domingo, 15 de julho de 2007


Fortaleza dos Reis Magos,
entre o Potengi e o mar, em Natal,
que começou a ser edificada no dia 6/1/1598
(Foto de autoria desconhecida)


BALAIO PORRETA 1986
nº 2063
Rio, 15-16 de janeiro de 2007


SURPRESA
de José Bezerra Gomes (RN)
[ in Antologia poética, 1974 ]

Vi minha
casa

Olhei-a
olhando

Olhei olhando
para mim


Com a participação/intervenção do Homem,
e segundo o Balaio Porreta,
eis
AS SETE MARAVILHAS DO RIO GRANDE DO NORTE

1. A Fortaleza dos Reis Magos, em Natal
2. O Açude Gargalheiras, em Acari
3. A Praça da Matriz, em Caicó
4. O Mirante da Carranca, em Martins
5. O Santuário do Sagrado Coração de Jesus, em Jardim do Seridó
6. O Bosque dos Namorados, em Natal
7. O Açude Itans, em Caicó
Menção honrosa:
Barragem Passagem das Traíras, em São José do Seridó
Ponte Velha de Igapó, em Natal
Estádio Machadão, em Natal
Salinas de Galinhos

Eis, ainda segundo o Balaio,
AS SETE MARAVILHAS DA CULTURA LITERÁRIA POTIGUAR

1. História da Fortaleza da Barra do Rio Grande (1979),
de Helio Galvão

2. Canto de muro (1959),
de Luís da Câmara Cascudo

3. A biblioteca e seus habitantes (1970),
de Américo de Oliveira Costa

4. A penúltima versão do Seridó (2005),
de Muirakytan Macedo

5. Antologia poética (1974),
de José Bezerra Gomes

6. Livro de poemas (1927),
de Jorge Fernandes

7. As pelejas de Ojuara (1986),
de Nei Leandro de Castro

Menção honrosa:
Sertões do Seridó (1980),
de Oswaldo Lamartine de Faria
Prelúdio e fuga do real (1974),
de Luís da Câmara Cascudo
O arado (1959),
de Zila Mamede
Currais Novos: Imagem / tempo / espaço (2005),
de Francisco Ivan

UM BLOGUE PORRETA

Grande Ponto
, de Alexandro Gurgel:
Informações culturais sobre Natal e o nosso Rio Grande.
Poemas e fotografias. E literatura.

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Três velhos canhões em cima e dois na Praça Nobre, deixados em desordem, é tudo quanto resta da artilharia. Nada identifica a origem ou a data: recomidos da ferrugem, são testemunhas silenciadas. O passado ficou sem voz: por isto tantos erros se acumularam sobre o Castelo de Mascarenhas Homem. (Hélio GALVÃO. História da Fortaleza da Barra do Rio Grande [1979]. Natal: Fundação Hélio Galvão; Scriptorim Candinha Bezerra, 1999, p.65).

sábado, 14 de julho de 2007


Grandes momentos do cinema:
Blow-up (Michelangelo Antonioni, 1966).
Mais uma vez o cinema do Mestre italiano com suas conotações formalmente apolíneas, mesmo quando embriagadoras, como aqui. Não haverá em Blow-up um duplo olhar que revela o não-revelado, que revela aquilo que não é para ser revelado? Quando o vi pela primeira vez, ainda nos anos 60, havia nele qualquer coisa que me dilacerava, que me queimava, como se a tangível Londres não fosse uma Londres intangível. Ao mesmo tempo, sua modernidade nos angustiava: o filme estava dentro de nosso sangue, de nossas entranhas, de nossos desejos, de nossas desilusões. Visceralmente. Até hoje. Até hoje. (Moacy CIRNE. Luzes, sombras e magias. Natal: Sebo Vermelho, 2005, p.114)


BALAIO PORRETA 1986
nº 2062
Rio, 14 de julho de 2007



OFERENDA
de Laura Amélia Damous
[ in A poesia maranhense no século XX, de Assis Brasil ]

Venho te oferecer meu coração
como o cansaço se oferece aos amantes
o suor aos corpos exaustos
depois de definitivo abraço
Venho te oferecer meu coração
como a lua se oferece à noite
e o vento à tempestade
Venho te oferecer meu coração
como o peixe se oferece à captura
no engano do anzol


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS
666 livros indispensáveis (24a / 111)

Livro de poemas de Jorge Fernandes [1927]. Natal: Fundação José Augusto, 1997, 96p. [] Edição facsimilar: a primeira explosão modernista do Rio Grande do Norte. Manuel Bandeira, Luís da Câmara Cascudo e Mário de Andrade, entre outros, tinham em alta conta os versos regionalistas e, às vezes, onomatopaicos (além do caligramático Rede "suspensa") do poeta potiguar. Jorge Fernandes, com esse único livro, e José Bezerra Gomes, igualmente com a solitária Antologia poética, tornaram-se referência obrigatória para as vanguardas (anti/contra)literárias de Natal, a partir de 1966/67.

O Eu profundo e os outros Eus, seleção poética de Fernando Pessoa. Rio de Janeiro: José Aguilar, 1975, 288p. [Nossa edição dos anos 60, que considerávamos uma verdadeira Bíblia da Poesia, ficou para sempre nas mãos de uma jovem morena carioca, por volta de 1968.] Basta dizer que se trata do maior poeta de língua portuguesa, depois de Camões. É preciso dizer mais alguma coisa? Fernando Pessoa, Alberto Caeiro, Ricardo Reis, Álvaro de Campos: quatro pessoas numa só - eis aqui o Santíssimo Quarteto da Poesia Universal. Em se tratando de Pessoa, tudo vale a pena, já que a sua poeticidade não é pequena.

O casamento [1966], de Nelson Rodrigues. São Paulo: Companhia das Letras, 1992, 260p. [] Um romance arrasador, que atinge, com furiosa agressividade, os padrões morais e amorais da classe média suburbana das grandes cidades brasileiras, particularmente o Rio de Janeiro. Ninguém se salva da sujeira lancinante que envolve todos os personagens. Não há compaixão, não há salvação. Mas há a obra-prima: a literatura que, com suas imperfeições, consegue ser perfeita. Como já foi dito, aliás. Não é um livro qualquer - é um livro de Nelson Rodrigues, é a obra de um "anjo pornográfico" (cf. Ruy Castro).

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Não nos desculpemos de amar com a imaginação. Tudo é imaginação. O amor é imaginação concentrada; a poesia, imaginação difusa. (Joaquim NABUCO. Pensamentos soltos. Brasília: AN Editora, s/d, p.305)

sexta-feira, 13 de julho de 2007


Será a Eternidade tranqüila como uma foto
de Tomás Kaspar
in Light Harmony?
É possível pensar na Eternidade
como uma rebuscada fantasia barroca
grávida de anoiteceres e azulências?
Ou, para todo o sempre,
existirá apenas através das obras de
Bach, Monteverdi, Charpentier,
Beethoven, Pixinguinha,
Luiz Gonzaga, Dante,
Cervantes, Camões,
Shakespeare,
Van Gogh,
Bosch, Gaudí,
Antonioni, Welles, Godard,
Eisner, Moebius, McCay,
Coltrane, Davis, Parker?


BALAIO PORRETA 1986
nº 2061
Rio, 13 de junho de 2007


"DESENCANTO"
de
Iracema Macedo (RN)
[ in
Lance de dardos, 2000 ]
a Manuel Bandeira

Sou uma mulher vulgar
e faço versos como quem fode
sentindo prazer e dores
Eu faço versos como quem cospe
no bicho morto no meio-fio
sentindo nojo sentindo encanto
Eu rezo terços
e chupo lâminas
E faço versos como quem goza
e gozo como quem glosa


SEBO VERMELHO / CARTACAPITAL

Não é segredo para ninguém: consideramos a CartaCapital a melhor revista semanal brasileira. Pois bem, com indesculpável atraso, informamos com alegria que o número que (ainda) se encontra nas bancas, com data de 11 de julho, tem uma ampla matéria de duas páginas inteiras com Abimael Silva, o editor e sebista natalense do Sebo Vermelho. Um livreiro aventuroso (p.52-53) é o título da matéria.

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Desejamos ser compreendidos, porque desejamos ser amados, e desejamos ser amados porque amamos. (Marcel PROUST. Em busca do tempo perdido: A fugitiva. Trad. Carlos Drummond de Andrade)

quinta-feira, 12 de julho de 2007


Tímida ou não, incompleta ou não, "guilhotinada" ou não,
no campo fértil da plasticidade amorosa
uma mulher se faz bela, e bela, e bela,

entre muitos e muitos e muitos outros,
através das fotografias de um Jan Saudek, artista tcheco,
que "giram em torno da sexualidade e da relação
entre homens e mulheres, velhice e juventude, vestuário e nudez".
Quase sempre, Saudek "adota uma abordagem antagônica para
alcançar poderosos efeitos pictóricos" (in Fotografia do século
XX; coletânea do Museum Ludwig de Colônia, p.578).


BALAIO PORRETA 1986
nº 2060
Rio, 12 de julho de 2060


POEMA
de João Victor
[ in Tangerinas incendiárias ]

Quase-poema e/ou Quase uma sombra
e/ou Mais um breve vislumbre do quase
e não podia esperar
tinha que acabar no antes
tinha que acabar nu
tinha que


MEU HOMEM
de Luiza Viana
[ in O céu do lençol, 1996 ]

Anjo meu
cheiro de mel
puro bordel
de poesia

Olho nos seus olhos:
viro doce
de ambrosia


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS
666 libros indispensáveis (22c / 111)

Manual dos inquisidores, escrito por Nicolau Eymerich [1376], revisto e ampliado por Francisco de La Peña [1578]. Pref. Leonardo Boff. Rio de Janeiro: Globo, 1993, 256p. [] Horror dos horrores: em tom frio, calculista, nada cristão, o autor revela, em pormenores, entre outros pontos, como se deve torturar (sobretudo psicologicamente) para se obter uma confissão de supostos hereges, apenas porque eram dissidentes do pensamento bitolado da Igreja Católica. Tudo começou no século XIV: o nazismo antes do nazismo, o inferno antes do inferno, a morte antes da morte - eis os ingredientes da "Santa" Inquisição.

Fotografia do século XX; coleção do Museum Ludwig de Colônia, por Reinhold MiBelbeck. Köln; London; Madrid; New York; Paris; Tokio: Taschen, 1996, 760p. [] Excelente mapeamento do acervo fotográfico do MLC, incluindo material, em boa quantidade, de Jan Saudek - um dos mais representativos da fotografia contemporânea -, Man Ray - um gênio da fotografia experimental -, Ansel Adams - um nome histórico. E tais e quais: Richard Avedon (inluindo uma maravilhosa foto de Brigitte Bardot, p.33), Cecil Beaton, Robert Capa, o incomparável Cartier-Bresson, Robert Doisneau, Alexander Rodchenko, Moholy-Nagy. E mais.

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A perfeição de Buda é mais bela do que a do cristianismo, porque é mais desinteressada. (VIGNY [1797-1863]. Diário de um poeta)

quarta-feira, 11 de julho de 2007


A foto digital de Dmitry Chebotarev, a partir do Meu Porto,
leva-nos a sonhar: estaríamos dentro de uma película
de ficção científica, à procura de um planeta com
duas belas luas: duas luas e muitos devaneios,
muitos devaneios e muitas surpresas???


BALAIO PORRETA 1986
nº 2059
Rio, 11 de julho de 2007



DE SILÊNCIOS E AUSÊNCIAS
Míriam Monteiro
[ in Meu Porto ]

Um rio
ciciante de poemas
me atravessa,
e eu transbordo
silêncios.

À margem
brinco de não ser,
esperando
o que me desconstrua,
o que rompa algemas.

Inebriada de silêncios,
nem percebo
que o amanhecer tarda
e a poesia
já não vem.


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS
666 livros indispensáveis (23b / 111)

Cartas a um jovem poeta & A canção de amor e morte do porta-estandarte Cristóvão Rilke. Trad. Paulo Rónai & Cecília Meireles. Porto Alegre: Globo, 1966, 110p. [] Se A canção de amor, recriada por Cecília Meisreles, é a prosa poética de Rilke em sua delicadeza mais acentuada, as Cartas, traduzidas por Paulo Rónai, e escritas entre 1903 e 1908, são uma lição de vida e literatura, de sinceridade e espaço intelectual. São Cartas importantes, que representam, para o jovem escritor/poeta, o que existe de verdade e de mais puro em suas palavras.

De poesia e poetas, de T.S Eliot. Trad. Ivan Junqueira. São Paulo: Brasiliense, 1991, 362p. [] Coletânea de 16 ensaios luminosos, quase todos escritos nos anos 40 e 50 do século passado. Ensaios que nos falam da função social da poesia, de sua musicalidade, das fronteiras da crítica. Que se voltam para Virgílio, Milton, Johnson, Byron, Goethe, Kipling, Yeats. "Podemos dizer que a tarefa do poeta, como poeta, é apenas indireta com relação ao seu povo: sua tarefa direta é com sua língua, primeiro para preservá-la, segundo para distendê-la e aperfeiçoá-la" (p.31), escrevia Eliot em 1945.

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Uma obra de arte é boa quando nasceu por necessidade. Neste caráter de origem está o seu critério, - o único existente. (Rainer Maria RILKE. Cartas a um jovem poeta. Trad. Paulo Rónai. Porto Alegre: Globo, 1966,p.25)

terça-feira, 10 de julho de 2007


Um pouco de humor:
Em Pirangi do Norte, praia nas proximidades de Natal,
há um bar/buteco bastante freqüentado pelo pessoal jovem.
Seu nome (Comeu Morreu) nunca espantou ninguém.
Ao que se sabe, seus salgadinhos também nunca mataram
quem quer que seja. Por via das dúvidas, embora o conheça
de passagem, na principal rua de Pirangi,
ainda não me atrevi a provar de suas iguarias, decerto surpreendentes.


BALAIO PORRETA 1986
nº 2058
Rio, 10 de julho de 2007



TRÊS POEMAS
de Luiza Viana
[ in O céu do lençol, 1996 ]

Lua negra

Atraí-lo
para traí-lo

Perdedora nata

Eu luto, luto
mas não consigo
ser tão inútil

Turismo sentimental

minha cidade ilumina
um sentimento
em cada esquina


POEMA
de Gastão de Holanda
[ in Cor-purificação, 1979 ]

és puta
e sobre esta puta
edificarei a minha igreja


RECOMENDAMOS ESPECIALMENTE

Coeurs / Medos privados em lugares públicos (Resnais, 2006).
Depois de alguns filmes apenas razoáveis, o francês Alain Resnais
- autor de três ou quatro obras-primas indiscutíveis -
voltou a fazer um filme sensível e acolhedor.
O diretor de Hiroshima e Marienbad, em boa forma,
"surpreende com um espetáculo que matiza a luminosidade
da comédia com discretas sombras dramáticas" (Ely Azeredo, n'O
Globo). Em cartaz no Espaço 2 e no Estação Ipanema / 1.

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Eu/ à poesia/ só permito uma forma:/ concisão,/ precisão das fórmulas/ matemáticas. (Vladimir Maiakóvski. Poemas. Trad. Augusto de Campos)

domingo, 8 de julho de 2007


Nosso Brasil Brasileiro:
É verdade, é verdade, o Natal está longe.
Mas, para o Balaio, o tempo é uma questão relativa.
E o artista pernambucano Jô Oliveira, que reside em Brasília,
sabe que os festejos natalinos deveriam ser comemorados
da forma a mais brasileira possível.
E quem somos nós para discordar de Jô Oliveira?


BALAIO PORRETA 1986
nº 2057
Rio, 9 de julho de 2007


OS MELHORES FILMES BRASILEIROS DE TODOS OS TEMPOS

A revista Paisà, em sua versão eletrônica, promoveu uma enquete sobre os melhores filmes nacionais até hoje realizados, ouvindo 18 jovens críticos. Publicamos, a seguir, o resultado final. Concordemos ou não com ele, é um resultado dos mais interessantes. Vejam:
1. Limite (Mário Peixoto)
2. Terra em transe (Glauber Rocha)
3. Bang bang (André Tonacci)
4. Deus e o diabo na terra do sol (Glauber Rocha)
5. São Paulo S/A (Luís Sérgio Person)
6. O bandido da luz vermelha (Rogério Sganzerla)
7. A mulher de todos (Rogério Sganzerla)
8. Cabra marcado para morrer (Eduardo Coutinho)
9. Vidas secas (Nelson Pereira dos Santos)
10. A hora e vez de Augusto Matraga (Roberto Santos)
11. A idade da terra (Glauber Rocha)
12. O signo do caos (Rogério Sganzerla)
13. Sem essa aranha (Rogério Sganzerla)
14. O império do desejo (Carlos Reichenbach)
15. O anjo nasceu (Júlio Bressane)
16. O despertar da besta (José Mojica Marins)
17. São Bernardo (Leon Hirszman)
18. Ganga bruta (Humberto Mauro)
19. Rio, zona norte (Nelson Pereira dos Santos)
20. A margem (Ozualdo Candeias)
& Serras da desordem (André Tonacci)

Eis, agora, a nossa seleção:
1. Deus e o diabo na terra do sol (Glauber Rocha)
2. Terra em transe (Glauber Rocha)
3. Vidas secas (Nelson Pereira dos Santos)
4. Porto das Caixas (Paulo César Saraceni)
5. Cabra marcado para morrer (Eduardo Coutinho)
6. O bandido da luz vermelha (Rogério Sganzerla)
7. São Paulo S/A (Luís Sérgio Person)
8. Assuntina das Amérikas (Luís Rosemberg Filho)
9. São Bernardo (Leon Hirszman)
10. Os fuzis (Rui Guerra)
11. O padre e a moça (Joaquim Pedro de Andrade)
12. Bang bang (André Tonacci)
13. LavourArcaica (Luiz Fernando Carvalho)
14. Limite (Mário Peixoto)
15. Ganga bruta (Humberto Mauro)
16. O anjo nasceu (Júlio Bressane)
17. Mar de rosas (Ana Carolina)
18. Romance do vaqueiro voador (Manfredo Caldas)
19. Viagem ao fim do mundo (Fernando Coni Campos)
20. Blábláblá (André Tonacci), curta
& Arraial do Cabo (Mário Carneiro & Paulo César Saraceni), curta

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Limite é de fato incontornável. Mas não apenas pelo aspecto histórico. Não apenas por ser um de nossos primeiros poemas filmados, um filme em sintonia com as vanguardas européias, ou por ter sido considerado perdido por muitos. Limite é inconternável porque tem imagens absurdamente fortes ... (Sérgio ALPENDRE, in Paisà)

sábado, 7 de julho de 2007


Grandes momentos do cinema:
The searchers / Rastros de ódio (John Ford, 1956).
Esteticamente, um dos filmes mais perfeitos da história do cinema. É verdade que o personagem interpretado por John Wayne (Ethan Edwards), com seu racismo nojentasco, merece as mais duras críticas. Mas Ford é Ford: tempo narrativo extraordinário, fotografia (de Winton C. Hoch) maravilhosa, música (de Stan Jones e Max Steiner) na medida certa, argumento (de Frank S. Nugent) envolvente, apesar de tudo, elenco (John Wayne, Jeffrey Hunter, Vera Miles, Ward Bond, Natalie Wood) primoroso. Para muitos e muitos, o melhor western já feito até hoje e um dos 20 ou 30 maiores filmes de todos os tempos.


BALAIO PORRETA 1986
nº 2056
Rio, 7 de julho de 2007


INCENSÓRIO DO ANOITECER
de Diogo Fontenelle (CE)
[ in Incensório do anoitecer, 1986,
segundo A poesia cearense no século XX, de Assis Brasil]

Logo mais deixarei este cais!
O poema é meu mantra,
A poesia é minha magia.
Louro Serafim, o que será de mim?

Logo mais deixarei este cais!
O poema é meu mantra,
A poesia é minha magia.
Anael, mostre-me as escadas do céu!

Logo mais deixarei este cais!
O poema é meu mantra,
A poesia é minha magia.
Anjo-Guardião, faça de mim uma canção!


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS
666 livros indispensáveis (23a / 111)

Leviatã [1651], de Thomas Hobbes. Trad. João Paulo Monteiro & Maria Beatriz Nizza da Silva. Supervisão ed. bras. Eunice Ostrensky. São Paulo: Martins Fontes, 2003, 616p. /Clássicos Cambridge de Filosofia Política/ [] "Leviatã de Hobbes sempre despertou fortes sentimentos em seus leitores. Atualmente, é considerado a obra-prima do pensamento político inglês, e uma obra que, mais do que qualquer outra, definiu o caráter da política moderna" (da Introdução, p.IX). São múltiplos os assuntos abordados com maestria por Hobbes: poderíamos destacar, por exemplo, o significado da Alma nas escrituras, a questão das Ciências, o domínio adquirido pela Conquista, a questão da Democracia, a incompreensibilidade de Deus, a distinção entre lei e Direito, a questão da Felicidade, ou seja, sobre tudo e sobre todos, o primado maior da Teoria Política conforme os preceitos e conceitos do século XVII.

Os cantos de Maldoror [1869], de Lautréamont. Trad. & pref. Cláudio Willer. São Paulo: Max Limonad, 1986, 289p. [] Um livro furiosamente inquietante, precursor da prosa surrealista: a tortuosa história de um contra-herói que, através da celebração do Mal, não só desafia Deus - desafia toda a Humanidade. Lautréamont [Isidore Ducasse, 1846-1887] é o primeiro a prevenir: "Não convém que qualquer um leia as páginas a seguir; só alguns conseguirão saborear este fruto amargo sem maiores riscos" (p.31). O pensador Gaston Bachelard dedicou-lhe um belo livro, onde afirma: "... l'oeuvre de Lautréamont nous apparaît comme une véritable phénoménologie de l'agression. Elle et agression pure, dans le style même où a parlé de poésie pure" (Lautréamont [1939]. Paris: José Corti, 1974, p.9). Em suma, um livro admirável. (Há, com a mesma tradução, uma ótima edição da Iluminuras, de 1997.)

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Ao lado de Lautréamont, como Nietzsche é lento, como ele é tranqüilo, como ele é familiar com sua águia e sua serpente! A um, os passos do dançarino; ao outro, os saltos do tigre. (Gaston BACHELARD. Lautréamont. Paris, 1974, p.11)

sexta-feira, 6 de julho de 2007


navegar navegar, é preciso navegar:
navegar por lunáguas misteriosas
sons sombras e penumbramentos
para que - luz silêncio e solidão -
a imagem se faça poesia
a imagem se faça magia.

[ tamtam tamtam, in PhotoNet ]


BALAIO PORRETA 1986
nº 2055
Rio, 6 de julho de 2007



NUDEZ
de Denize Cruz (RJ)
[ in O fio da pele, 2000 ]

Não me queiras
tomada de água pelas entranhas
sem os poros livres
sem os pêlos soltos.

Não me queiras
soterrada por tantas montanhas
com os olhos retos
com os braços rotos.

Deseja
minhas asas
frescas e a pele tesa


RECOMENDAÇÕES BOROGODOSAS

Dom Quixote, cordel adaptado por J. Borges, com ilustrações de Jô Oliveira. Brasília: Entrelivros, 2006, 44p. O clássico dos clássicos da literatura espanhola numa versão bastante livre e criativa de dois mestres pernambucanos da cultura tupiniquim: o cordelista J. Borges e o ilustrador/quadrinhista Jô Oliveira. O resultado é instigante, com a lendária figura de Dom Quixote à procura de sua Dulcinéia em plena Campina Grande. Da Espanha para o sertão agrestino, portanto, basta a imaginação do poeta. E ela, aqui, se faz com desenvoltura.

Letralivre, nº 47. Rio de Janeiro, 2007, 80p., editada por Robson Achiamé e coordenada por Luiz Alberto Sanz. Há 12 anos, esta revista de cultura libertária, arte e literatura, de modo alternativo, tem divulgado e discutido as idéias anarquistas do pensamento ocidental. No presente número, destacamos Direito e anarquia (de Alfredo Gaspar), Os bichos - território e metamorfoses (Jean Baudrillard), Os 40 dias de um prisioneiro [iraquiano] (Karim El-Gawhary), Dois filmes e um óvulo só (Luiz Alberto Sanz).
Emeio: letralivre@gbl.com.br.


CORRENTE LITERÁRIA

O blogueiro e cinéfilo natalense Marcos Felipe indicou-me, com mais quatro amigos, para participar de uma corrente literária. Muita gente não gosta desse tipo de "brincadeira": no caso, ele apontou cinco livros para que eu leia no espaço de uma semana. Puxa vida, tenho as minhas leituras programadas (a Biblioteca dos Sonhos tem me levado a inúmeras releituras, na íntegra ou parcialmente), mas tentarei fazer o possível, se bem que uma semana, para todos nós, é um prazo por demais curto. Tentarei ler pelo menos um deles. O problema é que preciso indicar cinco livros, nomeando cinco internautas. Aproveitando uma das recomendações de hoje, indicarei:
*** Dom Quixote, cordel
*** A literatura e o mal, de Bataille
*** O olhar de Orfeu, de Bernadette Bricout (org.)
*** Geografia do romance, de Carlos Fuentes
*** Qualquer livro editado pelo Sebo Vermelho, de Natal
E agora o mais difícil: apontar cinco blogueiros que levem adiante a idéia. Ei-los:
Bosco Sobreira
Márcia Maia
Marconi Leal
Jens, o homem da Toca
Sandra Camurça.
Posso citar mais um nome? Não!!! O regulamento não permite?
Dane-se o regulamento. Vou nomear, e pronto:
Jeanne Araújo.
E por que não um sétimo? Theo G. Alves!
Um oitavo? Um nono? Um décimo? Um vigésimo?
Tem um porém contudo todavia, que acrescento por conta e risco:
Se eles não lerem pelo menos três dos livros anunciados,
e não indicarem mais cinco blogueiros da gota serena,
serão condenados a
5 viagens para os crepúsculos de Madri, Londres,
Paris, Florença, Caicó e Lisboa;
5 sonhos transcendentais em companhia de
Alice no País das Maravilhas;
5 luas e cinco mares em noites de amores enlouquecidos.
Em tempo:
o Balaio não se responsabiliza
por possíveis despesas & danos materiais, afetivos,
psicológicos, futebolísticos e metafísicos.


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O único amor nobre é aquele que liberta. (Joaquim NABUCO. Pensamentos soltos. Brasília: AN Editora, s/d, p.123)

quinta-feira, 5 de julho de 2007


De volta ao Rio Grande do Norte,
quer em pensamento, quer virtualmente:
de volta à poesia do nosso interior,
de volta à poesia de nossas esperanças.

( em foto de Hugo Macedo )


BALAIO PORRETA 1986
nº 2054
Rio, 5 de julho de 2007



HAICAI
de Sandra Camurça (PE)
[ in O Refúgio ]

o amor me olha de fora
de dentro
você me namora


PARTO
de Bosco Sobreira (CE)
[ in Politicamente Incorreto ]

Por vezes
quando é noite
e tudo sangra negro
eu me recolho ao ventre das palavras
e espero

Um novo parto há de sempre se fazer em mim


LEMBRANÇAS DE GAVETA
de Beth Almeida (MG)
[ in Ponto Gê ]

para sempre o cheiro
do seu perfume
o veludo do toque
e algumas palavras vãs

- que eu mal uso
nessas tardes frias


POEMA
de Gastão de Holanda (PE
[ in Cor-purificação, 1979 ]

gemes e falas
ao pé da glande
como ao microfone
sussurram
as cantoras de blues

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Antes do poema/processo, em 1967, o marxismo já me mobilizava politicamente. A partir de suas fundação, no Rio e em Natal, passou a me mobilizar mais e mais. Até hoje. (MCirne, in Poema/Processo 1967)

quarta-feira, 4 de julho de 2007


Como alcançar o amarelo caminhante?
Como pintar o amarelo de azul?

Como sentir o amarelo aconchegante?


(Foto de autoria desconhecida, in Lunati-ká, de Carolina Salcides)


BALAIO PORRETA 1986
nº 2053
Rio, 4 de julho de 2007



TROFÉU BLOG CULTURA

O amigo Marco, do Antigas Ternuras, gentilmente me concedeu um Troféu Blog Cultura. De fato, este Balaio, de tantas e tantas lutas culturais e/ou anticulturais, tem investido, em maior ou menor escala, em poesia, literatura, cinema, quadrinhos, humor, política etc. e tal. E não é nem mais, nem menos "cultural" do que outros blogues similares. Às vezes pode ser mais afoito, às vezes mais contido. E só. Agora, chegou a vez das minhas indicações, em número de cinco. Pelo que entendo, ou entendi, não seria de bom tom nomear blogues de ordem mais pessoal ou voltados para a mesma temática, ou ainda com temáticas cujos direcionamentos sejam menos culturais em sentido múltiplo: assim, serei obrigado a deixar de lado, por exemplo, os excelentes O Refúgio, de Sandra Camurça, Politicamente Incorreto, de Bosco Sobreira, Toca do Jens, o blogue de Marconi Leal, Tábua de Marés, de Márcia Maia, o blogue de Jeanne Araújo, Lambuja, de Regina Pouchain, Kinocrazy, de Sérgio Andrade, Museu de Tudo, de Theo G. Alves, A Taberna, de Wescley J. Gama, Sela de Prata, de Marcos Felipe, Sopão do Tião, o blogue de Mariza Lourenço, e mais Hugo Macedo - Fotógrafo. Aponto, então, em ordem alfabética, os cinco blogues que, em meu modo de ver, podem ostentar o Troféu Blog Cultura, considerando que o já citado Antigas Ternuras, sempre muito bom, não poderia mais ser nomeado. Ei-los:

Agreste, de Manoel Carlos Pinheiro:
política, literatura e música;
Grande Ponto, de Alexandro Gurgel:
Rio Grande do Norte, poesia e música;
Improvisações..., de Milton Ribeiro:
literatura, música, cinema e mulheres;
Luzes da Cidade, de Francisco Sobreira:
cinema, curiosidades e literatura;
Zumbi Escutando Blues, de Linaldo Guedes:
Paraíba, poesia e cultura em geral.

Os "contemplados" poderão colar em seus respectivos espaços virtuais o selo do Troféu. Por sua vez, devem indicar mais cinco blogues que mereçam, segundo a avaliação de cada, ser "laureados".

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Escrever, para mim, na maioria das vezes, é um processo necessário. É catártico. É quando libero minhas tristezas e toda a escuridão que ronda minhas noites. Gosto de escrever tanto quanto gosto de ser lida, sobretudo sentida, porque não existe nada mais reconfortante do que saber-se amparado através dos sentidos.
(in Blogue de Mariza Lourenço)

terça-feira, 3 de julho de 2007


Navegando pelos sonhos virtuais da imaginação poética:
Nossos delírios engravidam as auroras

dos caminhos impossíveis.
Viajamos à procura da poesia e da liberdade,
nem que seja através de bicicletas perdidas
entre cores alucinadas e desejos apocalípticos.

(Foto de Augusto Peixoto)


BALAIO PORRETA 1986
nº 2052
Rio, 3 de julho de 2007



O DIARIM DE MARIA BUNITA - XII

Meu diarim quirido,
Num fique cum raiva de mim purque num tô lhe dando muita atenção, viu, é qui nóis tamo andando muito pur esse mundão de Meu Deus e Padim Ciço, procurando arguma ocupação pros homi e inquanto isso eu tombem mi divirto, diarim, qui às veiz essa vida de cangacêra tombem cansa. As veiz eu quiria ter meu ranchim pru durmi cum meu Virgulino, nem qui fosse um ranchim de paia na bêra de um açude, fazer tapioca cum café, essas coisa qui toda muié sonha im tê. Mais sei qui vou sintir farta de batê coxa nos forró da vida, de dar uns tiro im cabra safado qui se mete a besta cum eu, essas coisas. Na Fazenda Pinga Fogo nóis foi dançar um forrozim cum a cabroêra toda, purque os cabras pricisam se divertir um pouquim, ai diarim, o dono da fazenda se meteu a besta cum eu e pidiu licença a Virgulino prumode dançar comigo. Ele num gostô muito não, mais deixô assim mermo e ficou cum os zói o tempo todo im riba deu. O dono da casa me disse nas minhas oiças que eu era linda, corajosa, se dismanchô todo im ilogio pra cima deu e eu fiquei mais dismanchada ainda, é qui num risisto a uma conversa de pé de ureia. Mais aí o Capitão me puxô pelo braço, deu uns tiro pra cima e acabô cum o forró. Tem cabra inté oje correno cum medo. Sabe, diarim, meu Capitão é qui é homi indo e vortando. Nem no Beco da Lama e nem na tá de Mossoró tem homi qui nem ele... Duvi-d-o-dó qui tenha... Macheza cuma aquela nem aqui nem nos cafundós do giricó.


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS
666 livros indispensáveis (22c / 111)

Júlio Verne - uma literatura revolucionária, de Raymond Bellour & Jean-Jacques Brochier (coord.). São Paulo: Documentos, 1969, 122p. [] Coletânea de artigos originalmente publicados na revista francesa L'Arc, dirigida por Stéphane Cordier. Entre os vários (e ótimos) artigos sobre o principal precursor da ficção científica, apontamos: Por trás da fábula (de Michel Foucault), Leituras da infância (de Michel Butor), Os náufragos da Terra (de Francis Lacassin), A viagem iniciatória (de Marcel Brion), Um revolucionário subterrâneo (de Marcel Moré).

Nascimentos: Memória do fogo (I), de Eduardo Galeano. Trad. Eric Nepomuceno. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1986, 414p. [] Esqueçamos a "história oficial" da América Latina. Algo mais verdadeiro e mais "histórico" se impõe: suas lendas, seus mitos, suas canções, seus poemas, seus gritos de revolta, suas memórias mais terríveis, suas narrativas a partir dos primitivos habitantes. Eis aqui, em recriações dignas do poeta mais sensível, "A luta da dignidade e da poesia contra o horror e a estupidez" (Francis Pisani, in Uno Más Uno, México).


ARTE & POLÍTICA

O blogue do Poema/Processo mais uma vez, através de textos e objetos (anti)literários, coloca em pauta a relação da arte com a política, levando em conta a própria história do movimento. Afinal, são 40 anos de permanente guerrilha (anti)estética.

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O cristianismo muito fez pelo amor tornando-o um pecado. (Anatole FRANCE, in O jardim de Epicuro)

segunda-feira, 2 de julho de 2007


Em busca do tempo perdido:
Eis Ponta Negra, em Natal, quando a conheci, em 1952.
Um lugar distantedistante, verdadeiro paraíso,
simples vila de pescadores e praia de veranistas.
Hoje, o Morro do Careca já não é o mesmo.
Hoje, Ponta Negra já não é a mesma.
(Foto de Jaeci Emerenciano)


BALAIO PORRETA 1986
nº 2051
Rio, 2 de julho de 2007



A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS
666 livros indispensáveis (22b / 111)

Poesia russa moderna, sel. & trad. Augusto de Campos, Haroldo de Campos e Boris Schnaiderman. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 1968, 268p. [] Transcriações de alguns dos mais belos poemas russos e/ou soviéticos. Destaque todo especial para Aleksander Blok, Vassíli Kamiênski, Vielímir Khliébnikov, Ana Akhmátova, Sierguéi Iessiênin e, claro, Vladímir Maiakóvski. Há uma segunda edição, revista e ampliada, em 1985, pela Brasiliense (292p.), de São Paulo. De qualquer maneira, as duas edições são primorosas.

Poesia [1963], de T.S. Eliot. Trad., intr. & notas Ivan Junqueira. Rio de Janeiro: Nova Fronteira, 1981, 312p. [] Bastaria a inclusão do antológico A terra desolada, de 1922, para transformá-lo em grande livro. Mas há outros momentos da melhor qualidade poética, sempre bem traduzidos: Quarta-feira de cinzas, Poemas de Ariel, Quatro quartetos. No Brasil, também traduziram Eliot, é bom lembrar, Paulo Mendes Campos, Maria da Saudade Cortesão, Oswaldino Marques, Péricles Eugênio da Silva Ramos. Há mais nomes, decerto.


UMA RECOMENDAÇÃO BOROGODOSA

Antologia: Chiclete com Banana, n° 1, de Angeli. São Paulo: Nova Sampa / Devir Livraria, junho 2007, 50p. Preparemos nossos corações, nossas mentes, nossas dúvidas, nossas alegrias: as HQs de Angeli para a a revista Chiclete com Banana, lançada em 1985, estão de volta. Para quem as conheceram na época e para aqueles que nunca as viram, as histórias de Rê Bordosa, Bob Cuspe, Meiaoito e outros pesonagens são impagáveis. Há também uma HQ de Laerte: Penas. Este é o primeiro de uma série de 16 gibis. O presente número contém criações de 1985 a 1989.

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Por muito libertário que seja, um jovem procura moldar-se com base num esquema abstrato, que decorre, em última análise, do exemplo do mundo. E um homem, por muito conservador que seja, faz seu valor consistir no desvio individual do modelo. // Isso provém do fato de que somente aos poucos a gente compreende que uma linha de vida é criação nossa em todas as raízes miúdas que a fazem surgir da experiência. (Cesare PAVESE. O ofício de viver [5 de março de 1939]. Rio de Janeiro: Bertrand Brasil, 1988, p.149)

domingo, 1 de julho de 2007


Grandes momentos do cinema:
2001: uma odisséia no espaço (Stanley Kubrick, 1968).
"O filme cria seus efeitos essencialmente sobre o visual e a música. É meditativo. Não mata a nossa fome, mas quer nos inspirar e nos engrandecer. ... Somente poucos filmes são transcendentes e atuam sobre o nosso cérebro e a nossa imaginação como a música ou as orações, ou uma imensa paisagem desprezada".
(Roger EBERT.
A magia do cinema. Trad. Miguel Cohn.
Rio de Janeiro: Ediouro, 2004, p.30)



BALAIO PORRETA 1986
nº 2050
Rio, 1 de julho de 2007


PICADEIRO
de Camilo Rosa (RN)
[ in Papel Passado ]

uma alegria encomendada
por uma arquibancada deserta
banaliza o inesperado

entre um vaso de porcelana senil
que colhe as lágrimas do leão
e os destroços
de sua própria assombração
jaz um ex-palhaço

há máscaras dilatando
a fiação do tempo
na dança dos trapézios
decadentes


ENGENHÃO

Um belo estádio, sem dúvida. Bastante moderno. Bastante funcional. Se não tem o charme do Maracanã, tem outros encantos. E o Botafogo está de parabéns, pela vitória no clássico.


RECOMENDAÇÕES BOROGODOSAS

[] Substantivo Plural, revista eletrônica editada em Natal por Tácito Costa, recém-lançada no mundo virtual dos desafios culturais. Elegante, sóbria e bem paginada, voltada para a literatura e outras artes & manhas, tem em Nelson Patriota, Carmen Vasconcelos e Carlos de Souza seu quadro de colaboradores permanentes. Aliás, é de Carlos de Souza, neste início de vida literária, um dos principais textos editados: Os livros nunca lidos. Também chamamos a atenção para a poesia de Roberta Assunção, jovem poeta potiguar. Enfim, todos estão de parabéns.

[] Zingu!, mais um número da revista eletrônica editada em São Paulo por Matheus Trunk. A serviço do cinema independente, de conteúdo geralmente alternativo, neste número destaca o paulista Rubem Biáfora como "crítico libertário". Mas a Zingu! não se limita a cinema: gibis e discos também figuram entre seus enfoques. Neste número, além de Biáfora, há um curioso Papo Furado com Marcelo Carrard, e mais as costumeiras seções (Subgêneros obscuros, Clássicos de prestígio, Musas eternas, Tesouro dos quadrinhos etc.).