terça-feira, 2 de março de 2010

Pedra da Rajada, em Carnaúba dos Dantas,
no Seridó potiguar
Imagem:
Nivaldete Ferreira


BALAIO PORRETA 1986
n° 2948
Natal, 2 de março de 2010


PARA UMA BIBLIOTECA PORRETA
( 60 / 66 )

As bruxas de Salem (Miller, 1953)
Casa de bonecas (Ibsen, 1979)
Quarup (Antônio Calado, 1967)
Razão do poema (José Guilherme Merquior, 1965)
Rumo ao farol (Woolf, 1927)
A bagaceira (José Américo de Almeida, 1928)
Os miseráveis (Hugo, 1862)
Admirável mundo novo (Huxley, 1932)
1984 (Orwell, 1949)
Eu, robô (Asimov, 1950)


GRANDES FIGURAS NATALENSES
( 3 / 6 )

Albimar Marinho
(1964-1966. Boêmio, nasceu em Canguaretama)
Berilo Wanderley
(1934-1979. Cronista, nasceu em Natal)
Moacyr de Góes
(1930-2009. Educador, nasceu em Natal)
Edgar Barbosa
(1909-1976. Professor, nasceu em Ceará-Mirim)
Luís Carlos Guimarães
(1934-2001. Poeta, nasceu em Currais Novos)
Isabel Gondim
(1839-1933. Professora, nasceu em Nísia Floresta)


POEMA de
Zé Limeira
[ Republicado in Balaio n° 1213, de 14/10/1999 ]

Quando D. Pedro II
Governava a Palestina
E Dona Leopoldina
Devia a Deus e ao mundo
O poeta Zé Raimundo
Começou a capar jumento.
Daí veio um pensamento:
Tudo aquilo era boato.
Oito noves fora quatro,
Diz o Velho Testamento.


MÁXIMAS E MÍNIMAS DE STANISLAW PONTE PRETA
[ in Máximas inéditas de Tia Zulmira, 1976 ]

[] Bebia muito sim e nunca teve ressaca.
Tinha mesmo era maremoto.
[] Crer em Deus é fácil. Nos padres é que é difícil.
[] Quando um amigo morre leva um pouco da gente.
[] Quem assiste à programação noturna da televisão
não é capaz de imaginar que a diurna é pior.
[] Há sujeitos tão inábeis que sua ausência preenche uma lacuna.



PROPOSTA PARA ACABAR COM AS GUERRAS

1. Os homens com menos de 35 anos ficam isentos
do serviço militar;
2. Os combatentes precisam ter no mínimo 40 anos;
3. As guerras só podem ser iniciadas
com o consentimento das mães.

Jamil M. Barrody, antigo Embaixador da Arábia Saudita
nas Nações Unidas


CAMBUQUIRA
Mercedes Lorenzo
[ in Cosmunicando ]


qualquer
coisa
nas
coisas
quaisquer
sobre
as quais
florescemos

(para ru)


MEU HOMEM
Luiza Viana
[ in O céu do lençol, 1996 ]

Anjo meu
cheiro de mel
puro bordel
de poesia

Olho nos seus olhos
viro doce
de ambrosia.


O CORO DAS MARIONETES
Marcelo Novaes
[ in Prosas Poéticas ]

É verdade: as crianças se assustaram com o canto das marionetes. Elas, de repente, improvisavam fluente coro [em uníssono], em linguajar ininteligível. É verdade: tudo começou com o boneco do ventríloquo. Enquanto dormia seu dono e protetor [homem bom, pelo que sabiam], mexeu [o boneco] nas balas da mesa, sem acender a luz. Era festa. A claridade o fez cair pra trás, de susto. O menor dos meninos [e de maior curiosidade] ousou interrompê-lo [achou estranho o barulho de papéis de balas sendo mexidos na solidão da sala], ligando o interruptor. Caiu para trás, também, o menino. Nesta hora, morria o dono do boneco, em pleno sono. É verdade. Bonecos outros, não sujeitos a ventríloquos [mas seus próprios sujeitos: Barbies, Suzies e Zumbis] se inseriram ao coro de marionetes. Dir-se-ia: um Réquiem. [E havia bebês que só sabiam mamar nas plásticas mamadeiras...]. Os bonecos outros se uniram em coro, em reação ao triplo colapso. [Eram tão tristes as Suzies, e tão softs...]. Meninos outros acorreram ao local [adentraram o recinto, segundo informação policial] e entraram em choque [pálidos e estanques], por não compreenderem, das marionetes, a mensagem. [Nem a expressão facial]. Tarzans ficaram tristes. Bonecos e marionetes perderam, então, sua natural liberdade [e naturalidade liberal]. É verdade. Policiais nada fizeram diante das fileiras de estupor. Não havia algema, nem mandato. Caíram em prantos. As crianças, agora, convalescem, paulatinamente, em hospital público. Os militares, afastados, servem-se dos serviços psiquiátricos. Perderam, por fim, as vozes aqueles que não cantam [nem exibem poses] como os homens. É verdade.

11 comentários:

Mirse Maria disse...

Bom Dia, Moa!

Gostaria de esclarecer, que estou sem o meu PC velho de guerra, daí as inúmeras publicações de comentários, ontem. Acho que agora estou melhor num laptop maluco que me arrumaram.

Li toda a Biblioteca porreta!

Amo Stanislaw!


Aplausos para Mercedes Lorenzo!

Platéia lotada e de pé, aplausos para Marcelo Novaes.

O meu poeta é DEMAIS!

Beijos

Mirse

líria porto disse...

tudo bom nesse balaio, o zé limeira, o sérgio porto, o marcelo novais, mas gostei, gostei mesmo foi do poema cambuquina, da mercedes lourenço - cumé que pode um tantim assim de palavras dizer tudo?

besos

(guerra, só com o consentimento das mães!!!! sabedoria é isso!)

Assis Freitas disse...

Fico com Zé Limeira, poeta do absurdo, as máximas e mínimas - a da televisão é sensacional - e a proposta para acabar com as guerras, existe absurdo maior. Eternizo a Cambuquira. Abraço.

BAR DO BARDO disse...

S´ craques. Parab´ns!

Pedrita disse...

eu gostei bastante do quarup. amo rumo ao farol. o meu preferido da virgínia woolf. beijos, pedrita

célia musilli disse...

Tudo muito bom.Um bj!!

Marcelo Novaes disse...

Moa,


"Há sujeitos tão inábeis que sua ausência preenche uma lacuna". Essa máxima é fantástica...







Grato pela inclusão do meu texto!







Abração.

Carito disse...

ah! se todo porto fosse ponte
stanislaw ponte preta
ah! como é bom beber da fonte
desse balaio porreta!

Nydia Bonetti disse...

Tudo perfeito, Novaes, Viana, tudo. Mas cabuquira é tudo de bom... :) Beijooos.

Cosmunicando disse...

Moa,
com certo atraso, mas a tempo de te agradecer, feliz da vida, aportei :))
é na madrugada (ainda!) que tenho a tranquilidade de curtir o balaio com uma caneca de chá aqui do lado (hoje em sampa tá 16 graus)... e isto aqui já virou meu oásis, um oásis brazuca com mandacarús do nordeste e cambuquiras do sul convivendo nessa harmonia que só você sabe administrar tão bem :)
agradeço também a todos os comentários dos amigos aqui.
beijão

CANTO GERAL DO BRASIL (e outros cantos) disse...

Moa,
Balaio que coa o que há de melhor. Bom vir-me sempre aqui, que não vir é perda...

Abraço mineiro,
Pedro Ramúcio.