA RIZZI
E SEU SONHO DE JUSTIÇA SOCIAL


E G O
G E O

Jens disse...

Mr. Gorski, genial!!!
Abraço pra turma do Bar do Ferreirinha.

DAMATA disse...

Uma ode aos poetas potiguares

Natal terra de poetas oficiais, líricos, domésticos, bêbados e processos.
Poetas para todos os gostos.
São tantos que fica difícil escolher o poeta oficial da cidade
Aqueles cerebrais e científicos que arrumam as palavras feito uma equação matemática sílaba a sílaba. 95 % de transpiração e cinco de emoção.
Outros escrevem poemas – prosa.
Alguns livros de poesia não cabem em pé.
Uns são secos como graveto do semi-árido nordestino.
De outros e outras a poesia é molhada.
Poetas magros que escreveram só um poema. Ou só um verso
Poetas declamadores e perfomáticos.
Poetas das cores, formas, traços e do viver
Das rocas as quintas. Praias e becos (quarentenas) e cantos
Poetas da fotografia e da amizade. .
Poetas que com um gesto transformam a vida.
Atitudes galantes
Poetas no exílio.
Semi- desaparecidos e inéditos
Sempre amados
Existem os oficiais que estão sempre nos jornais e mídias.
Poetas românticos, fesceninos, eróticos e cordelistas de rimas fáceis ou não.
Trovadores e poetas populares que cantam o sagrado e o profano.
O cosmos é muito cantado. A estrela d´alva já não agüenta.
O poluído Potengi e o sol pondo visto de bem longe trepado numas dessas caixas verticais.
Poeta de hoje não sabe o que é sujar os pés e pegar uns bichinhos.
Que gostoso que era aquela coceirinha
Um orvalho aqui. Uma noite enluarada, uma cola e um pouco de saudade organiza o poema.
Depois é mostrar para a namorada, a mãe e o amigo que ta tudo bem
Publicar é fácil. Depois sai na antologia feminina, gay, bissexto, elétrico, cibernético, cadavéricos e jovens
Mais um poeta é surgido.
E a vida se renova. Porque poesia é vida.
Evoé

João da Mata Costa