terça-feira, 30 de março de 2010

Foto:
Denis Saint Clair


BALAIO PORRETA 1986
n° 2976
Natal, 30 de março de 2010


A poesia de Nei Leandro de Castro
NÚMERO ESPECIAL DEDICADO
A UM DOS GRANDES AUTORES BRASILEIROS
DA ATUALIDADE


BELEZA QUE SALTA AOS OLHOS
Poema inédito de
Nei Leandro de Castro

Mulher: ternura previsível, imprevisível,
Beleza que salta aos olhos e se inflama.
Colinas, colunas de mármore onde se gravam
O som, o sono, o sonho de quem ama.
Mulher: feita de beijos, calor, sombra e sorriso.
Belo e bravo animalzinho, cheio de graça,
Quando vai à luta, conquista e prende
O homem, só alumbramento e caça, e caça.
Mulher, não importa a cor de seu olhar,
O que emerge é a força, a sedução, a luz
Que vêm dos seus olhos, seios, lábios
E tudo mais que enternece, atrai, seduz.
Beleza que salta aos olhos, festa e festival.
Saudemos todas elas no seu Dia Internacional.

(Natal, 8 de março de 2010)


AMOR AMORA
[ in Era uma vez Eros, 1993 ]

Me lembro que trazias na boca
o gosto e a cor de uma fruta selvagem:
amor? amora?
Me lembro de tua calcinha
suavemente encharcada
que deixava teu leite
nos meus dedos.
Me lembro do teu beijo
com o exato gosto da amora
e me lembro que eu dizia aos teus ouvidos
todas as palavras que os deuses
permitem a um amante dizer a outro amante
na manchada planície de uma cama.
Me lembro que te lambia,
te mordia, te feria. E não cedias.

MUSA DE VERÃO
[ in Era uma vez Eros, 1993 ]

Quero uma musa
nada obtusa
Que tenha os peitos
perfeitos de menina moça
e acima dos quadris
aquelas duas pequenas poças.
Uma musa que saia
do mar de verão
como uma deusa
de anúncio de televisão.
Quero uma musa moderninha
que não faça questão
de ser só minha.
Que no gozo gema tão forte
que dê a impressão
dos estertores da morte.
Quero uma musa na medida
exata, na escala
do falo e da fala.


GALANTERIA

[ in Diário íntimo da palavra, 2000 ]

Sei.
Concentras no teu sexo
o leite, o sal, o mel
que há na framboesa silvestre
do teu beijo.


Fragmentos de uma
ENTREVISTA COM NEI LEANDRO DE CASTRO
publicada na Tribuna do Norte (Natal), em 23/10/2008

O termo “vulgar” se aplica à poesia erótica ou é algo que depende do preconceito de cada um?
NLC – Poesia, erótica ou não, só merece ser considerada vulgar se for mal escrita. Vulgar, por exemplo, é a literatura de Paulo Coelho.

Você duvida da sanidade do mundo?
NLC – Insanos são todos os criminosos, os avarentos, os agiotas, os traidores, os pedófilos, os falsos amigos, os ególatras que escrevem odes a si mesmos. Não tenho dúvida sobre isso.

Depois de teu nome ter ficado doce na boca das pessoas depois do filme, como você observa essa ligação da literatura e do cinema? Você ficou realmente satisfeito com o filme O Homem que Desafiou o Diabo ou ficou incomodado em algum momento?
NLC – O filme fez muito bem ao romance. As vendas subiram, uma grande editora de São Paulo se interessou pela reedição do Ojuara e pelo meu romance inédito, A Fortaleza dos Vencidos [Nota do Balaio: editado em 2009].Quanto ao filme em si, ele me agrada. Só senti falta daqueles personagens paralelos que dão mais humor à narrativa.

O que mais te dá prazer hoje? O que te move?
NLC – Gosto de escrever, gosto de ler ficção, um vício que adquiri aos 12 anos de idade. Quero continuar escrevendo poesia e ficção, agora e sempre. O que me move, acima de qualquer glória, é o hábito da leitura e da escrita. Adoro brigar com meus personagens quando estou elaborando uma história.

9 comentários:

líria porto disse...

nei leandro de castro - esse é porreta!!!

besos, moa!

Assis Freitas disse...

Loas, loas ao poeta e escritor. O Ojuara é fantástico. Abraço.

nina rizzi disse...

evoé, nei, evoé.

Jens disse...

Parabéns ao Nei Leandro.

Jarbas Martins disse...

atenção, balaeiros amigos. a mais bela tradução, paródia, desconstrução, ou o quer que seja,
da poesia de nei leandro de castro
foi feita por nina rizzi. antes desse virtuosismo ela já tinha desconstruído o poema processo de moacy cirne.natal tem que reconhecer sua insignificância e impotência diante desse tufão da paulicéia desvairada: nina rizzi.
desvairada

Jarbas Martins disse...

atenção, balaeiros amigos. a mais bela tradução, paródia, desconstrução, ou o quer que seja,
da poesia de nei leandro de castro
foi feita por nina rizzi. antes desse virtuosismo ela já tinha desconstruído o poema processo de moacy cirne.natal tem que reconhecer sua insignificância e impotência diante desse tufão da paulicéia desvairada: nina rizzi.
desvairada

Mirse Maria disse...

Oi Moacy!

Um Balaio de AMOR, onde versos, poemas e prosas nos levam para esta margem linda da vida.

Nei Leandro de Castro, já sou sua fã.

Beijos, Moacy!

Mirse

Márcia Maia disse...

Vim matar a saudade de você e matei dos dois: vc e Nei.
Um beijo do Recife pra cada um.

Maria V. disse...

balaio está especialmente sensual hj! Nei Leandro de Castro merece todos os aplausos.
Um beijo procê, Moacy!