sexta-feira, 31 de agosto de 2007


Mulher. Praia. Horizonte.
A natureza.
E a foto de Victor Melo.
[ in 1000 Imagens]


BALAIO PORRETA 1986
nº 2108
Rio, 31 de agosto de 2007



POEMA de
Ricardo Silvestrin
[ in Germina ]

palavra não é coisa
que se diga
quem toma a palavra
pela coisa
diz palavra com palavra
mas não diz coisa com coisa
a palavra pode ser pesada
a coisa, leve
e vice-versa não é coisa alguma
a palavra coisa
não é a coisa palavra
palavra e coisa
jamais serão a mesma coisa


RETRATO ANTIGO
de Bosco Sobreira
[ in Politicamente Incorreto ]

O retrato me olha
ou me julga?

Não importa

Tenho o olhar complacente
do felino que me sonha


POEMA de
Benno Assmann
[ in Noites Insones ]

sei que sei
tudo que sei
e sei que não sei
tudo que não sei
e que ainda posso
vir a saber
e sei que não sei
tudo que não sei
e jamais saberei

e portanto
sei tudo
que há para saber


CINEMA 2007

Nos últimos 15 dias, pela primeira vez em muitos e muitos anos, com duas únicas exceções, só temos visto e/ou revisto filmes em casa. Considerando as nossas principais cotações (*** excelente; ** ótimo; * especialmente bom), destacamos os seguintes: A aventura *** (Antonioni, 1960); Eclipse *** (Antonioni, 1962); O olhar de Michelangelo *** (Antonioni, 2004, curta); A princesa Yang Kwei Fei *** (Mizoguchi, 1955); Carta para Jane *** (Godard & Gorin, 1972); A mocidade de Lincoln *** (Ford, 1939); Era uma vez no oeste *** (Leone, 1968); O raio verde *** (Rohmer, 1986); Operários, camponeses ** (Straub & Huillet, 2001); Vícios privados, virtudes públicas ** (Jancsò, 1976); Por um punhado de dólares ** (Leone, 1964); Por alguns dólares a mais ** (Leone, 1965). As exceções: Medos privados em lugares públicos ** (Resnais, 2006) e Conceição * (vários autores, 2007).


UM BLOGUE PORRETA

Poesia na Veia, de Fernanda Passos.
Prosas. Experimentações. Poesias.
Incompletudes. Buscas. Eroticidades.

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É muito fácil confundir fundamentalismo com paixão. Posso muito bem parecer apaixonado quando defendo a evolução diante do criacionismo fundamentalista, mas isso não acontece por causa do meu próprio fundamentalismo rival. Acontece porque as evidências da evolução são fortíssimas e fico apaixonadamente perturbado com o fato de meu oponente não conseguir enxergar isso - ou, o mais comum, recusar-se até a pensar nisso, porque contradiz seu livro sagrado. (Richard DAWKINS. Deus, um delírio. São Paulo : Companhia das Letras, 2007, p.363)

quinta-feira, 30 de agosto de 2007


Aqui a natureza se faz bela e azul,
azul como num poema de Carlos Pena Filho.

AS SETE MARAVILHAS DE OLINDA
por
Sandra Camurça

1. Alto da Sé
2. Convento de São Francisco
3. Mosteiro de São Bento
4. Mercado da Ribeira
5. Mercado Eufrásio Barbosa
6. Sobrados Mouriscos I e II
7. Museu de Arte Sacra


BALAIO PORRETA 1986
nº 2107
Rio, 30 de agosto de 2007


DISCOS QUE ME EMOCIONAM (2 / 120)

100 anos de frevo, produzido por Carlos Fernando, com o Maestro Spok e a Orquestra Sinfônica do Recife [Biscoito Fino BF 648 (2007)]. Todos sabem de minha paixão pelo frevo, como ouvinte, já que, dançar pra valer, só danço mesmo o tango canadense. Mas vamos ao que interessa. Na verdade, são dois cds. O primeiro é instrumental, incluindo alguns clássicos da "fervura pernambucana": Frevo da meia-noite, de Carnera, com arranjo de Clóvis Pereira. Outros grandes clássicos selecionados são: Último dia, de Levino Ferreira, com arranjo do Maestro Spok; Duda no frevo, de Senô, com arranjo de Clóvis Pereira; Gostosão, de Nelson Ferreira, com arranjo de Edson Rodrigues. O segundo cd, cantado de forma rasgada, inclui Micróbio do frevo, de Gilberto Gil, na voz de Genival Macedo; Frevo nº 1, de Antônio Maria, na voz de Maria Betânia; Valores do passado, de Edgar Moraes, com Maria Rita; De chapéu-de-sol aberto, de Capiba, com Vanessa da Mata; Tempo folião, de Carlos Fernando & Geraldo Azevedo, com Geraldo Azevedo; Madeira que cupim não rói, de Capiba, com Claudionor Germano; Evocação nº 1, de Nelson Ferreira, na interpretação de Antônio Nóbrega. E ainda há, no primeiro cd, uma Fantasia carnavalesca, baseada no Vassourinhas, de Matias da Rocha e Joana Batista. Enfim, um disco que já nasceu antológico.


OLINDA
/ Fragmento /
de Carlos Pena Filho (PE)
[ in Livro geral, 1959 ]

...
Olinda é só para os olhos,
não se apalpa, é só desejo.
Ninguém diz: é lá que eu moro.
Diz somente: é lá que eu vejo.

Tem verdágua e não se sabe,
a não ser quando se sai.;
Não porque antes se visse,
mas porque não se vê mais.

As claras paisagens dormem
no olhar, quando em existência.
Diluídas, evaporadas,
Só se reúnem na ausência.

Limpeza tal só imagino
que possa haver nas vivendas
das aves, nas áreas altas,
muito além do além das lendas.
...


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS (29c / 111)

Olinda; 2º guia prático, histórico e sentimental de cidade brasileira [1939], de Gilberto Freyre. Il. M. Bandeira. Rio de Janeiro : José Olympio, 1960, 166p. [Livro adquirido em sebo, no Rio] Longe de ser um guia turístico tradicional, é um guia afetivo e amoroso. Longe de ser um guia didático, é um guia lírico. E se tem valor documental (em termos de uma possível história olindense), maior é o seu valor literário, ao se voltar para o mar e os ventos, as praias e os conventos, a água do rio e a gente simples dos lugares pobres, a luz do sol e o luar, os passarinhos e os papagaios, os doces e as velhas sepulturas da heróica e lendária cidade pernambucana, com suas "Mulheres de encarnado apanhando gravetos" e seus "Homens pescando pelos mangues" (p.9). Há momentos de pura poesia, de puro encantamento: Os livros, As árvores e os jardins, Olinda nas cartas jesuíticas, Convento de São Francisco, Mosteiro de São Bento, Olinda heróica, História ecológica de Olinda, Casas velhas, Entre Olinda e o Recife. E mais. Ou mais. Como quase tudo de Gilberto Freyre, um livro saboroso.

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Olinda é uma cidade influenciada pelo mar. Ela se entrega aos ventos do mar: não se esconde deles como grande parte do Recife. Entrega-se aos ventos do Norte e do Sul. É verdade que são ventos sempre amigos. Nunca se encrespam em ventos de tornado. Nos seus dias mais zangados, que são em agosto, escancaram portas, quebram vidros, aperreiam as donas de casa. Mas é só. (Gilberto FREYRE. Olinda, p.22)

quarta-feira, 29 de agosto de 2007


Iniciei a viagem
Às duas da madrugada
Tomei o carro da brisa
Passei pela alvorada
Junto do quebrar da barra
Eu vi a aurora abismada

Manoel Camilo dos Santos:
Viagem a São Saruê (PB, 1954)

[ Foto de Hilton Pozza, in 1000 Imagens ]


BALAIO PORRETA 1986
nº 2106
Rio, 29 de agosto de 2007



METADE PÁSSARO
de Murilo Mendes (MG)
[ in O visionário, 1933 ]

A mulher do fim do mundo
Dá de comer às roseiras,
Dá de beber às estátuas,
Dá de sonhar aos poetas.

A mulher do fim do mundo
Chama a luz com um assobio,
Faz a virgem virar pedra,
Cura a tempestade,
Desvia o curso dos sonhos,
Escreve cartas ao rio,
Me puxa do sono eterno
Para os seus braços que cantam.


UM BLOGUE PORRETA

Isso é Bossa Nova, de Sandra Leite.
Leitura amorosa das artes: pintura e escultura.
Eventualmente, da música (Chico Buarque e outros).
Uma escrita da felicidade vivencial.

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Quero que a mágoa se amoite
longe do nosso viver
e os sonhos belos da noite
não morram no amanhecer.
(José Lucas de BARROS, 2007,
Serra Negra do Norte, RN)

terça-feira, 28 de agosto de 2007


Fortaleza, Fortaleza:
uma das mais belas capitais do país

AS SETE MARAVILHAS DE FORTALEZA
segundo
Bosco Sobreira

1. Theatro José de Alencar
2. Praia de Iracema
3. Padaria Espiritual (O Boteco)
4. Bairro do Benfica
5. Jacarecanga
6. Praça da Estação
7. Passeio Público


BALAIO PORRETA 1986
nº 2105
Rio, 28 de agosto de 2007



Memória 1997
A POESIA E O POEMA BRASILEIROS:
DOZE LIVROS FUNDAMENTAIS
na opinião
de Luís Carlos Guimarães (RN)
[ in Balaio Incomun, nº 999, de 3/9/1997 ]

Estrela da vida inteira (Manuel Bandeira)
Reunião (Carlos Drummond de Andrade)
Obras completas (Murilo Mendes)
Obras completas (João Cabral de Melo Neto)
Poesias (Dante Milano
Poesias (Mário Quintana)
Invenção de Orfeu (Jorge de Lima)
Navegos (Zila Mamede)
Poesias (Myriam Coeli)
Poesias (Gregório de Matos)
Poesias (Vicente de Carvalho)
Ausência viva & Terra imóvel (Octávio Mora)


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS
(29b / 111)

Alfabismo literário, de Cássio Loredano. Rio de Janeiro : Capivara, 2002, 262p. [] Com um estilo gráfico primoroso, "Olhar espantado de quem não se surpreende" (Millôr Fernandes), o vascaíno Loredano é um mestre irretocável da caricatura tupiniquim. Entre Trimano e Picasso, mas com luz própria em sua gloriosa fúria criativa, o estudioso e divulgador da obra do gigante J. Carlos apresenta, aqui, um álbum de esmerado e fino grafismo, voltado para o mundo da literatura. Daí as caricaturas, ora pulsantes, ora estilizadas, ora "deformadas", entre muitas outras, de Lima Barreto e Clarice Lispector, de Garcia Lorca e Bertolt Brecht, de Osman Lins e José Lins do Rêgo, de Ernest Hemingway e Leon Tolstoi. A epígrafe de Nelson Rodrigues é perfeita para o universo gráfico de Loredano: "Só vejo beleza na pessoa humana. Acho que qualquer um de nós é mil vezes mais interessante do que a Via Láctea".

Blues, de Robert Crumb. São Paulo : Conrad, 104p. [] Os comix de Crumb, com seu grafismo grotesco anticonvencional, são essenciais para um estudo mais acurado da contracultura americana. Não por acaso, ele se tornou um ícone dos quadrinhos independentes produzidos nos Estados Unidos, criador de personagens hoje antológicos (Mr. Natural, Fritz the Cat e outros) Em música, sua paixão pelo blues é notória. Este álbum reúne HQs (e capas de discos) que expressam essa paixão, particularmente por figuras lendárias - ou desconhecidas - da música norte-americana das primeiras décadas do século passado. Há também uma história radical em termos de experimentalismo gráfico: Quadrinhos be bop cubistas (p.73-80), uma releitura singularmente criativa da arte contemporânea, onde são evidentes as homenagens a Picassso e outros grandes criadores. Enfim, um álbum com alta voltagem estético-informacional.


UMA RECOMENDAÇÂO BOROGODOSA

Peso na balança, de Wilson Moreira [Atração ATR 31239].
Originalmente lançado em 1986, contém sambas dentro da melhor tradição da música produzida no Rio de Janeiro, fevereiro e março: Portela e seus encantos, Canteiro de obra, Quero você, Incompreensão, Vivo bem com ela, Deixa clarear, Forró do Cafundó, Peso na balança. Enfim, um grande disco, com a participação de Rafael Rabello (violão de 7 cordas), Henrique Cazes (violão tenor), Paulo Sérgio Santos (clarineta), Velha Guarda da Portela (coro na faixa 2), Beto Cazes (pandeiro, reco-reco, tamborim, frigideira, triângulo, caixa de fósforos) e outros. Enfim, só gente de primeiríssima qualidade. O lançamento festivo do cd, com roda-de-samba e o escambau, deu-se no sábado à tarde, na Folha Seca, em plena Rua do Ouvidor, para alegria e emoção do aniversariante (rubro-negro) Rodrigo Ferrari, um dos sócios-proprietários da livraria.

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A Arte verdadeira tem a capacidade de nos deixar nervosos. (Susan SONTAG. Contra a interpretação. Porto Alegre : L&PM Editores, 1987, p.16)

segunda-feira, 27 de agosto de 2007


A mulher. O olhar. A poesia.
E a foto de Carlos Manuel Pereira
[ in 1000 Imagens ]


BALAIO PORRETA 1986
nº 2104
Rio, 27 de agosto de 2007


RECOMEÇO
de Moacy Cirne
[ in Qualquer tudo, 1993 ]

Sei do sonho:
procuro tua sombra na
penumbra
da memória líquida
e nada encontro.
A lua não é vermelha
não é violeta
não é verdecoisa
mas
os loucos da madrugada
anunciam as primeiras águas da manhã.
Sei do sonho?
Tua sombra pagã
é um corpo que me foge
das mãos cansadas de espantos
e abismos.
A árvore sonolenta
anoitece os meus delírios.
Não te vejo na claridade
do silêncio.
O sol é um pássaro ferido
na solidão
de meus gestos de meus gritos
e a hora cruviana
é uma graviola
grávida
de aromas e carnes
pronta para ser saboreada.
Sei.
Não foi um sonho.
Como encontrar,
então,
na arquitetura fluvial
de meus quereres
as linhas
e as curvas
de teu corpo barrento-canela?
Ah, não! Ah, sim!
Existe
um
grande sertão
nas veredas da minha paixão.
E eu sei do sonho.
Procuro tua sombra líquida
e nada encontro.
A lua não é verdeluã
mas
tua sombra pagã
anoitece os meus delírios.
Como encontrar,
sol e solidão,
a arquitetura colonial
de teu corpo fluvial?
Como encontrar,
no silêncio de meus gritos,
tua sombra teus aromas tuas carnes?
Sim,
não.
Tua memória vermelha
é uma sombra grávida
de morenezas e reentrâncias
azuis.
Docemente azuis.
Barrentas e azuis.

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Esta nação é mesmo linda. Quem poderia imaginar que por aqui nascesse um movimento chamado "Cansei"? Principalmente, porque os que se dizem cansados, acredito, jamais cansaram do que quer que seja. ... Quem nunca se cansa é o povo brasileiro, mesmo tendo de enfrentar fila do INSS, falta de leito em hospital, falta de comida na mesa, de creches para seus filhos e muito mais. Tudo isso geralmente por culpa dos que hoje se dizem cansados. (SÓCRATES. Cansei!, in CartaCapital, São Paulo, 29 de agosto de 2007, p.56)

domingo, 26 de agosto de 2007


JERICOACOARA
é mais do que um lugar.

É UMA PRECE ENTARDECENDO.

hoje
descobri
meus
olhos.

Mário Coivara,
in Faca de Fogo

( Foto de Alex Uchoa, in PbaseCom ]


BALAIO PORRETA 1986
nº 2103
Rio, 26 de agosto de 2007


MÁSCARA
de Nel Meirelles
[ in Fala Poética ]

respiro entre
o fio frio da faca
e o sabor
de lembranças
guardadas em sacos
plásticos

fujo e volto
volto e fujo
e finjo que
sou feliz

[] Penúltimo poema de Nel Meirelles,
antes de sua morte,
postado em 29/8/2006,
ao som de Mesmo sozinho, de Nando Reis []


LASCÍVIA
de Acantha
[ in La Vie Bohème ]

Me entrego -
boca, língua e gestos -
enquanto liquefazes
a noite em mim.


FEIRA DE CITAÇÕES ESPORRENTAS

* A verdadeira grã-fina tem a aridez de três desertos.
(Nelson Rodrigues)
* A juventude é uma conquista da maturidade.
(Jean Cocteau)
* A Bíblia é uma lição de como não escrever
bons roteiros para o cinema.
(Raymond Chandler)
* Pobre México, tão longe de Deus e tão perto dos Estados Unidos.
(Porfírio Diaz)
* Somos todos uns farsantes: sobrevivemos aos problemas.
(E.N. Cioran)
* Definir é matar; sugerir é criar.
(Stephane Mallarmé)
* Criar é viver duas vezes.
(Albert Camus)
* A castidade é a mais antinatural de todas as perversões sexuais.
(Aldous Huxley)

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Dentro de mim
morrem seis touros de uma só vez.
(Suzana VARGAS, Olé, in Caderno de outuno, 1998, p.47)

sábado, 25 de agosto de 2007


Grandes momentos do cinema:
Sunrise / Aurora (F.W. Murnau, 1927).
Com magistral fotografia de Karl Struss e Charles Rosher, interpretado por Janet Gaynor, George O'Brien e Margaret Livingston, trata-se de um melodrama sensível e arrebatador (para os padrões românticos da época). A história de um triângulo amoroso que termina em tragédia. Para muitos, o maior filme da história do cinema mudo. E um dos maiores filmes de todos os tempos.


BALAIO PORRETA 1986
nº 2102
Rio, 25 de agosto de 2007



POEMA de
Cristina Bastos
[ in Decerto o deserto, 1992 ]

Carrego um mar
No corpo

Um porto
No peito.

Quando a viagem instiga
Meus olhos fecham o mundo
E sonham.


Cinema
O MELHOR DOS ANOS 50
segundo Moacy Cirne
[ para a Liga dos Blogues Cinematográficos ]

1. Hiroshima, meu amor (Resnais, 1959)
2. Contos da lua vaga (Mizoguchi, 1953)
3. A palavra (Dreyer, 1955)
4. Pickpocket (Bresson, 1959)
5. A princesa Yang Kwei Fei (Mizoguchi, 1955)
6. A marca da maldade (Welles, 1958)
7. Rastros de ódio (Ford, 1956)
8. Um condenado à morte escapou (Bresson, 1956)
9. Morangos silvestres (Bergman, 1957)
10. O grito (Antonioni, 1957)
11. Rio Bravo (Hawks, 1959)
12. Acossado (Godard, 1959)
[ para a Liga, um filme de 1960 ]
13. Diário de um padre de aldeia (Bresson, 1950)
14. As férias do Sr. Hulot (Tati, 1953)
15. Johnny Guitar (Ray, 1954)
16. Cantando na chuva (Kelly & Donen, 1952)
17. O salão de música (S. Ray, 1958)
18. A carruagem de ouro (Renoir, 1952)
19. Cinzas e diamantes (Wajda, 1958)
20. Crepúsculo dos deuses (Wilder, 1950)
21. Era uma vez em Tóquio (Ozu, 1953); 22. Senso (Visconti, 1954); 23. Janela indiscreta (Hitchcock, 1954); 24. Othello (Welles, 1952); 25. Vertigo (Hitchcock, 1958); 26. Os amantes crucificados (Mizoguchi, 1954); 27. Rashomon (Kurosawa, 1950); 28. Glória feita de sangue (Kubrick, 1957); 29. Viver (Kurosawa, 1952); 30. Quanto mais quente melhor (Wilder, 1959); 31. Meu tio (Tati, 1958); 32. Shadows (Cassavetes, 1959); 33. Velhas lendas tchecas (Trnka, 1953, animação); 34. Noite e neblina (Resnais, 1955, curta).


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS
(29a / 111)

Cinema, arte e ideologia, por A. Roma Torres (sel. & int.). Porto : Afrontamento, 1975, 274p. [] Ótima seleção de textos e entrevistas. Entre os primeiros, artigos de Amengual, Bazin, Metz, Tavernier, Comolli e outros. Entrevistas com Bresson, Rouch, Rossellini, Glauber Rocha, Solanas, Straub ("Com um filme é preciso surpreender as pessoas, surpreendê-las no sentido em que não vejam as coisas com óculos", p.175; "Não é com palavras poéticas que se faz poesia", p.176; "Se um filme não serve para abrir os olhos e os ouvidos das pessoas, para que serve?", p.183). Uma leitura do mundo à esquerda. Como, acredito, convém. Desde que não seja uma leitura sectária ou sem fundamentação crítica, acrescente-se.

As maravilhas do cinema, de Georges Sadoul. Lisboa : Publicações Europa-América, s/d, 296p. [Livro adquirido em São Paulo, em dezembro de 1959] Reconheço: o seu valor, hoje, em minha biblioteca, é puramente afetivo. Trata-se de uma introdução, bastante datada, dos principais procedimentos técnicos que fazem o cinema e a sua indústria, do tipo Os mistérios dos estúdios e Como se prepara e se termina um filme. Mas há dois capítulos bastante curiosos, analisados hoje: O cinema do futuro e Panorama do cinema mundial contemporâneo. Leia-se, aqui: "No Brasil, onde a frequência dos cinemas está em plena expansão, Hollywood ocupou muito tempo 80% a 90% dos programas e velou ciosamente pelo seu monopólio, porque este país era o seu terceiro cliente mundial. ... No Brasil, como na Argentina, basta uma centelha para que a arte do filme tenha amanhã um desenvolvimento notável" (p.241-42).


UM BLOGUE PORRETA

Filmes do Chico, de Chico Fireman.
A compreensão do cinema através de análises objetivas.
Informações variadas sobre diretores e filmes.

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O Mestre disse: "Merece ser um professor o homem que descobre o novo ao refrescar na sua mente aquilo que ele já conhece". (CONFÚCIO. Os analectos. Trad. Caroline Chang e D.C. Lau. Porto Alegre : L&PM, 2006, p.70)

sexta-feira, 24 de agosto de 2007


Um delírio de águas, nuvens e cores
em Emrah Icten
[ in Photo Net ]


BALAIO PORRETA 1986
nº 2101
Rio, 24 de agosto de 2007



POEMA de
Simone Oliveira
[ in Letras e Tempestades ]

PERGUNTO ONTEM,
DURMO DEPOIS,
E ACORDO SEMPRE ANTES!!!


O CHÃO DE MIM
de Maria Maria
[ in Espartilho de Eme ]

O chão de mim
é pluma e cetim.

É noite em plena tarde,
é febre que arde.

É farol sem direção,
é luz na imensidão.

O chão de mim
é linguagem sem imagem

à margem
da ilusão.


Memória 1997
A POESIA E O POEMA BRASILEIROS:
DEZ LIVROS FUNDAMENTAIS
segundo Moacy Cirne
[ in Balaio Incomun, nº 987, 14 de julho de 1997 ]

1. A ave & Solida (Wlademir Dias Pino); 2. Cantaria barroca (Affonso Ávila); 3. Antologia mamaluca (Sebastião Nunes); 4. Poemics (Alvaro de Sá); 5. O cão sem plumas (João Cabral); 6. O visionário (Murilo Mendes); 7. Poesias reunidas O. Andrade (Oswald de Andrade); 8. Invenção de Orfeu (Jorge de Lima); 9. Viva vaia (Augusto de Campos); 10. Libertinagem (Manuel Bandeira).


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS
(28c / 111)

Discurso da difamação do poeta, de Affonso Ávila. São Paulo : Summus Editorial, 1978, 112p. [Exemplar com dedicatória: "Ao Moacy Cirne, com a velha estima e o abraço amigo de Affonso Avila, BH 9-5-1978]. No mesmo ano, no mês de setembro, eu afirmava: "São poucos os artistas, escritores e poetas que, no Brasil, assumem o papel social que interessa àqueles que acreditam em nosso futuro - o papel de produtores culturais. Affonso Ávila é um deles. ... Enquanto isso, entendamos a relação discurso artístico/discurso político sem passar pelo crivo do realismo socialista, tão castrador quanto qualquer estética burguesa. Os poemas de Affonso Ávila abrem-se para a mais crítica das leituras produtivas" (Revista Vozes, set/78, republicado in A biblioteca de Caicó. Rio : José Olympio, 1983, p.34). Na Revista Vozes de maio de 1973, já chamara a atenção para o seu Código Nacional de Trânsito. Ou seja, a minha admiração pelo poeta e conceituado estudioso da arte barroca mineira é antiga. O presente volume contém, na íntegra, o citado Código Nacional (1972) e mais o excelente Cantaria barroca (1975), cuja edição original - sob a supervisão gráfica de Sebastião Nunes - é um verdadeiro primor como livro-objeto, e Discurso da difamação do poeta (1976), além de vários poemas de Código de Minas (1969).
[Veja, no Substantivo Plural, editado por Tácito Costa, alguns poemas de Affonso Ávila.]

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Há um pouco de sangue
Nos poemas
Que ainda não escrevi.
(Euclides AMARAL,
in Desmaio Públiko, nº 35, Nova Iguaçu, RJ, agosto 1993)

quinta-feira, 23 de agosto de 2007


Crepusculência através de Vicent K. Tyler
in PhotoNet


BALAIO PORRETA 1986
nº 2100
Rio, 23 de agosto de 2007


URBANA II
de Suzana Vargas (RJ/RS)
[ in
Caderno de outuno e outros poemas, 1998 ]

Que sentimento me empurra
por janeiro e o ano inteiro?
Que cavalos, que forças indizíveis
me lançam para a frente e para a frente?

De tão apressada engulo,
não mastigo minha sorte.
Não sei se é sede de vida
ou avidez pela morte.


Memória / Futebol
DEZ FRASES E UMA NARRAÇÃO RADIOFÔNICA
[ in Balaio Porreta, 27 de maio de 2004 ]

[1] Tenho o maior orgulho de jogar na terra onde Cristo nasceu.
(Claudiomiro, ex-meia-direita do Internacional, de Porto Alegre, ao chegar em Belém do Pará, para disputar um jogo
contra o Paysandu, em 1972)

[2] Nem que eu tivesse dois pulmões, alcançaria essa bola.
(Bradock, amigo de Romário, reclamando de um passe longo)

[3] Eu não tenho sistema nervoso.
(Badidiu, zagueiro do ABC, de Natal, quando perguntado por um repórter de campo, num dia de decisão de campeonato, como estava o seu sistema nervoso)

[4] Quando o jogo está a mil, minha naftalina sobe.
(Jardel, ex-atacante do Grêmio)

[5] Clássico é clássico, e vice-versa.
(Jardel, citado anteriormente)

[6] O gol é o orgasmo do futebol.
(Sabedoria popular, nos estádios brasileiros)

[7] A maior defesa da minha vida foi uma atrasada de Urai,
beque do meu time.
(Harry Carey, goleiro do Treze de Campina Grande)

[8] Na Bahia todo mundo é muito simpático,
é um povo muito hospitalar.
(Zanata, baiano, ex-lateral do Vasco)

[9] Jogador tem que ser completo como um pato,
que é um bicho aquático e gramático.
(Vicente Matheus, ex-presidente do Corínthians)

[10] Haja o que hajar, o Corínthians vai ser campeão.
(Vicente Matheus, citado anteriormente)

[11] Quarenta minutos do segundo tempo, continua 0 a 0 no placar... o ABC já chutou três bolas na trave, não pára de invadir a área adversária, mas a bola não entra, meu Deus, assim não é possível, o goleiro fideumaégua agarra tudo, quando não é ele, é a danada da trave... haja sofrimento para o torcedor abecedista! Atenção para o contra-ataque do Atlético... o ponta-direita livrou-se de Biró, driblou Toré, vai chutar, vai chutar, chutou... pronto, DEU-SE A MERDA: gol.
(Locutor esportivo, narrando um jogo entre o ABC e o Atlético de Natal, nos anos 50)

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Meu benzinho, diga, diga,
Por caridade confesse
Se você já encontrou
Quem tanto bem lhe quisesse.
(1920)
[ in Eu sou o Cego Aderaldo, 1994 ]

quarta-feira, 22 de agosto de 2007


CANIBALISMO
de Fernanda Passos
[ in Poesia na Veia ]

Sinto teus dentes triturando
minhas entranhas
e vejo meus fragmentos
entrando em ti
Estou em coma
Coma tudo de mim
e depois
deguste


BALAIO PORRETA 1986
nº 2099
Rio, 21 de agosto de 2007



NOCAUTE
de Patrícia Gomes
[ in Estado de Lítio ]

às vezes
sinto que
se tivesse o
mapa da minha
loucura
talvez doesse menos...


DISCOS QUE ME EMOCIONAM (1/120)

Da Palestina ao Seridó, de Totó Medeiros, Ubaldo Medeiros e Urbano Medeiros [Loyola Multimídia, 2001]. Entre o erudito - com ressonâncias medievais - e o popular - com arranjos sofisticados -, a música vibrante de um Seridó arcaico, mais especificamente em torno de São João do Sabugi. Emoção pura: um dos 50 ou 60 melhores discos de minha cedeteca, ao lado de Bach, Monteverdi, Beethoven, Haydn, Charpentier, Händel, Marais, Couperin, Hildegard von Bingen, Schubert, Brahms, Stravinsky, Coltrane, Davis, Parker, Pixinguinha, Luiz Gonzaga, Jacob do Bandolim, Paulinho da Viola, os trovadores medievais. Decerto, não sou crítico musical, e muito menos um musicólogo: considero-me apenas um "ouvinte feliz" bachelardiano. Em música, marcado pelas minhas raízes seridoenses (com espaço autodidático para o conhecimento de compositores clássico-eruditos), sou guiado pela emoção, simplesmente. Sou guiado por sonoridades que me fazem vibrar, de forma quase religiosa. Daí o meu entusiasmo diante da presente obra: "Nossa música é música pobre... é a música dos pastores de cabras e ovelhas, é a música do deserto árido, quente, sofrido. É a música dos monges cristãos, homens inebriados de Deus! É uma viagem... Começa na Terra Santa, e termina com o entardecer no sertão: clarineta e chocalho de asno; os acordes vibrantes da Filarmônica chamando o povo para a pregação do frade santo, em Caicó", dizem os autores na capa interna do cd. Além dos três (tocando sax alto, sax tenor, clarineta oriental, alaúde e clarineta), há a participação de Renato Guerra (violão seridoense), Beth Medeiros (voz) e a Filarmônica da Aldeia Infantil de Caicó. Algumas das faixas do cd que merecem ser destacadas: Em Nazaré, Foucauld nas Clarissas, No deserto, São José - Ouro Branco, Entardecer no Seridó.

Nota:
A presente série musical não obedece a nenhuma ordem qualitativa, cronológica ou alfabética: é puramente aleatória. Assim como é aleatória A biblioteca dos meus sonhos.

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Tudo não passa
Desse instante.
Tudo,
A vida e antes.
(Cristina BASTOS,
in Decerto o deserto. 1992, p.37)

terça-feira, 21 de agosto de 2007


A capital pernambucana de todas as cores
segundo a arte digital de Heraldo Cunha


AS SETE MARAVILHAS DO RECIFE
por
Sandra Camurça

1. Mercado de São José
2. Mercado da Boa Vista
3. Casa da Cultura
4. Capela Dourada da Rua do Imperador
5. Museu do Homem do Nordeste
6. Museu do Estado
7. Bairro do Poço da Panela


BALAIO PORRETA 1986
nº 2098
Rio, 21 de agosto de 2007



RECADO
de Graça Vilhena (PI)
[ in Poetas do Nordeste ]

Não velarei teu sono
e nem serei o aguador
de tuas palavras vidrosas.
Creio nos galos
cantando até à grimpa
e nos cachorros
viralatindo as madrugadas.

A noite não é silenciosa.


de Moacy Cirne
UM FILME PARA

Meu caro Michelangelo,
ontem revi A aventura. Mais uma vez.
Mais uma vez
senti a luz de teus desnudamentos.
E sonhei com o Cinema Pax.
E sonhei com o Seridó.
Ontem, uma vez mais,
a música de teus silêncios
transformou-se em energia
pura
para
meus atuais
olhos potiguanabarinos.
E sonhei com a mulher amada,
tão perto e tão potengi.
E sonhei com a Rua da Aurora,
tão longe e tão capibaribe.
Mais uma vez,
ontem,
busquei
uma ilha quase deserta
um mar cinzachúmbeo
uma cidade natalcaicó
um vazio cheio de espantos
uma alvorecência sem fim.
Resisti
ao tempo e às girafas.
E voltei a sonhar
arrecifes de jasmim
praias de maracujás
açudes de alfenim.
Hoje reverei Eclipse.
Mais uma vez.
Mais uma vez.


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS
(28b / 111)

História da vida privada no Brasil/3, por Nicolau Sevcenko, org. São Paulo : Companhia das Letras, 1999, 726p. [] Importante coletânea de textos: da belle époque à era do rádio. Vale a pena conferir: A dimensão cômica da vida privada na República (de Elias Thomé Saliba), Recônditos do mundo feminino (de Marina Maluf e Maria Lúcia Mott), Cartões-postais, álbuns de família e ícones da intimidade (de Nelson Schapochnik). Os demais textos são assinados por Maria Cristina Wissenbach, Paulo César Marins, Zuleika Alvim e o próprio Nicolau Sevcenko (A capital irradiante: técnica, ritmos e ritos do Rio). [Nota: O decálogo da esposa, publicado ontem, foi extraído do artigo de Marina Maluf e Maria Lúcia Mott.]


UM BLOGUE PORRETA

Diário Guache, de Cristóvão Feil.
Abertamente contra a mídia golpista.
A favor de um país republicano, democrático e participativo.

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ferida aurifulgente - infância, gritos
de amor na escuridão, e o cobertor
de onça cobrindo o medo das crianças.
(Maria Lúcia ALVIM. Fazendas)
[ in Pedras de toque da poesia brasileira, p. 69 ]

segunda-feira, 20 de agosto de 2007


E que se faça um belo rio.
E que, em se fazendo o rio,
faça-se a maravilha em forma de delta:
o Delta do Rio Parnaíba, no Piauí.


BALAIO PORRETA 1986
nº 2097
Rio, 20 de agosto de 2007


LEGENDA
de Mário Faustino (PI)
[ in
O homem e sua hora, 1955 ]

No princípio
Houve treva bastante para o espírito
Mover-se livremente à flor do sol
Oculto em pleno dia.
No princípio
Houve silêncio até para escutar-se
O germinar atroz de uma desgraça
Maquinada no horror do meio-dia.
E havia, no princípio,
Tão vegetal quietude, tão severa
Que se entendia a queda de uma lágrima
Das frondes dos heróis de cada dia.

Havia então mais sombra em nossa via.
Menos fragor na farsa da agonia,
Mais êxtase no mito da alegria.

Agora o bandoleiro brada e atira
Jorros de luz na fuga de meu dia -

E mudo sou para cantar-te, amigo,
O reino, a lenda, a glória desse dia.


DOIS POEMAS
de Mário Coivara (CE)
[ in Faca de Fogo ]

trago a lembrança dos teus pés transportando a rotina do mel.

[][][]

é noite. a insônia me argumenta.


Memória 1924
DECÁLOGO DA ESPOSA
[ in Revista Feminina, SP, out./1924 ]

I - Ama teu esposo acima de tudo na terra e ama o teu próximo da melhor forma que puderes; mas lembra-te de que a tua casa é de teu esposo e não do teu próximo;
II - Trata teu esposo como um precioso amigo; como a um hóspede de grande consideração e nunca como uma amiga a quem te contam as pequenas contrariedades da vida;
III - Espera teu esposo com teu lar sempre em ordem e o semblante risonho; mas não te aflijas excessivamente se alguma vez ele não reparar nisso;
IV - Não lhe peças o supérfluo para o teu lar; pede-lhe, caso possas, uma casa alegre e um pouco de espaço tranqüilo para as crianças;
V - Que teus filhos sejam sempre bem arranjados e limpos; que ele ao vê-los assim possa sorrir satisfeito e que essa satisfação o faça sorrir quando se lembre dos seus, em estando ausente;
VI - Lembra-te sempre que te casaste para partilhar com teu esposo as alegrias e as tristezas da existência. Quando todos o abandonarem fica tu a seu lado e diz-lhe: Aqui me tens! Sou sempre a mesma;
VII - Se teu esposo possuir a ventura de ter sua mãe viva, seja boa para com ela pensando em todas as noites de aflição que terá passado para protegê-lo na infância, formando o coração que um dia havia de ser teu;
VIII - Não peças à vida o que ela nunca deu para ninguém. Pensa antes que se fores útil poderás ser feliz;
IX - Quando as mágoas chegarem não te acovardes: luta! Luta e espera na certeza de que os dias de sol voltarão;
X - Se teu esposo se afastar de ti, espera-o. Se tarda em voltar, espera-o; ainda mesmo que te abandone, espera-o. Porque tu não és somente a sua esposa; és ainda a honra do seu nome. E quando um dia ele voltar, há de abençoar-te.
[ Republicado em: História da vida privada no Brasil/3, p.394-6)

Nota do Balaio:
Publicada em São Paulo, na ocasião com cerca de 600 mil habitantes, a Revista Feminina é um valioso documento histórico para se entender a prática e o pensamento masculinos que, durante décadas e décadas, nortearam a relação homem/mulher entre nós. É verdade que as mulheres, embora timidamente (para os padrões atuais), já começavam a reagir. Resta-nos saber se o Decálogo em pauta foi levado a sério pela leitoras das grandes cidades. Não temos dados sobre a sua tiragem e se, de fato, atingia o público feminino de forma expressiva.

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Que se procure fazer sempre o novo, o válido e que se considere a poesia como uma insubstituível forma de cultura, da qual depende, em boa parte, a vitalidade da língua, portanto do pensamento, portanto da nação. (Mário FAUSTINO /1957/, in Pref. Benedito Nunes. Poesia de Mário Faustino. Rio de Janeiro : Civilização Brasileira, 1966, p.34-5)

domingo, 19 de agosto de 2007


AS SETE MARAVILHAS DE PORTO ALEGRE
segundo
Milton Ribeiro
(no dia do seu 50º aniversário)

1. Theatro São Pedro
2. Mercado Público
3. Estádio Beira-Rio
4. Feira do Livro da Praça da Alfândega
5. Parque da Redenção (ou Parque Farroupilha)
6. Usina do Gasômetro
7. Pôr-do-sol no Guaíba

Nota:
A foto é do Parque da Redenção.


BALAIO PORRETA 1986
nº 2096
Rio, 19 de agosto de 2007



UM POEMA
de Torquato Neto (PI)
[ in Os últimos dias de Paupéria, 1982 ]

Quando eu nasci
Um anjo morto
Louco solto louco
Torto pouco morto
Veio ler a minha mão:
Não era um anjo barroco:
Era um anjo muito pouco,
Louco, louco, louco, louco
Com asas de avião;
E eis que o anjo me disse
Apertando a minha mão
Entre um sorriso de dentes:
Vai bicho:
desafinar o coro dos contentes.

(19/1/1972)

Posteriormente, ao ser musicado por Jards Macalé,
com o título de Let's play that, tomou a seguinte forma:

quando eu nasci
um anjo louco muito louco
veio ler a minha mão
não era um anjo barroco
era um anjo muito louco, torto
com asas de avião
eis que esse anjo me disse
apertando a minha mão
com um sorriso entre dentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes
vai bicho desafinar
o coro dos contentes
let's play that


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Os verdadeiros crimes passionais são os sonetos de amor.
(Mário QUINTANA. Caderno H, in Prosa & verso. Rio de Janeiro : Globo, 1989, p.91)

sábado, 18 de agosto de 2007


Grandes momentos do cinema:
Rio Bravo / Onde começa o inferno (Howard Hawks, 1959).
Um clássico do bangue-bangue: um dos melhores filmes de Hawks.
A rigor, uma das obras-primas da "sétima arte" dos anos 50.
Com John Wayne, Dean Martin, Angie Dickson e outros.


BALAIO PORRETA 1986
nº 2095
Rio, 18 de agosto de 2007



Centenário de nascimento de John Wayne
O MELHOR DO BANGUE-BANGUE
segundo a nossa leitura crítico-afetivo-libertinária

1. My darling Clementine / Paixão dos fortes (Ford, 1946),
com Henry Fonda e Victor Mature
2. The searchers / Rastros de ódio (Ford, 1956),
com John Wayne e Natalie Wood
3. Rio Bravo / Onde começa o inferno (Hawks, 1959),
com John Wayne e Dean Martin
4. Era uma vez no oeste (Leone, 1968),
com Charles Bronson, Henry Fonda e Claudia Cardinale
5. Stagecoach / No tempo das diligências (Ford, 1939),
com John Wayne
6. O homem que matou o facínora (Ford, 1962),
com John Wayne e James Stewart
7. Johnny Guitar (Ray, 1954),
com Sterling Hayden e Joan Crawford
8. Rio Vermelho (Hawks, 1948),
com John Wayne e Montgomery Clift
9. High noon / Matar ou morrer (Zinnemann, 1952),
com Gary Cooper e Grace Kelly
10. Fort Apache / Sangue de herói (Ford, 1948),
com Henry Fonda e John Wayne
11. Winchester 73 (Mann, 1950),
com James Stewart
12. Consciências mortas (Wellman, 1943),
com Henry Fonda,
Matei Jesse James (Fuller, 1949),
com Preston Foster, e
Os imperdoáveis (Eastwood, 1992),
com Clint Eastwood.


NOSSA SOLIDARIEDADE AO PIAUÍ

O sr. Paulo Zattolo, presidente-arrogante da Philips do Brasil e um dos líderes do movimento Cansei, declarou o seguinte, esta semana, ao jornal Valor Econômico: "Não se pode pensar que o país é um Piauí, no sentido de que tanto faz quanto tanto fez. Se o Piauí deixar de existir, ninguém vai ficar chateado". Haja preconceito! Haja ignorância! Haja conservadorismo!


A BIBLIOTECA DOS MEUS SONHOS
666 livros indispensáveis (28a / 111)

Aventuras de Huck [1884], de Mark Twain. Trad. Monteiro Lobato. São Paulo : Brasiliense, 1961, 348p. [] Mais do que um livro juvenil, ou infanto-juvenil, trata-se de uma obra-prima para todas as idades, e que, censurada por muitos, resiste bravamente ao tempo. Há que dizer: uma obra "cuja riqueza e complexidade são assombrosas: ... observamos os sucessivos ataques à inocência, que, longe de se corromper em sua caminhada para a maturidade, chega incólume ao final como prova de que a esperança ainda é possível" (La biblioteca ideal, vários autores, 1995, p.46).

Ensaios [1580-88], de Michel de Montaigne. Trad. Sérgio Milliet. Porto Alegre : Globo, 1961, 3v. [Livro adquirido nos anos 60, em Recife] Possivelmente, segundo a nossa perspectiva, um dos 12 ou 13 maiores livros da cultura ocidental. Com ele, como já foi dito por inúmeros estudiosos, "a moderna psicologia do ser humano sobe ao palco". Não há, é bom acrescentar, uma seqüência tematica ou cronologicamente definida; os capítulos podem ser lidos de forma aleatória. Variados são os assuntos. Enfim, um livro importantíssimo. Para ser lido e relido. Sempre.


UM BLOGUE PORRETA

Anotações de um cinéfilo, de Filipe Furtado.

FF é mais do que um simples cinéfilo.
É um leitor atento e crítico em relação ao cinema.
Seu mundo, suas aspirações, suas linguagens.

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Não cometo esse erro tão comum de julgar os outros por mim. Acredito de bom grado que o que está nos outros possa divergir essencialmente daquilo que está em mim. Não obrigo ninguém a agir como ajo e concebo mil maneiras diferentes de viver; e, contrariamente ao que ocorre em geral, espantam-me bem menos as diferenças entre nós do que as semelhaaças. Não imponho a outrem nem meu modo de vida nem meus princípios [...]. (Michel de MONTAIGNE. Ensaios, 1, p.278-9)

sexta-feira, 17 de agosto de 2007


Mulher. Simplesmente.
Em foto de Yuri Bonder para a PhotoNet.


BALAIO PORRETA 1986
nº 2094
Rio, 17 de agosto de 2007


Memória
O QUE DIZIA RAMALHO ORTIGÃO

Eis o que escrevia o escritor português Ramalho Ortigão, no início do século passado, ao definir o que considerava ser fundamental para a boa educação da mulher:

"Os conhecimentos indispensáveis deveriam constar dos seguintes ramos de ensino:
1. Curso de asseio e de arranjo;
2. Curso de cozinha (química culinária);
3. Contabilidade, escrituração e economia doméstica.
A menina aprenderia, primeiro que tudo, a fazer um caldo. Toda mulher que não sabe fazer um caldo deveria ser proibida de dirigir uma casa".
[ Fonte: Jornal do Século XX, de Jayme Brenner ]

Nota do Balaio, nº 1277, de 9 de maio de 2000:
Já que vem por aí uma reforma curricular, propomos a seguinte disciplina (obrigatória): Introdução à teoria psicanalítica do Caldo.


AH, ESSA FALSA CULTURA
de Millôr Fernandes
[ in O Cruzeiro, 1961 ]

[] Cristóvão Colombo era casado com a Rainha Isabel e teve três filhas: Santa Maria, Pinta e Nina.

[] Para provar a teoria de Darwin foi necessário achar um macaco muito inteligente.

[] O Texas foi descoberto pela Texaco.

[] Pileque foi um matemático grego que descobriu que a Terra gira.

Mais
[in Millôr definitivo - A Bíblia do caos]

[] A alegoria era uma deusa grega, irmã da metáfora.

[] Todas as cidades antigas eram ruínas.

[] Castro Alves era tão moço que morreu aos 24 anos.

[] Os comunistas são vermelhos. Os conservadores têm uma cor um pouco mais apaziguada.


PORTO
de Lívio Oliveira (RN)
[ in Telha crua, 2005 ]

À beira-mar de uma noite sem luz,
busco minha sombra esquiva.
O claro-escuro da alma,
que não se define
neste espaço
onde enterro meus olhos
e vísceras,
demarca,
com senha perene,
minha última missa.

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A vida em si mesma não é realidade. Nós é que damos vida a pedras e seixos. (Frederick SOMMER, in Ensaios sobre a fotografia, de Susan Sontag, p.182)

quinta-feira, 16 de agosto de 2007


AS SETE MARAVILHAS DE BELO HORIZONTE
por Sandra Leite,
do blogue Isso é Bossa Nova

1. Lagoa da Pampulha
2. Igreja de São Francisco - Igrejinha
3. Praça da Liberdade
4. Praça da Estação
5. Pôr-do-sol de Belo Horizonte
6. Mineirão & Mineirinho
7. Parque das Mangabeiras

Na foto:
a Lagoa e a Igrejinha


BALAIO PORRETA 1986
nº 2092
Rio, 16 de agosto de 2007


SEU METALÉXICO
de José Paulo Paes
[ in Meia palavra, 1973 ]

economiopia
desenvolmentir
utopiada
consumidoidos
patriotários
suicidadãos


O AMOR
de Safos de Lesbos (séc. VII aC)
[ in Poesia grega e latina,
sel. & trad. Péricles Eugênio da Silva Ramos, 1964 ]

O amor agita meu espírito
como se fosse um vendaval
a desabar sobre os carvalhos.


AGORA COMO SEMPRE
de Baquílides (séc. V aC)
[ in Poesia grega e latina,
obra citada ]

Agora, como sempre,
com outro é que se obtém perícia:
pois não é fácil alcançar
a porta das palavras nunca ditas.


UMA RECOMENDAÇÃO BOROGODOSA
[ Dica da Livraria Folha Seca, Rua do Ouvidor, 37, Rio ]

Roda de samba e choro, no Estephanio's, aos domingos (18h),
em plena Rua dos Artistas, 130, Vila Isabel.
Com Thiago Prata (violão de 7 cordas), Mackey Mattos (voz),
Gabriel Cavalcante (cavaquinho), Fábio Cazes (percussão),
Anderson Balbueno (percussão) e Daniel Scisinio (voz/cavaquinho).

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Arte é sedução, não violação. Uma obra de arte propõe um tipo de experiência que visa manifestar a característica do imperativo. Mas a arte não pode seduzir sem a cumplicidade do sujeito que tem a experiência. (Susan SONTAG. Contra a interpretação. Trad. Ana Maria Capovilla. Porto Alegre : L&PM, 1987, p.32)

quarta-feira, 15 de agosto de 2007


Lisboa
vista de São Pedro de Alcântara
Foto digital de
Armando Cardoso, in 1000 Imagens


BALAIO PORRETA 1086
nº 2091
Rio, 15 de agosto de 2007



LAMBE-LAMBE
de Ana Maria Ramiro (DF)
[ in Poesilha ]

de quatro
meu
perfil
é mais
bonito,
obra
de arte,
puro
deleite
para
tua
glande
angular


TROVAS
de José Lucas de Barros (RN)
[ in Caminhada, 1998 ]

Quando meu cabelo for
da cor da espuma do mar
inda terei muito amor
para viver e sonhar.

O mar é monstro sagrado,
mas fragilmente desmaia
quando beija apaixonado
os lábios quentes da praia.

Quando a jangada flutua
sobre as águas, ao luar,
é uma lágrima da lua
nos olhos verdes do mar.


POEMA
de Chico Doido de Caicó (RN)
[ in 69 poemas de Chico Doido de Caicó, 2002 ]

Muitos são doutores em astrologia
Alguns são doutores em politicagem
Outros são doutores em teologia
Vários são doutores em viadagem
Chico Doido é doutor em bucetologia
Os demais são doutores em sacanagem.


UM BLOGUE PORRETA

Esquerda Festiva
, de Ulysses Dutra.
Cultura pop: quadrinhos, música & delírios.
Sonhos, música & quadrinhos.

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O amor é o triunfo da imaginação sobre a inteligência.
(H.L. MENCKEN)

terça-feira, 14 de agosto de 2007


Com a foto de Antonio Más Morales,
Casti, em Teia de Palavras,
abre as portas do saber para Rabindranath Tagore:
"Não faço perguntas.
Tenho medo das respostas que já sei".


BALAIO PORRETA 1986
nº 2090
Rio, 14 de agosto de 2007



PREDESTINAÇÃO
de Ascenso Ferreira (PE)
[ in Xenhenhém, 1951 ]

- Entra pra dentro, Chiquinha!
Entra pra dentro, Chiquinha!
No caminho que você vai
você acaba prostituta!

E ela:
- Deus te ouça, minha mãe...
Deus te ouça...


PARA QUE LEIAS
de Acantha (SP)
[ in La Vie Bohème ]

Calo minha boca
no teu corpo
enquanto pulsas.
Febre e voragem
sons e vertigem.


A PEDRA E A FALA
de Bosco Sobreira (CE)
[ in Politicamente Incorreto ]

uma pedra
não é breve como
um pássaro

nem tão eterna
como o homem
e sua fala

(uma pedra
a gente cala
com mão cola
gravidade

uma fala
não se pedra
não se perde
não se cala)

a fala
é a pedra redimida


UMA RECOMENDAÇÃO BOROGODOSA

Cartas da praia, de Helio Galvão. Natal : Scriptorin Candinha Bezerra; Fundação Helio Galvão, 2006, 404p. Il. [] Reunião de três livros excelentes do historiador e etnógrafo Helio Galvão, um dos mais refinados estilistas do Rio Grande do Norte, livros esses originalmente publicados nos anos 60 e 70 do século passado. Sobre as gentes, os costumes, os vocábulos e as danças e pescarias de Tibau do Sul. "Este livro contribui para fazer permanecer a geografia humana de Tibau do Sul numa perspectiva fundadora. A coleta etnográfica procedida por Helio Galvão registra falas, gestos e saberes de amigos pescadores que, no espaço diacrônico do tempo, sofreram reelaborações dentro de um progresso destacador experimentado pela comunidade local" (Dácio Galvão).

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Existe coisa mais verdadeira que a verdade? Sim, a lenda. Ela é que dá sentido eterno à verdade efêmera. (Nikos KAZANTZAKIS. Relatório para Greco, 30, in Dicionário universal de citações, de Paulo Rónai, p.544-5)

segunda-feira, 13 de agosto de 2007


OITICICA ENCONTRA ITAJUBÁ
de Adriano de Sousa (RN)
[ in Blog de Adriano ]

O que é a poesia?
Não sei, e se soubesse não contava pra ninguém.
O que é o poema?
Tudo aquilo que você chama de poema.
Isso é uma citação?
Sim. Aqui não usamos argumentos; só citações.


BALAIO PORRETA 1986
nº 2089
Rio, 13 de agosto de 2007



A EXCOMUNHÃO DAS IRIDOMYRMEX HUMILIS
por Luiz Antônio Simas (RJ)
[ in Histórias do Brasil ]

Leio, em alguns registros da história da província do Maranhão, que, em 1713, os religiosos de um convento em Piedade travaram dura batalha contra centenas de formigas. Os impertinentes insetos himenópteros estavam invadindo a despensa do convento para comer a farinha dos padres.
As ditas cujas, pelos relatos dos apavorados religiosos, pertenciam a espécie das iridomyrmex humilis, as famosas formigas-açucareiras, que se caracterizam pelo péssimo hábito de invadir casas em busca de qualquer tipo de alimento. Eram elas, sem dúvidas, que estavam atazanando o juízo dos homens de Deus.
Após infrutíferas tentativas de eliminar os insetos, os padres resolveram processar as formigas no Tribunal da Divina Providência, cuja sede no Maranhão era presidida pelo vigário-geral. As formigas foram julgadas e condenadas severamente. O tribunal estabeleceu que os religiosos deveriam demarcar uma área para que as formigas se locomovessem; se as vilãs da história ultrapassassem o espaço determinado, seriam submetidas ao ritual de excomunhão - a mais vil das condenações.
Os leitores que acham que essa memorável passagem do direito canônico nacional terminou aí, estão enganados. O tribunal determinou que a sentença fosse lida por um padre na boca do formigueiro. Tenho amigos advogados que, certamente, concordarão que o procedimento correto era mesmo o de comunicar a sentença a quem de direito.
Acontece que as formigas, tremendamente subversivas, não respeitaram a decisão das autoridades canônicas; as hereges continuaram invadindo a despensa do convento, sem demonstrar receio algum do risco de excomunhão a que estavam sujeitas.
Diante do comportamento ilegal das formigas, o tribunal determinou a excomunhão de todo o formigueiro do convento. A sentença foi lavrada e o rito de condenação sumariamente executado, com a presença do vigário-geral. As formigas excomungadas, com a pança cheia de farinha, devem estar, até hoje, enchendo a paciência do coisa ruim, nas profundas do reino do pé-de-bode.

UM BLOGUE PORRETA

Histórias do Brasil
, de Luiz Antônio Simas.
Humor & crítica em alta voltagem:
uma história nada convencional de nossos heróis,
canalhas, mártires, malandros, santos, sambistas etc.

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dentro de ti medita um
sol mediterrâneo
(Cláudia Roquette-Pinto,
tomatl
,
in Pedras de toque da poesia brasileira, de José Lino Grünewald, p.44)