sexta-feira, 16 de abril de 2010

Aqui, em Campina Grande, PB,
reside um dos maiores tricolores do país:
o meu tio Walfredo Cirne.
Com ele - e outros tios queridos,
e mais a minha admiração por Telê, Didi e Castilho -,
aprendi a amar o Fluminense.
Para todo o sempre.


BALAIO PORRETA 1986
n° 2993
Rio, 16 de abril de 2010


ROMPIMENTO
Maria Maria
[ in Espartilho de Eme ]

Quando me impediram de falar,
silenciei.

Quando me imperdiram de gritar,
ocultei-me.

Quando me impediram de ser quem eu sou,
tirei todas as minhas roupas e

andei nua pelo mundo.


CASTELO DELUSÃO
Henrique Pimenta
[ in Bar do Bardo ]

As pedras gigantescas do meu Sonho -
contenho o Continente da Vazão...
Matéria consistente que lhe ponho -
componho o meu Castelo Delusão...

Desejos com esperma lhe disponho;
sonetos de mau gosto, sem visão;
temores ancestrais deste bisonho;
preguiça de morrer deste cuzão.

Castelo, Castelinho, Grão Nanico,
é o velho Zé Limeira que prediz,
gargalha à sua forma de penico.

Não sou do que é Suor nem pela Lida.
Não sou eu d'Aragão nem um d'Avis.
Não sou pelo Constructo. Sou da vida!


Poema de
JOSÉ BEZERRA GOMES
(Currais Novos, RN)

Todos
Irmãos


MONÓLOGO
Barão de Itararé
[ in Almanhaque 1955 / 1º Semestre ]

Eu tinha doze garrafas de uísque na minha adega e minha mulher me disse para despejar todas na pia, por que senão...

- Assim seja! Seja feita a vossa vontade - disse eu, humildemente, e comecei a desempenhar, com religiosa obediência, a minha ingrata tarefa.

Tirei a rolha da primeira garrafa e despejei o seu conteúdo na pia, com exceção de um copo que bebi.

Extraí a rolha da segunda garrafa e procedi da mesma maneira, com exceção de um copo que virei.

Arranquei a rolha da terceira garrafa e despejei o uísque na pia, com exceção de um copo que empinei.

Puxei a pia da quarta rolha e despejei o copo na garrafa que bebi.

Apanhei a quinta rolha da pia, despejei o copo no resto e bebi a garrafa, por exceção.

Agarrei o copo da sexta pia, puxei o uísque e bebi a garrafa, com exceção da rolha.

Tirei a rolha seguinte, despejei a pia dentro da garrafa, arrolhei o copo e bebi por exceção.

Quando esvaziei todas as garrafas, menos duas que escondi atrás do banheiro, para lavar a boca amanhã cedo, resolvi conferir o serviço que tinha feito de acordo com as ordens de minha mulher, a quem não gosto de contrariar, pelo mau gênio que tem.

Segurei, então, a casa com uma mão e com a outra contei direitinho as garrafas, rolhas, copos e pias, que eram, ao todo, exatamente 39. Para me certificar de que não havia engano, contei tudo outra vez e, quando terminei, já encontrei um total de 93, o que dá certo, quando as coisas andam de pernas para o ar. Como a casa, nesse momento, passou mais uma vez pela minha frente, aproveitei para controlar as minhas contas e recontei todas as casas, copos, rolhas, pias e garrafas, menos aquelas duas, que escondi no banheiro e que eu acho que não vão chegar até amanhã, por que estou com uma sede louca...

11 comentários:

BAR DO BARDO disse...

Agradeço o mérito. Agradeço figurar entre tantos - e tão!

Abraço!

Jarbas Martins disse...

postagens cinco estrelas

o balaio, velho Moá, é a mais produtiva oficina poético-literária-virtual em atividade no brasil

destaques como sempre para a poesia henrique pimenta o sonetista delusório é o inventor
da forma medieval nos dias atuais

a poesia de maria maria me agrada muito e a poesia de zé bezerra gomes seu velho heterônimo

desculpas para quem achar que o gosto não é um juízo de valor determinante com a palavra antonio cícero

Pedrita disse...

lindo o poema de maria maria. beijos, pedrita

líria porto disse...

sexta-feira, dia de esvaziar as garravas... (sic)

bom balaio, moa - ainda mais com o bardo no castelo!
besos

Assis Freitas disse...

Impagável o Barão, Flu eu tenho dois no coração (é Feira tem Flu). Poesia de gente grande. Abraço.

p.s. vou ver se tem umas garrafas para arrumar.

Mirse Maria disse...

Oi Moa!

Maria Maria e Mestre Henrique Pimenta, brilham no Balaio de Hoje.

Assim como Campina Grande, linda cidade onde tem um museu e uma rua com o nome do bisa de meus netos.



O máximo, o Barão de Itararé.

Beijos

Mirse

Maria Maria disse...

Oi, amigo querido!

Obrigada novamente pela postagem. Não entendo nada de futebol, mas meu irmão é Fluminense de carteirinha. Se ele (o Flu) perde, meu irmão adoece de raiva. O mais tudo bem.

Beijos,

Maria Maria

Adriana Godoy disse...

Moacyr, que delícia voltar a esse espaço e achar tanta coisa boa, destaque para o Bardo e seu castelo. Beijo

Jens disse...

Depois de um período insano de trabalho, nada como bons poetas e um barão para revigorar o intelecto. Valeu, Moacy.

Um abraço.

nina rizzi disse...

então, pronto, já sei: tomarei o amaretto dell'orso que me me trouxeram da terrinha; ateio fogo às vestes e sairei a gritar os versos de maria maria...

Maria Vieira disse...

eu sei
que as luzes dessa cidade estão piscando pra mim.